CSI: Crime no gelo

Com método e lógica, pode-se realizar qualquer coisa.
Hercule Poirot

Capa do livro

Capa do livro

Veja o filme, leia o livro, ouça o disco [complete o álbum de figurinhas, e assim em diante] – embora no caso do ‘veja o filme’ aqui o correto seja ‘acompanhe a série’. Comecei a acompanhar CSI pela Record, logo que estreou, e viciei na hora: tem ciência, tem investigação, tem um personagem cheio de manias, tem um geek… e *não* tem tiroteio nem perseguição nem DR, oba! Oito anos depois e continuo acompanhando [quase] todas as reprises, mas apenas no início do mês comprei um livro da série, justamente o último publicado no Brasil [*até onde eu saiba* foram apenas três: Jogo Duplo/Double Dealer, lançado originalmente em 2001, A Cidade do Pecado/Sin City, de 2002, e Morte no Gelo/Cold Burn de 2003, todos de Max Allan Collins - só da série-mãe ainda tem mais oito títulos a serem traduzidos aqui].

Dados! Dados! Dados!
Não posso fazer tijolos sem massa.
Sherlock Holmes

A trama é inédita, isto é, não é a adaptação para o papel de algum episódio já exibido, mas o autor mantém a apresentação como se fosse um episódio de tv e mantém também o clima de suspense: eu fiquei tensa, ri, gritei com os personagens igual o que acontece quando assisto pela tv, com a vantagem de voltar alguns parágrafos pra checar as pistas que passaram batido.

No seu primeiro caso juntos, Grissom tinha dito: – É um erro capital teorizar antes de haver dados. Sem perceber, começamos a torcer os fatos para que se ajustem às teorias, em vez de as teorias se ajustarem aos fatos.
– Isso parece uma citação – ela dissera.
– E é – disse Grissom, sem citar o autor [*], apenas olhando para ela com um pequeno meio-sorriso e uma piscadela que ela agora conhecia tão bem. [pág. 15-16]

* Poirot disse algo parecido a Hastings em O Misterioso Caso de Styles, a Alistair Blunt em Uma Dose Mortal e no mínimo mais uma vez depois, em algum outro livro que me foge à memória.

Gil Grissom

Gil Grissom

Em Morte no Gelo são dois casos a serem investigados: Grissom e Sara  viajam para o norte de NY para participar de um congresso de CSIs. O hotel em que esta convenção acontecerá fica isolado por uma nevasca  e eles têm que investigar um assassinato, com a ajuda de outro investigador especialista em cenas de crime naquelas condições – e de quebra me deu uma informação que eu tinha muita curiosidade de saber, a respeito do uso de câmeras digitais na investigação [alguns Estados norte-americanos não aceitam fotos digitais na investigação por causa da facilidade de adulterá-las].

Sara mergulhou num livro de mistério de Agatha Christie – a CSI lia apenas mistérios escapistas e reconfortantes, pois qualquer coisa “realista” deixava-a confusa e irritada com as constantes imprecisões. [pág. 34]

Hm, um crime cometido num hotel isolado por uma tempestade de neve… Mais alguém pensou em Três Ratos Cegos/A Ratoeira? *Eu! eu aqui, ó!* O autor não apenas homenageia Agatha Christie nesse caso, mas também Arthur Conan Doyle, dois dos maiores autores de histórias de detetives e os criadores de Hercule Poirot e Sherlock Holmes. O trecho abaixo é totalmente Um Estudo em Vermelho:

- Claro que estão. Vocês são o pessoal de Las Vegas.
Grissom sorriu. – Somos assim tão fáceis de identificar?
Cormier concordou. – Seu casaco não é pesado o suficiente – ele disse, olhando para o blusão CSI de Grissom. – E os dois têm um bronzeado saudável. Não temos ninguém vindo da Flórida ou da Califórnia para este negócio, e eu sabia que dois de vocês viriam de Vegas… [...] Mas você, senhorita – disse Cormier, desviando o olhar para Sara – já esteve nesta parte do país. [...] Bom casaco, botas boas, luvas pesadas – de onde veio antes de se instalar em Vegas?
– São Francisco.
– Não, não é isso – Seus olhos se estreitaram. – Onde a senhorita fez a faculdade?
Ela sorriu. – Boston. [pág. 35-36]

O segundo caso é resolvido pela equipe que permaneceu em Las Vegas, liderados por Catherine Willows na ausência de Grissom. Eu gostei muito do livro, os casos são interessantes e os personagens são desenhados com mais calma, com um pouco mais de profundidade, a tecnologia e o senso comum são usados com o mesmo peso e até a análise de comportamento é usada na investigação, algo mais abordado em Criminal Minds. Agora, obviamente, fiquei com vontade de ler os dois pimeiros títulos. :)

- E nós teremos melhores condições para descobrir provas. A única excessão seria se estivéssemos falando de um criminoso disposto a atacar novamente… um serial killer ou um assassino múltiplo com uma lista de nomes. Crimes por vingança contra membros de um júri, por exemplo.
Parecia que Grissom andara lendo Agatha Christie. [pág. 87]

Todas citações deste post foram extraídas de:

CSI: Investigação da cena do crime – Morte no gelo [Cold Burn, EUA/2003]
Autor: Max Allan Collins
Editora: Prestígio [Ediouro]
Trad.: Chico Lopes
Ano: 2007
Edição: 1
Pág.: 280

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10 comentários sobre “CSI: Crime no gelo

  1. Pingback: Primeira Colaboradora Oficial do ‘Cinema é Magia’ « Cinema é Magia

  2. Não li nenhum ainda, mas deu vontade agora. O problema que tem uns 6 na fila (incluindo o que eu ganhei de você)… e final de ano sempre aperta porque eu oriento monografia… mas *espero* que após a virada do ano eu consiga colocar a leitura em dia.

  3. Eu amo a série e tenho alguma publicações sobre a série no meu Blog: veragrb.blospot.com eu já li os três livros e acompanho as três séries CSI: Las Vegas, New York e Miami.
    eu simplesmente acho a série D+!!!!

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