O assassinato retrospectivo – parte 4

D. Agripina vivia sozinha; nunca se casara, não tivera filhos, não tinha empregados. Nem mesmo um cão ou peixes dourados no aquário seco sob a janela da sala. E, no entanto, mantinha no armário roupas de um homem de aproximadamente 1,84m, 75 – talvez 78 kg. A descrição batia com as medidas do desaparecido. O que todas aquelas roupas faziam ali, no quarto de uma solteirona arruinada? Fechei a porta do guarda-roupa e sentei na beirada da cama, pensamentos voando.

Na manhã seguinte D. Agripina encontrou uma folha de papel encostada no açucareiro que ficara na mesinha da sala.

“Prezada D. Agripina,

Esta carta é um pedido de desculpas. De certa forma, menti para a senhora, eu a enganei. Eu realmente saí da polícia; entretanto, ainda trabalho com investigação – e era isso o que estava fazendo ontem: investigando o desaparecimento de seu tio. Os acasos do destino acabaram por me fazer enxergar a verdade, e não me orgulho disto.

Há 58 anos um homem desapareceu. Seu corpo nunca foi encontrado. A noiva deste homem teve sua reputação posta à prova: embora nunca tenha sido provado nada e nunca a tenham acusado de traição diretamente, ela nunca recuperou o respeito da sociedade da época. A senhora também foi atingida por este mistério, não foi? A senhora sabia que ele estava morto, porque foi a senhora que o matou.

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