No decorrer das últimas duas décadas [véia é a sua avó] assisti a Poltergeist [EUA/1982] pelo menos umas doze vezes. Sempre dublado, sempre à noite – na maioria das vezes de madrugada – e sempre já começado. E sempre me assustava tanto que não conseguia dormir depois, tinha que deixar a luz acesa e a cabeça debaixo do futon.
Titia Batata é cagona, sim.
Daí ontem resolvi assistir ao DVD do filme – não a edição comemorativa de 25 anos lançada em 2007, a comunzinha mesmo. Foi a primeira vez que vi os cinco minutos iniciais, que são o que dão o tom que a trama vai desenvolver nas quase duas horas seguintes.
Essa edição não traz a opção de áudio dublado, então prestei tanta atenção nas entonações originais que não senti nem um pouco de medo desta vez. Eu tinha planejado assistir durante o dia mas, com uma coisa e outra, quando vi já era quase 23h. Me preparei psicologicamente com a luz forte e o edredon [nesse calor!] e no fim nem precisou, heh.
Na versão dublada que rola na minha cabeça, o pai [Craig T. Nelson] insiste em chamar a filha caçula de “Caroline” [ker-ou-láine]. Todos os outros a chamam de Carol Anne [ker-ou- ên]. Na versão original isso não acontece. Na versão dublada as vozes de Carol Anne e da médium Tangina [Zelda Rubinstein] são muito parecidas com as originais.
São delas, aliás, as duas citações mais associadas ao filme e que se tornaram cult, e que devem ser ditas em falsete. A de Tangina, principalmente, é parafraseada em tantas ocasiões que às vezes até me passa desapercebida; as duas mais recentes que me lembro foram no filme E Se Fosse Verdade [com o Mark Ruffalo e a Reese Whiterspoon] e num episódio de House.
Carol Anne: They are here.
V. trecho no Youtube.
Tangina: Go into the light!
V. trecho no Youtube.
Outro detalhe que pude perceber melhor agora que não preciso fechar os olhos de pavor a toda hora é que as interpretações dos dois atores que fazem a irmã e o irmão de Carol Anne são de doer. Tipo vergonha alheia mesmo. Fiquei meio encafifada de comentar isso porque tem gente que acha que não se fala mal dos mortos, mas Dominique Dunne, a atriz que fez Dana Freeling, era muito fraquinha. Oliver Robins, o Robbie, atuou em apenas outra meia dúzia de vezes e partiu pra carreira de roteirista [nada muito memorável também]. A única cena em que passa alguma credibilidade foi quando quase foi morto pelo palhaço de brinquedo – e isso porque o ator quase morreu de verdade.
While filming the scene in Poltergeist where the clown doll comes alive and tries to pull him under his bed, Oliver went through a near-death experience. When the puppet arms wrapped themselves around his neck, he was unable to breathe and began choking. Steven Spielberg thought he was acting (he even yelled “Keep going! You’re doing great!”). It was not until Spielberg saw his face turn blue that he realized the young actor was in trouble. Spielberg ran over and pulled the puppet off, saving Oliver’s life. [iMDB]
A morte por assassinato de Dominique Dunne [irmã de Griffin Dune, sobrinha de Joan Didion] logo após terminar de gravar este filme deu origem à lenda da Maldição de Poltergeist, alimentada depois com a morte de Julian Beck, o ator que interpretou o Reverendo Henry Kane em Poltergeist II, e da própria Heather O’Rourke durante a pós-produção de Poltergeist III, aos 12 anos de idade. Dominique e Heather foram enterradas no mesmo cemitério.
Mas não me entenda mal: apesar destas duas atuações pobres, apesar dos [d]efeitos especiais simplórios, que usou até esqueletos de verdade porque eram mais baratos que os falsos [um dos motivos mencionados para a existência da tal Maldição], este primeiro Poltergeist ainda é um dos meus TFF, um dos melhores filmes de terror éva – e um filme de terror em que ninguém morre, veja que legal.
Apenas tenho uma sugestão a fazer, se me permite: caso tenha a intenção de comprar o DVD, opte pela edição comemorativa de 25 anos. Os extras não são grande coisa [menos de meia hora a respeito do efeito poltergeist, a assombração], mas pelo menos essa edição tem a opção do áudio em português [a dublagem brasileira era muito boa], melhor qualidade de imagem e a tela widescreen. A edição comunzinha é fullscreen [a imagem é cortada nas laterais] e a sinopse da capa é terrivelmente redigida.
Eu assisti às duas sequências [só uma vez de cada] e provavelmente assistirei ao remake nem que seja só pra xingar a mãe de quem teve a ideia depois.
Serviço
Recap do filme no Filmsite
Entrevista de Zelda Rubinstein para o Ain’t It Cool News
Poltergeist Curse, no site The Beyound
A Psicologia do Poltergeist, artigo no site da PUC/SP





Lola disse,
Sábado, Janeiro 10, 2009 às 22:11
Eu gosto muito desse filme, e tb já o vi várias vezes. Mas sabe uma coisa que eu não gosto? É que todo mundo fala como se o filme fosse do Spielberg. E o diretor é o Tobe Hooper. Spielberg era apenas o produtor. Portanto, não sei se acredito muito nessas histórias d’ele dirigindo o menininho, gritando “You’re doing great!”, e tal. Seria até indelicado fazer isso na frente de um outro diretor, não seria? Abração!
Marcus disse,
Domingo, Janeiro 11, 2009 às 14:53
Clássico mesmo, o Poltergeist. Não sabia dessa do Spielberg salvando o menino durante as filmagens. Também vi várias vezes. Excelente resenha, Naomi!
Adrina disse,
Segunda-feira, Janeiro 12, 2009 às 09:27
Eu vi este filme quando era criança, mas tenho medo dele até hoje.