Embromation bingo

Vocês estão muito antentos hoje. Minha liderança proativa deve estar funcionando.

Vocês estão muito atentos hoje. Minha liderança proativa deve estar funcionando.

Ontem vi pela primeira vez uma peça publicitária da IBM chamada “Pare de falar. Comece a fazer” – não entendi ainda qual o público alvo mas rolei de rir. Não é recente, parece que foi lançada nos EUA em 2007 – a versão que passa na TV brasileira é mesma, dublada em português.

V. no Youtube em inglês e dublado na Videoteca2 PdUBT.

O conceito é simples e integrado ao mundo moderno: grupo de funcionários de saco-cheio das mesmas reuniões de negócios e palestras motivacionais de sempre jogam o tal Embromation Bingo, niqui o objetivo é preencher uma linha [horizontal, vertical ou diagonal] com palavras ou expressões presentes nesse tipo de encontro como os jargões, lugares comuns, frases de efeito…

Gerador de cartelas de Embromation Bingo, ferramenta direcionada ad hoc ao cliente brasileiro.

A demanda pelo Buzzword Bingo surgiu numa tirinha do Dilbert em 1994 [v. imagem no topo do post - não encontrei a interface traduzida mas estou agilizando isso] e é um excelente agregador de valores, motivando o trabalho de equipe de forma integrada ao mesmo tempo que foca na competitividade, proporcionando um feedback positivo.

Argh! Socorro! Isso pega!

Da próxima vez que teu chefe convocar uma reunião ou te obrigar a assistir a outra palestra motivacional vá preparado [obrigar, sim, porque recusar-se é atestar falta de interesse e de proatividade, na visão desses caras - e nem adianta explicar que você já ouviu as mesmas balelas 17 vezes e que nenhuma delas traz resultado prático].

Faça você mesmo a sua palestra motivacional com o Gerador de Lero-Lero.

Suzana Elvas - breviariodashoras.blogspot.com

Suzana Elvas - breviariodashoras.blogspot.com

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8 comentários sobre “Embromation bingo

  1. Heheheh!
    Pois é… pior que o quadrinho, só uma reunião de 1 hora pra explicar o “Pare de falar e comece a agir”. xDDD
    Imagine-se com uma pilha de trabalho importante e você tendo que parar o serviço por 1 hora inteirinha pra ouvir o moço falar de “Pare de falar” (será que ele entendeu o que ele mesmo disse?), vou repetir: “PARE DE FALAR e comece a agir”. Enfim, penso que cada um sabe o que faz. ;-)

  2. Naomi, no Globo era pior. Eles inventavam umas palestras (normalmente nos piores dias, com especiais fechando) e, como ninguém ia, a chefia de redação mandava os repórteres largarem tudo e ir pro auditório fazer número. Você cheio de matéria pra bater, um monte de gente pra telefonar, e era obrigado a largar tudo pra encher o auditório.

    Olha lá se e-mail, flor.
    Bjs

  3. Ninguém faz reuniões mais inuteis do que o Michael Scott do The Office.

    Eu tive um chefe muito parecido com ele , adorava discutir a relação da empresa. Tudo era motivo para reunião. Nunca rolou bingo (ótima idéia por sinal), mas já fiz palavra cruzada. :)

  4. cristiane, o bom e velho “faça o que eu falo mas não faça o que eu faço”? :) quer dizer que vc faz parte do público alvo?

    su, valeu!! atualizado lá. quanto às palestras, tirar o funcionário do trabalho na deadline pra fazer número é o cúmulo da contraprodução!

    kaká, na minha agenda é fácil achar dia de reunião: é a página cheia de desenhinhos. :lol: cara, toda semana eu esqueço de assistir the office… vejo a chamada durante dexter e penso “desta vez eu assisto”, e chega o fim de semana e passa batido, toda vez.

    andréia, se eu te contar que usei 2 parágrafos de lero-lero numa análise crítica e ninguém percebeu, vc acredita?

  5. Na verdade fazia, rs.
    Só achei que aquilo tudo parecia mais uma “desculpa” para reunir a “turminha do café”. Algumas pessoas que compareceram a essas reuniões saíram com a mesma impressão e foi possível ouvir comentários debochados sobre o tema pelos corredores, eheheh.

  6. artigo de contardo calligaris para a folha de sp.

