Eu queria paixonar de novo num filme de fantasia adaptado dos escritores ingleses igual quinem paixonei no Senhor dos Anéis, quando coloquei o DVD de A Bússola de Ouro [The Golden Compass, EUA e Inglaterra/2007] pra rodar – e esta é a única comparação que faço entre a trilogia de Tolkien e a de Philip Pullman. Palavra de Batata.
Vam’começar pelo lado bom: os efeitos especiais são fantásticos! Não dá pra apontar o que é CGI e o que é elemento real nas cenas, desdas locações até – e especialmente – os daemons, os animais que representam a alma das pessoas naquele universo paralelo. A escolha das vozes dos daemons é outro ponto positivo: Freddie Highmore [o Charlie da nova Fantástica Fábrica de Chocolate] tornou Pantalaimon mais crível do que sua contraparte humana; Kathy Bates combinou sua daemon Hester ao cowboy aeronauta Lee Scoresby de Sam Elliott assim como Kristin Scott Thomas, que eu acho tão chique, só podia ser a voz de Stelmaria, a daemon de Lord Asriel. A escalação das vozes dos dois ursos de armadura inimigos também entra na conta: Ian McKellen como Iorek Birmison e Ian McShane [a voz do Capitão Gancho em Shrek Terceiro] como Ragnar Sturlusson. Perfeitos.
Serafina Pekkala: There are many universes and many Earths parallel to each other. Worlds like yours, where people’s souls live inside their bodies, and worlds like mine, where they walk beside us, as animal spirits we call daemons.
<- Awww, que fofo!
O elenco continua fabuloso nos papéis humanos: Simon McBurney, Derek Jacobi, Christopher Lee, Eva Green, Daniel Craig, Nicole Kidman… e aí começaram os problemas. À parte a questão se alguns deles têm talento ou não, todos foram subaproveitados no filme.
É muita história pra condensar em pouco menos de duas horas de filme? Sim, mas, ao optar por manter a fidelidade aos fatos do livro, o diretor e roteirista Chris Weitz acelerou o ritmo e deixou de se aprofundar nos personagens, na mitologia e na própria magia da história. A impressão que eu tive foi que tinha acabado de ver um trailer extralongo, que o melhor do filme estava nas entrelinhas. OK, não precisava esfregar tudo mastigadinho na cara da gente, mas também não precisava exagerar e ocultar tudo, né?
Serafina Pekkala: So many worlds. But connecting them all is Dust. Dust was here before the witches of the air, the Gyptians of the water, and the bears of the ice. In my world, scholars invented an alethiometer – a golden compass – and it showed them all that was hidden. But the ruling power, fearing any truth but their own, destroyed these devices and forbade the very mention of Dust. One compass remains, however, and only one who can read it.
A primeira coisa que me veio à cabeça quando o filme terminou foi uma avaliação de Wálter Longo a respeito de uma das candidatas do Aprendiz 5: “Ela confunde pressa com correria e ação com movimento.”
Essa decisão do diretor provocou um efeito colateral perverso em quem não leu o livro: o entendimento incompleto ou equivocado da trama ou de elementos da história. De todas as facetas possíveis que o filme poderia abordar – o fundamentalismo religioso, o embate religião versus ciência, a criança buscando uma família, livre-arbítrio, coragem, abnegação, egoísmo – nenhuma foi levada a término, talvez por causa até do movimento católico, que se sentiu ofendido e ameaçado e em retribuição pediu que os fiéis boicotassem o filme.
Que ninguém acuse Titia Batata de rabugice, no entanto: no trailer disponível no Youtube, legendado, tem cenas que não foram usadas neste primeiro filme. Quem sabe o segundo, A Faca Sutil, corrija esses problemas e me dê ânimo pra retomar a leitura de A Luneta Âmbar?


Sobre A Bússola de Ouro « Cinema é Magia disse,
Quarta-feira, Julho 2, 2008 às 09:31
[...] http://batatatransgenica.wordpress.com/2008/07/02/a-bussola-de-ouro-filme/ [...]
crisesdetpm disse,
Domingo, Setembro 14, 2008 às 21:27
Na época, fui ao cinema muito empolgada para assistir a esse filme, mas me foi um tanto decepcionante. Não li ao livro e concordo em paracer meio confuso.
Disse e tá dito!!!