A Ratoeira

Capa do livro A Ratoeira e Outras Peças, de Agatha ChristieO primeiro “livro de gente grande” que me lembro de ter lido foi ‘Os Três Ratos Cegos’ [The Three Blind Mice], de Agatha Christie — na verdade uma novela escrita para o rádio e não um romance — que compartilhava com mais dois contos um volume-brinde de Seleções do Readers Digest que meu avô ganhou numa renovação de assinatura. Muitos anos mais tarde esse livro sumiu da estante junto com a coleção completa de Malba Tahan, o que me fez planejar uma peregrinação por casas de parentes em busca dos livros perdidos.

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O Apanhador de Sonhos

Ontem assisti um que – pelas referências – tinha todos os ingredientes para ser um bom filme.

[1] Baseado em conto de Stephen King.
[2] Dirigido por Lawrence Kasdan, de “Te amarei até te matar” [ I love you to death] e “O turista acidental” [The accidental tourist]
[3] A presença de Morgan Freeman no elenco.

Os primeiros 40 minutos foram ótimos, davam mesmo a impressão de que finalmente o gênero do terror voltava às boas: 4 garotos salvam um menino [Donnie Wahlberg, de novo fazendo o rapaz-esquisito-com-problemas-de-cueca] e em troca desenvolvem uma ligação telepática entre si e com as pessoas em volta.

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Sebos

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
(Drummond)

Sim, senhor, o mundo é grande e não tenho uma janela sobre o mar. Assim, não sei como é nos outros cantos, só sei aqui em Pompéia é quase impossível comprar um livro. O “quase” deve-se à única banca de jornal da cidade, que de vez em quando até traz uns títulos bonzinhos — O Silêncio dos Inocentes, por exemplo, foi comprado lá na Tio Patinhas. Capa dura, tá pensando o que? [Na verdade, eu não faço muita questão de tipo de capa, de papel, esses detalhes. É bonito, admito, um exemplar bem trabalhado, chique no último grau, mas não é indispensável.]

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CHiPs

Idem [1977 a 1983] – Tira bom, tira mau. Loiro bonzinho, moreno brabo. Tá, tá; tirando esses pequenos vícios a série era legal: dois patrulheiros rodoviários do Estado da California [Chips = California Highway Patrol] perseguiam criminosos em suas motocas, namoravam, atazanavam a vida do Sargento Getraer, davam trabalho ao mecânico Harlan…

Em casa meu irmão era mais fã do que eu, então minhas lembranças são muito sem nexo. Teve uma vez que Jon estava de casinho com a cantora Laura Branigan [Self Control] Continuar lendo

Seinfeld

Idem [1990-1998] — Um show sobre o nada. “Nada”, no caso, é tudo o que acontece na vida de Jerry Seinfeld e seus amigos George [Jason Alexander], Kramer [Michael Richards] e Elaine Benes [Julia Louis-Dreyfus]. A comédia se tornou cult justamente por trazer situações comuns, vividas por pessoas comuns — hummm… OK, talvez nem tão comuns assim. Ou você tem um vizinho que entra e sai do seu [de você] apartamento como se fosse sua [dele] própria casa e tem idéias bizarras de negócios como o sutiã para homens com muito peito? Se bem que a idéia não é de todo má… Mas enfim — os personagens fogem de estereótipos óbvios e o humor é extraído de coisas tão improváveis quanto bolas de algodão: no primeiro episódio, Jerry se pergunta para quê, afinal, as mulheres precisam de tantas bolas de algodão e que tipo de experiência terrível fazem com elas [isso há onze anos; fosse hoje e ficaria abismado com o que nós fazemos com DISCOS de algodão]. Curiosidade: Jerry Seinfeld faz aniversário no mesmo dia que Andre Agassi e esta que vos digita ;o)

Jeannie é um gênio

I Dream Of Jeannie [1965-1970] — Outro seriado, contemporâneo d’A Feiticeira, que trabalhava com a imaginação e a magia numa época em que os efeitos especiais se resumiam a gelo seco colorido e chroma-key [filmar o personagem num fundo neutro, filmar um cenário separadamente e depois unir].

Escrito e produzido pelo best-seller Sidney Sheldon, Jeannie [Barbara Eden] é uma gênia pra lá de Bagdá — inclusive nas roupas, consideradas uma pouca-vergonha em 65 — que toma o major da Nasa Anthony Nelson [Larry Hagman, o J.R.Ewing da série Dallas] por amo. Contra a vontade dele, é verdade.

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A Feiticeira

Bewitched [1964-1972] — Muito antes de Joana Prado sonhar em nascer, a Feiticeira já era sucesso na TV. A trama gira em torno de Samantha Stevens e sua família – o marido James [no original Darin], sua mãe Endora, os filhos Tabatha e Adam. Seria uma família típica norte-americana se Samantha não fosse uma bruxa. Não, não, até que ela era boazinha; ”bruxa” no sentido de maga e não de megera, entende?

O grande mote para os episódios eram as brigas entre James [Dick York/Dick Sargent] e sua sogra Endora [Agnes Moorehead, que trabalhou em dois filmes de Orson Welles, inclusive Cidadão Kane], que não se conformava com o fato de sua única filha ter escolhido um “reles mortal” quando existiam tantos bons partidos bruxulescos interessados.

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O Último Solo – Renato Russo

Capa do CD O Último Solo, de Renato RussoEste foi o primeiro dos três CDs póstumos lançados após a morte do compositor e vocalista da banda Legião Urbana, o músico Renato Russo. São oito faixas que ficaram de fora dos álbuns-solo Stonewall Celebration Concert [1994] e de Equilíbrio Distante [1995], retrabalhadas por Carlos Trilha, da banda que acompanhou Renato em ambos. O que fez as músicas seres descartadas das tracklists foi uma limitação técnica dos próprios CDs, que não comportavam mais do que 70 minutos; também colaborou para a existência de muito material inédito o método de Renato Russo: ele trabalhava músicas para um álbum triplo, passava para duplo e terminava num simples.

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A terrorista

[Hoje lembrei do sonho que tive, mas depois de ler o da Your Soul e o da Marília na República dos Sonhos, achei o meu muito normalzinho...]

Sou uma terrorista perigosa caçada pela Interpol e estou hospedada num hotel de luxo, num quarto que tem a porta alta em folha dupla e com estampa de rosas. Meu braço direito é uma espécie de Arthur Hastings ou John Watson, e assim como Poirot ou Holmes sinto que estou perdendo a paciência com ele.

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