George e o Segredo do Universo

Capa da edição brasileira

Capa da edição brasileira

A imagem que tenho de Stephen Hawking, desde sempre, é a dele já em estágio avançado de esclerose lateral amiotrófica [ELA ou ALS em inglês ou, ainda, doença de Lou Gehrig, conhecida dos fãs da série House] sem ter em mente que se trata de uma doença progressiva, isto é, que ele viveu um período sem a doença. Hawking foi diagnosticado com ELA  aos 21 anos, logo após seu primeiro casamento, e o médico previu que ele teria mais três anos de vida. O que ele teve foi três filhos com a primeira esposa, e uma segunda esposa de quem se separou em 2006 aos 64 anos.

Se o médico tivesse apostado, perderia feio.

Aliás, Hawking é fã de uma aposta e é também um bom jogador: em 2004 ele admitiu que a aposta de Kip Thorne e John Preskill, da Caltech, bateu a sua teoria de que a informação dos objetos engolidos por um buraco negro era perdida para sempre. O preço da aposta foi uma enciclopédia de baseball e essa nova descoberta faz parte desse livro infantil que ele publicou em 2007, em co-autoria com a filha Lucy.

Os Pilares da Criação [Nebulosa M16]

Os Pilares da Criação - Nebulosa M16

Se você é como eu e passou por uma série de professores desestimulados e desinteressados provavelmente até tem alguma curiosidade sobre esses assuntos [ainda mais agora com essa onda do acelerador de partículas Grande Colisor de Hádrons ou LHC, do CERN] mas bóia nos detalhes. Hawking planejou uma trilogia para explicar os fundamentos da Física, com ênfase na cosmologia e na mecânica quântica, em linguagem compreensível para crianças. George e o Segredo do Universo é o primeiro título.

- Quanto tempo uma estrela leva para nascer? – perguntou George.
– Dezenas de milhões de anos – retrucou Cosmos. – Espero que você não esteja com pressa.
– Basta! – cortou Eric [...]- Não se preocupe, George, eu apressei bastante o computador. Você ainda chegará em casa a tempo do jantar. (pág. 51)

O Rap das Partículas da assessoria de imprensa do CERN legendado em português, no Youtube [dica roubada do ObjAbj].

Eu a-do-rei esse livro, por várias razões.
[1] Os autores não são condescendentes. Embora a linguagem seja adequada para crianças, não lançam mão de metáforas e tratam de assuntos sérios.
[2] Os tradutores não foram condescendentes traduzindo nomes na assunção de que “criança teria dificuldade com os nomes estrangeiros”.
[3] A trama tem mistério, ação e humor.
[4] As ilustrações de Garry Parsons e as fotos/imagens astronômicas são o complemento perfeito pra história.
[5] Os quadros didáticos, apesar de quebrarem um pouco o ritmo de leitura, são bem… didáticos. Sugiro passar batido e voltar para ler depois que terminar.
[6] O mais importante: é interdisciplinar. Não é só Física, tem muito de Sociologia, Ecologia, Filosofia e até um pouco de Psicologia.

George e o Segredo do Universo
George’s Secret Key to the Universe
Stephen & Lucy Hawking
Editora: Ediouro
Tradução: Laura Alves e Aurélio Rebello
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 304

Leitura complementar
Site oficial do livro em português, com o primeiro capítulo para download.
Buraco negro – entrada na Wikipedia.
Morte anunciada na Via Láctea – como Eric disse para George, nada é para sempre.
Definição científica de planeta exclui Plutão – mas a Annie já avisou, não mencione isso quando passar perto dele.
Higgs e Hawking criam polêmica sobre experimentos do LHC – Hawking aposta de novo.

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4 comentários sobre “George e o Segredo do Universo

  1. Eu tenho um outro aqui em casa escrito pelo Bill Bryson, que geralmente escreve livros de viagens mas é um curioso, chamado Breve história de quase tudo. Não é tanto para crianças, mas é tipo um science for dummies divertido.
    Esse livro do Hawking não é só para crianças, eu tive muito colega na faculdade que deveria ter lido esse livro antes de entrar nas aulas de física. :)

  2. cris, se vc curte astronomia leia sim! se não curte leia também, porque a história do george é muito fofa. aliás, lembra da dust [poeira?] de ‘a bússola de ouro’? tem a ver com a teoria dos buracos negros, a evaporação hawking e a partícula deus [bóson de higgs]!

    kaká, esse livro do bill bryson é um dos meus top favoritos foréva! li em português de portugal porque na época não tinha sido publicado aqui ainda. comentei a respeito nesse post.

