O Oitavo Mago

Capa do livro O Oitavo MagoGeralmente não gosto de livros com anotações de rodapé. Já deixei de lado a edição da Abril para a historinha de Gulliver por causa disso; mas Terry Pratchett arrasa com notas como “Quando o assunto são objetos cintilantes, os magos possuem o gosto e o autocontrole de uma arara alucinada” ou, sendo ainda mais objetivo, um simples “Você entendeu.”
Ah, sim, a historinha… DiscWorld é uma série [oh, não, outra!!] de livros que contam como é a vida num mundo paralelo mágico, um disco [Disc, manja?] sustentado por quatro elefantes que se apóiam nas costas de uma tartaruga de 16 mil quilômetros que vaga pelo universo. O Oitavo Mago é o quinto volume de 21 no total, seis ou oito traduzidos no Brasil pela Conrad; isto significa que logo após terminar a coleção Agatha Christie já tenho outra resolução de ano novo para cumprir.
;o)

Junto com a edição d’O Senhor dos Anéis da Martins Fontes, é a que tem a revisão mais cuidadosa das quatro séries sobre universos paralelos e magia que leio. O tradutor Roberto de Nice ainda é gentil o bastante para acrescentar uma nota explicando os critérios que o levaram a traduzir os nomes ou não, e quais as adaptações que fez em português e porquê. Respeito ao leitor é isso.

Ipslore relaxou um pouco. Numa voz que beirava a normalidade, disse:

– Eu não me arrependo. Faria tudo de novo. Crianças são a esperança para o futuro.

– NÃO EXISTE ESPERANÇA PARA O FUTURO — retrucou Morte.

– Então existe o quê?

– EU.

– Além de você!

Morte lhe dirigiu um olhar confuso.

– COMO ASSIM?

A tempestade atingiu seu ápice uivante. Uma gaivota passou voando de trás para a frente.

– Eu quero saber — gritou Ipslore, irritado — o que existe neste mundo que faça a vida valer a pena.

Morte pensou no assunto.

– GATOS — respondeu, afinal. — GATOS SÃO LEGAIS.

[...]

Por estranho que pareça, ele não estava com muita raiva. A raiva é uma emoção e, para sentir emoção, são necessárias glândulas. Morte nem sequer sabia de glândulas, e precisava de um bom motivo para ficar com raiva. Mas estava ligeiramente irritado. Suspirou outra vez. As pessoas sempre tentavam esse tipo de coisa. Por outro lado, era algo até interessante de se observar, e esta tentativa, pelo menos, era um pouco mais original do que o clássico e simbólico jogo de xadrez, que Morte detestava porque nunca se lembrava de como o cavalo se movia.

(Terry Pratchett, O Oitavo Mago, Conrad, 2003.)

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2 comentários sobre “O Oitavo Mago

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