    Aritmética da crise

    Um responsável pela crise: o pensamento positivo, triunfante na cultura americana

    EM 1994 , nos EUA, os juros dos empréstimos bancários eram baixos. Em Nova York, os Jones, um casal de professores, decidiram comprar um apartamento que valia US$ 300 mil. Graças a uma herança, eles dispunham de um aporte inicial de US$ 100 mil e conseguiram um empréstimo hipotecário de US$ 200 mil a juros fixos; a mensalidade, que pagariam por 30 anos, era compatível com seus salários.
    Em 1996, o apartamento dos Jones, comprado por US$ 300 mil, já estava valendo US$ 450 mil, e os bancos competiam para refinanciá-lo. Os Jones contrataram novo empréstimo hipotecário de US$ 350 mil; com isso, pagaram o saldo da hipoteca anterior (quase US$ 200 mil) e ficaram com US$ 150 mil líquidos, para eles.
    A bolsa não parava de subir, e os Jones investiram seus 150 mil (sobre os quais pagavam juros de 6%) em fundos de ações (com retorno médio de 16% ao ano). Nada mal.
    Dois anos mais tarde, o apartamento valia US$ 600 mil. Os Jones pediram a seu banco uma linha de crédito garantida por uma segunda hipoteca sobre o imóvel: mais US$ 150 mil, que eles investiram nos mesmos fundos de ações.
    Nessa altura, além do apartamento (que valia 600 mil, mas com duas hipotecas, de 350 e 150 mil), os Jones possuíam um capital investido de US$ 300 mil. Sucesso, hein?
    Preocupados em não perder o trem da alegria, convencidos de que não há bem-estar sem crescimento contínuo e entusiastas da internet, os Jones venderam seus fundos e passaram a negociar ações diretamente numa corretora on-line, com bons resultados: naqueles anos, era difícil errar. Preferiam as ações de empresas das novas tecnologias, que prometiam lucros rápidos. Seus investimentos serviam como garantia para eles alavancarem dinheiro para mais investimentos, o que multiplicava o retorno (e também os riscos, mas os Jones se sentiam confiantes: só conheciam céus azuis -longo período de juros baixos, aumento vertiginoso do preço dos imóveis e subida contínua das bolsas).
    Em março de 2000, no desastre das ações de tecnologia, alavancados além da conta, os Jones tiveram que vender na pior baixa. Perderam metade de seu capital. Mas, nesta altura, seu imóvel valia US$ 800 mil; eles ampliaram a linha de crédito e voltaram para a bolsa com toda força.
    No 11 de Setembro de 2001, novo desastre. Os Jones ficaram com quase nada. Sobrava-lhes seu imóvel. Problema: entre 2000 e 2001, pela queda nas bolsas, US$ 4 trilhões sumiram das contas dos americanos; o preço dos imóveis estava fadado a baixar. No fim de 2007, o apartamento dos Jones, hipotecado por US$ 500 mil, valia US$ 450 mil. Entregar a casa para o banco credor se tornava um bom negócio. Essa é a história de uma hipoteca de primeira linha. A das hipotecas de segunda linha (“subprime”) é mais simples.
    Nos anos 90, os Smiths não tinham renda para pagar as mensalidades de um empréstimo. Para que os menos solventes aproveitassem a “festa” imobiliária, os bancos inventaram um tipo de empréstimo com juros bem altos, mas que seriam cobrados só a partir do terceiro ano. Ou seja, antes de dois anos, os Smiths venderiam seu imóvel (cujo valor teria aumentado de, digamos, 30%), reembolsariam o empréstimo do banco e ficariam com o tal 30%, um pequeno patrimônio. Tudo certo -à condição que o preço dos imóveis não parasse de subir.
    Durante esse tempo, os bancos, assim como seus clientes, também apostaram no eterno “boom” dos imóveis e transformaram os débitos hipotecários dos Jones e dos Smiths em títulos negociáveis, lastro para alavancar mais dinheiro etc.
    O que foi? Cobiça dos Jones e dos Smiths? Ganância de executivos preocupados só com seu bônus de Natal? Uma grande jornalista americana, Barbara Ehrenreich, no “New York Times” de 23 de setembro, aponta para um responsável menos óbvio: o pensamento positivo, triunfante na cultura americana das últimas décadas.
    Para Ehrenreich, o problema é que, há anos, “tropas de pastores de superigrejas e um fluxo infinito de best-sellers de auto-ajuda” juram que, para conseguir o que a gente quer, é suficiente “acreditar firme”: deseje ardentemente o objeto de sua ambição, e eis que o mundo e Deus responderão a seu pedido.
    As estantes das livrarias de aeroporto mandam cada viajante (sobretudo se for um executivo) ser loucamente otimista e confiante. Em seus sites, os conferencistas motivacionais ainda listam orgulhosamente, entre seus clientes importantes, Lehman Brothers e Merril Lynch…

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