Na primeira vez que vi essa propaganda do desodorante Axe eu pensei que fosse anúncio de manteiga. Te juro. Tudo por causa da primeira cena, a da mulher chacoalhando os peitos correndo pela floresta, o que é uma coisa horrível da minha parte pra se dizer, é claro. Quem é que compraria manteiga associada a essa propaganda? Bleargh! Mas a associação de idéias foi instintiva, talvez provocada pela objetificação [isto non ecziste] feminina.
V. vídeo integral no Youtube.
A trilha sonora é Dies Irae, por Karl Jenkins. É uma escolha curiosa caus que Dias de Ira é parte do Requiem, a missa dos mortos, e a letra do século 17 fala do Julgamento Final e das trombetas diante do trono, coisas assim leves – mas não dá pra negar que essa versão ficou muito legal, apoteótica. Já baixei e deixei na Ouvateca 2, álbum Out/08.
V. análise do comercial no blog Colectivo Feminista.
A peça foi criada pela agência britânica BBH em 2006 para o desodorante Lynx, nome comercial do Axe por lá [fica esquisito um desodorante chamar-se Machado, né?] e o título é Billions.
Não muito a ver com o tema mas não queria desperdiçar um post inteiro a falar de mulher-objeto, então vou enfiar aqui no meio mesmo: artigo no Estadão sobre cirurgias plásticas, aparências, vaidade exacerbada, esses trens.
Dies Irae
V. tradução na Wikipedia.
1
Dies iræ! dies illa
Solvet sæclum in favilla
Teste David cum Sibylla!
2
Quantus tremor est futurus,
quando judex est venturus,
cuncta stricte discussurus!
3
Tuba mirum spargens sonum
per sepulchra regionum,
coget omnes ante thronum.
4
Mors stupebit et natura,
cum resurget creatura,
judicanti responsura.
5
Liber scriptus proferetur,
in quo totum continetur,
unde mundus judicetur.
6
Judex ergo cum sedebit,
quidquid latet apparebit:
nil inultum remanebit.
7
Quid sum miser tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus,
cum vix justus sit securus?
8
Rex tremendæ majestatis,
qui salvandos salvas gratis,
salva me, fons pietatis.
9
Recordare, Jesu pie,
quod sum causa tuæ viæ:
ne me perdas illa die.
10
Quærens me, sedisti lassus:
redemisti Crucem passus:
tantus labor non sit cassus.
11
Juste judex ultionis,
donum fac remissionis
ante diem rationis.
12
Ingemisco, tamquam reus:
culpa rubet vultus meus:
supplicanti parce, Deus.
13
Qui Mariam absolvisti,
et latronem exaudisti,
mihi quoque spem dedisti.
14
Preces meæ non sunt dignæ:
sed tu bonus fac benigne,
ne perenni cremer igne.
15
Inter oves locum præsta,
et ab hædis me sequestra,
statuens in parte dextra.
16
Confutatis maledictis,
flammis acribus addictis:
voca me cum benedictis.
17
Oro supplex et acclinis,
cor contritum quasi cinis:
gere curam mei finis.
18
Lacrimosa dies illa,
qua resurget ex favilla
judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus:
19
Pie Jesu Domine,
dona eis requiem. Amen.
Cara, latim é *muito* legal!!


Marco Y disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 08:42
Tia Potato,
IMHO, associar qualquer produto a seios é meio caminho andado para ser sucesso de vendas com o público masculino…hehehe
Adrina disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 10:08
Caramba! Não sabia da origem da música. Legal demais; latim é MUITO legal, mesmo.
Achei a proposta do comercial bem interessante: você passa um desodorante e a mulherada vai te atacar com cara de soldado do exército do General Leônidas em “300″… simples assim!
Kenia disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 10:37
Realmente esse comercial assusta. Tenho medo de mulheres correndo de sutiã em fúria atrás de macho, aliás, tenho medo de mulher nessa situação com qualquer roupa ou falta dela.
Mas sobre o desodorante, um conhecido meu, praticante do candomblé, diz que só usa esse produto por causa do nome. Axé pra você também.
Beijo.
giovanni disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 13:35
Engraçado, essa propaganda parece-me uma cópia mal feita do último capítulo de O Perfume…
naomi disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 14:49
marco, de fato, adequado ao público alvo…
adrina, vc lembra da campanha anterior com o ben affleck?
kenia, essa do efeito axé foi ótima!! mas o que achei legal na análise do colectivo feminino é que não degrada as mulheres, os homens também.
giovanni do céu, e não é que parece mesmo? bem lembrado! a diferença é que n’o perfume ele atrai tdas as pessoas, né?
Adrina disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 15:01
Lu, “agora neste momento” não me lembro da anterior… como era?
Patricia Daltro disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 15:11
Alguém antes falou que tinha medo dessa propaganda, e eu concordo. Um bando de mulheres desgrenhadas, com caras de psicóticas, correndo na minha direção! Uia, sinistro. rs
naomi disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 16:06
adrina, o ben affleck anda pela cidade contando quantas mulheres dão bola pra ele. num elevador, encontra o ascensorista e mostra o contador pro cara, com umas centenas. o ascensorista, que usa axe, mostra o dele com algumas dezenas de milhares. bem aflitivo.
patrícia, me admira que o cara não saia correndo e berrando pela mãe quinem o jerry lewis em ‘o terror das mulheres’!
Sweet disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 17:13
Lu, acho horroríveis esses comerciais da Axe. Politicamente, incorreto, diria. Mas sei lá, vai ver q vende. Esse da mulherada é o pior. E assustador mesmo!
Cássia disse,
Quarta-feira, Outubro 1, 2008 às 21:09
Não gostei da associação com a música.
Talvez, com outra trilha sonora…
Adrina disse,
Quinta-feira, Outubro 2, 2008 às 09:09
Ah… lembrei! Era muito estranho aquele, também. Como se TO-DAS as mulheres do mundo dessem bola pra eles, sem distinção de casadas, solteiras, compromissadas, etc.
Adorei o comentário da Patrícia: “Um bando de mulheres desgrenhadas, com caras de psicóticas, correndo na minha direção!”
Estranho demais, mesmo, mas mulher de biquini vende até cimento, porque não venderia desodorante?
suzana disse,
Quinta-feira, Outubro 2, 2008 às 10:56
Puxa, me lembrei que, em priscas eras, eu sabia de cor toda a letra de “Carmina Burana”…
*suspiro*
Adrina disse,
Quinta-feira, Outubro 2, 2008 às 11:34
A letra de Carmina Burana? Putz… mal consigo gravar o Hino Nacional.
naomi disse,
Sexta-Feira, Outubro 3, 2008 às 11:00
sweet, esses comerciais da axe fazem mal pra imagem masculina… toda vez eu lembro de uma propaganda do perfume ‘boss’ com o jonathan rhys-meyers *cataploft* niqui ele diz “é só um perfume. o resto é com você/por sua conta”. muito melhor!!
cássia, acho que foram só pela sonoridade, hehehehe… mas que fica esquisito, fica!
adrina, e eram só modelos, nenhuma mulher real! eu rachava de rir toda vez que via… já achava o ben affleck com cara de pastel antes, depois dessa veio a confirmação
su, a letra toda??
Nojinho « Pensamentos de Uma Batata Transgênica disse,
Sexta-Feira, Outubro 24, 2008 às 14:23
[...] agência criativa é a BBH, a mesma do comercial da mulher-onça. O nome da peça é Shower e foi veiculada originalmente em [...]