Pensamentos de Uma Batata Transgênica

Giramundo

Escrito por naomi em Julho 6, 2008

Estava a googlar “mefistotélico” na semana passada quando caí num blog com um texto familiar. Quanto mais eu lia, mais crescia a sensação de déja-vù - e o pior é que tinha certeza que não conhecia o autor do blog. Sou ruim com nomes, sim, mas aquele era bem diferente, único.

Até que *tóim!* percebi porque reconhecia aquele texto: fui eu que escrevi! Foi publicado na edição #27 do ezine 700km [arquivado na newsgroups Derkeiler.com em 2005, mas é anterior; 2001 ou 2002, acho. sou ruim com datas também].

Não vou comprar briga com o cidadão, não vou nem linkar o endereço aqui, mas republico a crônica completa no PdUBT, com um abraço pro Claumann, editor-em-chefe do 700km, caus que a série A Ilha da Fantasia será reprisada no TCM a partir de agosto ou setembro. ;)

Existem apenas duas tragédias no mundo: uma é não conseguir o que se quer; a outra é conseguir. (Oscar Wilde)

Numa das listas de discussão que assino apareceu, outro dia, uma foto com a seguinte mensagem: Não faço idéia de quem seja esse, mas a galera balzaca daqui reconheceu. Tratava-se de uma foto em preto-e-branco de um sujeito com o cabelo cortado em tigela, sorriso meigo e olhar brilhante. Reconheci na mesma hora Hervé Villechaize, o Tattoo da Ilha da Fantasia. Sim, aquele mesmo que se vestia sempre a caráter e só servia pra tocar o sino e gritar “o avião, patrão, o avião!” e fazer as perguntas necessárias para o Senhor Roarke dar as respostas a fim de compreendermos a trama.

A Ilha da Fantasia foi singular. No meio da safra de policiais, detetives e westerns da época, o produtor Aaron Spelling [o mesmo de Barrados no Baile - Beverly Hills 90210 -, O Barco do Amor e váááários outros] colocou no ar um seriado em que toda a ação se passava em uma ilha no meio do Oceano Pacífico, com elenco metade fixo e metade de convidados especiais.

Dentre os fixos, além de Tattoo, estava o Senhor Roarke [Ricardo Montalban] — cuja missão era realizar os sonhos dos visitantes que chegavam de hidroavião, todas as semanas. Havia um certo padrão em todos os episódios: um pequeno diálogo entre o Senhor Roarke e Tattoo a respeito dos visitantes, a imagem do hidroavião pousando, Tattoo correndo e tocando o sino e berrando “o avião! o avião!” [até hoje tenho esse reflexo condicionado quando vejo a cena de um avião pousando na água imito a voz e a fala de Tattoo, para desespero de quem está junto]. Os convidados desciam do avião e recebiam colares havaianos das mocinhas do hotel-resort e eram recepcionados pelo Senhor Roarke, que também tinha duas falas-padrão. A primeira dirigida aos funcionários da ilha: ” Sorriam todos, vamos, sorriam!” e a outra aos visitantes: “Olá, eu sou o Senhor Roarke, seu anfitrião. Sejam bem-vindos à Ilha da Fantasia”.

Em cada episódio dois ou três desejos deveriam ser satisfeitos pela equipe, desde um safari a uma festa de aniversário ou uma viagem no tempo. Muitas das histórias envolviam glamour e aventura para pessoas comuns que viviam, na maior parte do tempo, entediadas. Havia alguns elementos de perigo mas tudo se resolvia direito na Ilha da Fantasia. Embora Tattoo e o Senhor Roarke se mantivessem distantes dos acontecimentos na maioria das vezes, os dois estavam em todos os lugares da ilha ao mesmo tempo em seus ternos brancos e carrinhos de golfe. Pareciam ser os que mais se divertiam também, já que nem sempre a realização dos desejos corria de acordo com a expectativa do convidado. E era essa a sacada da série: no final de cada episódio uma lição de moral. Geralmente no estilo o dinheiro não traz felicidade ou algo parecido, embora eu sempre achasse que um pacote completo pra tal ilha deveria custar meio caro…

No início escrevi que o personagem Tattoo não servia para grande coisa, mas era exagero, evidente. Tattoo era o contraponto quase angelical do misterioso [e às vezes mefistotélico] Senhor Roarke, que se tornava mais misterioso e mais mefistotélico à medida que as temporadas passavam, distribuindo feitiços e poções mágicas, invocando eventos do passado ou do futuro e até mesmo batalhando com o demônio. Aliás, o próprio Mefistófeles participou do seriado, na pele de Roddy McDowall. Mas a essa altura a Ilha da Fantasia já havia perdido quase toda a aura mágica ao apelar para os elementos sobrenaturais de maneira ostensiva. O seriado terminou em 1984, após sete anos, e dois anos depois de Hervé Villechaize abandonar o elenco por motivos financeiros.

Mais Hervé Villechaize: Dancing Herve
http://tradedforwheat.com/meshugenah/dancingherve.html

2 Respostas para “Giramundo”

  1. Sweet Disse:

    Lu, fora a chatice de ser copiada sem créditos, óbvia, tem o lado “sou uma celebridade, sou copiada, uau!”

    Como tudo na vida, tem dois lados. Quer dizer, três na verdade. Pqe ainda tem o lado “mas que fdp!”.

    Liga não, fia.

    Tem tb aquele ditado que diz ‘cuidado com o que vc pede, pqe vc ode conseguir!”

    Bj.

  2. naomi Disse:

    ai, sweet, só tu pra me fazer rir disso!
    :lol:

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