O telefone toca em casa, mais ou menos uma hora e meia depois do falecimento de meu avô.
– Luuu, o Zé chegou em casa dizendo que ouviu na rua que o Sêo Kimura morreu, é verdade?
É verdade. A essa altura ainda não sabíamos nem a hora do enterro e o corpo só foi liberado duas horas depois.
Na sexta-feira, três dias depois, amiga conta pra minha mãe que só soube quem tinha falecido depois que um vizinho viu o cortejo e foi assuntar. Não que sejam tãããão poucos falecimentos em Pedra Lascada [segundo um radialista, dá uma média de um a cada dois dias], e sim por causa dos “carrões”: ele achou que tinha sido “um figuraça” [palavras dele].
Por enquanto o cortejo ainda passa por metade da cidade mas, quando inaugurar o velório novo [Odorico Paraguassu!] ao lado do cemitério, vai acabar com a diversão do povo.
