Benzedeira

Quando era criança morria de medo de engasgar. Tudo começou quando estava numa benzedeira, boazinha ela até, e cometi esse erro, a água desceu pelo buraco errado. A mulher tascou-me a mãozona nas costas *pá!* e gritava “São Brás!” *cof* “São Brás!” *argh* “São Brás!” *guáááá* “São Brás!” a cada tapão.

Eu entendia “assombrais, assombrais” enquanto tentava sobreviver ao ataque – mas sobreviver pra quê? Se dali em diante eu ia ser assombrada toda vida! A imaginação é um dom maravilhoso. Junto com um ouvido doido, então!

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Uma Secretária de Futuro

Capa do DVD do filme Uma secretária de futuroFilminhos Que Eu Assistia Sempre na Sessão da Tarde: Uma Secretária de Futuro

Quinze anos atrás, dá pra acreditar? Sigourney Weaver já tinha feito dois Alien e Melanie Griffith nem conhecia Antonio Banderas ainda.

Das lembranças que tenho mais fortes é a cena primeira, de Tess [Griffith] indo trabalhar de tênis – todas as mulheres de tênis, aliás, levando os sapatos em sacolas – em Manhattan. Let the river run.

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A Hidra dos Tênis

Em alguns países as crianças costumam acreditar na Fada dos Dentes, uma moça muito desprendida e boazinha que troca um dente caído por moedas.

O que poucas pessoas sabem é que existem outros seres tão tímidos quanto a Fada dos Dentes: Sininho é até famosa – assim como Morgana dos Gatos e do Vento Sul – mas o mesmo não se pode dizer da Hidra dos Tênis. Tênis, eu disse.

A Hidra dos Tênis não costuma aparecer à luz do dia [tal e qual a maioria dos seres fantásticos] pois sua aparência incomum pode provocar traumas irreversíveis aos incautos.

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Biblioteca do contabilista

Meu avô tinha a coleção completa do Malba Tahan. Há anos eu vinha cobiçando esses livros, anos e anos [sinta a carga dramática desta confissão de culpa: cobiça é um pecado capital, pô. Ou seria mortal? Qual seja].

E o que ele faz? Dá pra um primo que odeia ler. Que na verdade só lê Paulo Coelho, o que dá quase na mesma. [Soberba, note]

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The Replacements – Virando o Jogo

Capa do DVD do filme Virando o jogoJá contei que gosto bastantão de futebol americano? Pois é. Peguei “Virando o Jogo” [The Replacements] no fds – mais por causa do Gene Hackman do que pelo futebol.

Aliás, é uma coisa linda o método “que filme vamos pegar no fim de semana” que rola por aqui, mas enfim…

O fato é que a trilha sonora do filme me pegou! Tem de I Will Survive [Gloria Gaynor] a Mustang Sally [Eric Clapton] e Blinded by Rainbows [R Stones], as básicas We Will Rock You [Queen] e We Can Be Heros [Wallflowers] a Ride [Amandha Marshall] e Every Breath You Take [Police] – que me lembro bem.

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Ka

Capa do livro KaComecei a ler Ka com preconceito. Russo, autor comparado a Joyce, pensei: “deve ser pernóstico até o último pingo de tinta”. Mas qual! O livro em si tem 94 páginas, 23 escritas por Khlébnikov; as demais 71 são notas, observações e elogios de Haroldo de Campos, o organizador da coleção. Li apenas as 23 primeiras – estou me preparando para reler debaixo do futon. [Nota mental: não sucumbir ao preconceito, veja o que você ia perdendo.] A parte que realmente interessa, as 23 páginas, trata apenas do tema mais batido do mundo, vida, morte, tempo e memória.

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