  3. MARCELO COELHO

    Confissões de um ignorante

    O modelo torna-se mais importante. Morrem a curiosidade científica e o respeito pelo real

    COM LÉPTONS, bósons e glúons mantenho relações de distância respeitosa: admiro-os, aprecio que circulem por aí em liberdade, mas meu interesse não vai além disso.
    Fico sabendo da inauguração de um gigantesco colisor de hádrons na Suíça e me sinto até injusto. Diante dos enormes esforços internacionais conjuntos para fazê-lo funcionar, sei que estou perdendo alguma coisa, mas mantenho a recôndita felicidade de não saber bem o que é isso que perdi.
    É um daqueles assuntos que desisto de entender antes mesmo de tentar que me expliquem. Sou dos tempos em que o átomo era um simpático sistema solar em miniatura, com os elétrons em volta do núcleo, formando um desenho que imitava a forma dos alfinetes de fralda.
    Já não existem mais alfinetes desse jeito, graças a Deus, e o velho modelo de Rutherford já estava ultrapassado quando me fizeram tomar conhecimento dele. É culpa minha, se não me atualizo nessas matérias de ciência; não faltam excelentes livros de divulgação. Mas não é culpa minha, se o que caiu nas minhas mãos foi “O Universo numa Casca de Noz”, de Stephen Hawking. Vinha com ilustrações lindas, mas era didático só na aparência; dois parágrafos bastaram para que ninguém entendesse mais nada.
    Não é, entretanto, o único livro de divulgação científica a fazer sucesso.
    As livrarias estão cheias de títulos capazes de atender à curiosidade de leitores menos traumatizados do que eu.
    Minha pergunta é simples. Se há tanta coisa interessante nesses livros, por que transformam o ensino de ciências no ginásio e no colégio uma coisa tão chata e tão difícil?
    Não seria melhor dar ao aluno uma “formação científica” geral, com base em livros desse tipo, do mesmo modo que se fala em dar uma “formação humanística” ou “formação literária”?
    De resto, seria tudo “formação humanística”: entender o método da ciência, a beleza da ciência, o engenho humano utilizado nas experiências e invenções, haveria de ser bem melhor do que treinar, como um cão pavloviano, centenas de exercícios de ótica e de química orgânica.
    Por sorte, não tive de lidar com esses bichos-papões na minha vida escolar. Logo fui para humanas, e o que tive de ciências foi o básico do básico. Mesmo assim, quando me lembro das aulas e das lições de casa, experimento uma revolta comigo mesmo e com o sistema escolar.
    Só agora, por exemplo, ocorrem-me algumas perguntas que qualquer aluno de sétima série deveria fazer; e me parece grave que não surjam com freqüência na sala de aula.
    Não me refiro à clássica questão, esta sempre repetida: “Para que serve essa joça?” Passo por cima disso, e vou a alguns casos concretos. Por exemplo, todos nós aprendemos as leis de Mendel, e o famoso exemplo das ervilhas de casca rugosa e lisa, logo em seguida transposto para a genética humana: genes de olhos azuis são recessivos, para olhos negros são dominantes.
    Todo mundo entendeu? Então, dá-lhe lição de casa. O que me espanta é que ninguém pergunte ao professor, numa hora dessas, como fica o caso dos que têm olhos castanhos, ou de um verde amarronzado… Deve haver alguma explicação para isso; envergonho-me de nunca tê-la solicitado.
    Aprender o modelo torna-se mais importante do que qualquer questionamento. Duas coisas morrem nessa sala de aula: o espírito de inquirição científica e o respeito aos fatos da vida real.
    Outro exemplo. A gente aprende na escola que a carga positiva atrai a negativa, e até nos dão uns ímãs para provar que é impossível juntar seus pólos positivos. Na aula seguinte, estamos aprendendo sobre átomos e, no célebre núcleo, encontramos um grupo de prótons grudadinhos um no outro.
    Novamente, ninguém levanta a mão e pergunta por que, dentro do núcleo, o positivo está grudado com outro positivo. Alguém poderia levantar essa dúvida; os professores poderiam estimulá-la, até. Mas todo mundo vai em frente na matéria.
    Longa vida, em todo caso, ao novo colisor de hádrons. Fico desconfiado, é verdade, com o tamanho da geringonça: 27 km! Uma coisa dessas sempre me parece meio primitiva, como os computadores a válvula, que ocupavam salas enormes. Como os primeiros marca-passos de coração, que tinham o tamanho de um armário. Ou como os dinossauros. E como eu mesmo, que já estou bem crescidinho para fazer perguntas aos professores que não tenho mais.

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