Cautela e canja de galinha

Estava a comentar no Fernando como está difícil ler notícias críveis nos últimos tempos – tá, sempre é bom manter o pé atrás e ter um mínimo de senso crítico, mas antes o problema acontecia mais com informações subjetivas, notas de política e economia, coisa que dependia mais de interpretação do que de comunicação. Agora a coisa degringolou geral; tem gente passando informação errada com uma candura que chega a doer nas vista.

E é gente de veículo grande, né blogue não. Gente com CNPJ e registro de jornalista no Mtb. Quer comprovar? Googla lá: desmente, desmentido, errata, correção e “nega boato” ou “nega rumor”, em Notícias.

E a disseminação? Corre rapidinho! E aí sim tem muito blog que vai na onda. Eu mesma já caí num monte. Qual o objetivo disso? Criar marola? Necessidade fisiológica de ser o primeiro em alguma coisa ou em fazer parte do hype? Subir no ranking do Google? Aumentar as visitas ao site?

Eu só sei que tou criando casca: cada vez que vejo uma notícia falsa num site decresce minha confiança naquele veículo como fonte de informação. Logo logo tou quinem o povo da vila do menino que gritava lobo: quando ele disser a verdade não vou acreditar.

Crédito da ilustração: Weno

6 Comentários

  1. Lola disse,

    Terça-feira, Julho 8, 2008 às 19:58

    E a noticia de que a Globo comprou o Estadao? Confere? Essa eh quente, se for verdade!

  2. carretera18 disse,

    Terça-feira, Julho 8, 2008 às 20:23

    Não sei qual é a (falsa?) noticia que levou a Naomi a escrever este post e nem o lance citado pela Lola, mas eu já sei que fiquei procurando avião caído em Moema outro dia… Rolou a noticia, na rádio, que um avião havia se chocado contra um prédio, mas era um incêndio comum…

  3. Marco Y disse,

    Terça-feira, Julho 8, 2008 às 20:26

    sorry…o cara de cima sou eu…rs

  4. naomi disse,

    Terça-feira, Julho 8, 2008 às 21:40

    lola, o que eu sei é que desde 2007 o estadão/jt e o globo/extra gerenciam juntos o portal de classificados zap. quanto à compra a globo nega, o estadão nega, e esse é outro efeito colateral perverso: dá pra confiar em quem nega também? em todo caso, a resposta não passa de 1 ano, que é o prazo do suposto pdv [plano de demissão voluntária] que tá rolando no estadão.

    marco, é uma série de notícias, uma fila mesmo. tá dando mais trabalho pesquisar no goggle se uma notícia procede ou não do que propriamente ler o jornal! can-sei!
    :lol:

  5. Suzana disse,

    Quarta-feira, Julho 9, 2008 às 12:04

    Naomi;

    Faz muito muito tempo – época em que trabalhei no Globo – jornalista que tinha uma grande história escrevia a matéria e ia pro paredão. Seus colegas e um editor descascavam o sujeito, perguntando até a cor da cueca. Não sabe responder – a matéria tem buracos na apuração. Volta lá e apura mais.

    Hoje os fechamentos são mais cedo, e ainda tem aquela do “cada página corrigida custa US$ 100″ (hoje deve estar na casa dos US$ 300). Além disso, é uma correria pra ver quem consegue mais furos que o outro. Carro de reportagem só deixa o local se o do Globo for embora também; se a equipe do Globo fica, todo mundo fica.

    Repórter de antigamente ia pra rua; o de hoje tem uma preguiiiiça…! Se der pra apurar na redação é melhor – não gasta gasolina do carro, não tem que pegar celular, tá ali à mão. E tome apuração pelo telefone – sabe o “Fulano foi procurado pela equipe do jornal mas não foi encontrado” ou “não retornou às ligações”? Pois é isso. O repórter liga uma vez – “Fulano saiu”. “Pede pra ele ligar para Beltrano, do jornal X”. E pronto.

    Me lembro quando teve um acidente na Ponte Rio-Niterói e um repórter disse, na graçola, que deveriam fazer rodízio de carros (dar a volta por Magé acrescenta mais de cem quilômetros/1 hora ao trajeto). O idiota do editor (salário: R$ 10 mil) gritou “Ótima idéia!” e mandou todo mundo ligar pra famosos para saber a opinião deles. De cada 10, 9 acharam a idéia idiota – o décimo foi o prefeito do Rio de então.

    Acha que o editor desistiu? Claro que não! Foi manchete do Globo no dia seguinte, alto de página, acima da dobra. “Prefeito do Rio considera rodízio de carros na Ponte Rio-Niterói”. Ninguém apurou que a ponte nem sequer é área estadual – é propriedade
    federal: pedágio ali só com votação no Congresso.

    Já vi releases meus publicados (publicados, papel, impressão) na íntegra. Ouço muito do repórter “Manda o release por e-mail por favor.” Assim fica mais fácil dar control C.

    Esse é o jornalismo de hoje. Por isso adoro trabalhar beeeem longe disso tudo. Pelo menos, livros são revisados ao menos 3 vezes antes de serem publicados – e ainda podem ganhar recall.

    Bjs

  6. naomi disse,

    Quarta-feira, Julho 9, 2008 às 15:10

    suzana, então não era só impressão minha, isso tá acontecendo mesmo? cara, as coisas que vc conta são de arrepiar os cabelinhos da nuca!

    hoje me peguei duvidando de tudo o que li, até de mim mesma. chega ser nóia!


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