[LieToMe] Pilot

Olhe para a lente da verdade...

Olhe para a lente da verdade...

Numa simplificação grosseira da história da filosofia, existem duas matrizes de sistemas éticos. A primeira, que podemos chamar de deontológica, têm como expoentes Platão e Immanuel Kant. Para esses autores, são os princípios que importam. Uma regra como “não matarás” ou “não mentirás” valem incondicionalmente, seja porque estão amparadas pela ideia de Justiça, por Deus, pelo imperativo categórico ou por alguma outra entidade metafísica. [Hélio Schwartsman, 20/08/09]

Por uma dessas coincidências do destino [ou "alguma outra entidade metafísica", como diz o amiguinho aí em cima] duas pessoas me indicaram a série Lie To Me, no mesmo dia. Fui atrás de mais informações e me interessei assim que vi um nome associado à série: Tim Roth. Sou fã desse ator inglês, dos papéis de vilão que adoro detestar como o carinha lá do Hulk ou o do Planeta dos Macacos.

O cara é muito bom, mas só aparece em papéis coadjuvantes e em filmes quase sempre obscuros [com algumas exceções, cRaro]. Ele chegou a ser convidado para interpretar o Lord Voldemort da série Harry Potter, imagine. Preferiu o remake do Planet Of the Apes do Tim Burton, o que me leva a pensar que não é um artista que preocupa com fama.

Interesse despertado, fui assistir ao episódio piloto.

Bum!, me conquistou.

A partir deste ponto há spoilers.

O personagem de Tim Roth é um especialista em análise comportamental chamado Cal Lightman. Ele trabalhava numa agência do governo norte-americano e agora dirige a própria empresa, que presta serviços para o governo e para a sociedade que possa pagar também.

Seu trabalho é descobrir se uma pessoa está a mentir e por quê está a mentir através da análise da expressão corporal e de microexpressões faciais. Por causa desse plot [e de alguns releases que o chamam de detetor de mentiras humano], muita gente compara Lie To Me a The Mentalist. Pessoalmente, eu acho mais parecido com CSI e House: é procedural [acompanha os procedimentos da investigação] e seu personagem principal é misantropo.

Sênquis, Houaiss!

Aliás, quando ouvi o nome do personagem dele pela primeira vez pensei no Diógenes da Lanterna. Por causa do Lightman e porque ambos procuram o Homem Virtuoso e a Virtude é a Verdade e… Tá, parei.

I'm Hulk!

I'm Hulk!

No episódio piloto a equipe do Dr. Lightman analisa dois casos. Um é o de um adolescente educado em casa pelos pais Testemunhas de Jeová superprotetores, que entra para o colégio e é acusado de assassinar sua professora. O outro é o de um político, membro do Conselho de Ética, que frequenta uma casa de tolerância toda sexta-feira, que dspendeu dezenas de milhares de dólares com uma garota de programa.

Ambos mentem, mas a grande sacada do episódio [e espero que continue no decorrer da série] é não manipular o espectador de maneira que ele faça julgamentos morais do que é certo e o que é errado, nem sobre a mentira nem sobre a verdade.

A verdade pode ser terrível, mizifio.

Também gostei bastantão do uso de recursos visuais para demonstrar um ponto, ou seja, o uso de imagens de personalidades ostentando uma determinada expressão que denuncia qual emoção ou sentimento naquele instante. Bill Clinton ao declarar que nunca teve um envolvimento impróprio com Monica Lewinski foi clássico!

É verdade. Todo mundo mente todo dia.

A gente poderia pensar que a série falaria só sobre a mentira “clássica”,  o perjúrio, o ato deliberado de enganar, fraudar, induzir a erro [sênquis de novo, Houaiss] mas, no final do episódio, o Dr. Lightman comete outro tipo de mentira, a provocada pelo Contrato Social ou contratualismo.

O marido de sua colega de trabalho Dra. Gillian – aparentemente a única que aprendeu a lidar com Lightman – mente ao justificar um atraso. Lightman e a nova especialista-em-treinamento Torres reconhecem que ele está mentindo. Torres questiona Lightman quando ele não desmascara o marido. Sem palavras, ele dá a entender que existe um acordo tácito entre ambos.

É um trabalho de expressão facial impressionante do ator Tim Roth, coisa para poucos. O “problema” de ter um cara tão bom numa obra é que os  outros podem acabar na sombra dele. Por enquanto a personagem da Dra. Gillian parece estar ali perto, vam’ver nos episódios seguintes se os demais serão mais trabalhados – e eu quero ver a Jennifer Beals [Flashdance] como ex do Dr. Lightman também.

Blog oficial da série no Brasil mentira.blog.br/

Resenha do box da série Engane-me Se Puder [Lie To Me] no blog do Rubens Ewald Filho

Campanha criada pela agência Fischer América + Fala! para a Kaiser: Sinceridade

Link http://www.youtube.com/watch?v=biKItoqAxvA

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18 comentários sobre “[LieToMe] Pilot

  1. Tirou a parola da minha boca! O que motivou tbém a me interessar por esta série foi justamente pelo Tim Roth (os bãos são britânicos). Passei a ficar de olho nele depois que o ví no “A Lenda do Pianista do Mar” de Giuseppe Tornatore e alguns outros filmes independentes, daqueles em que os atores atuam não por grana, saca? Até cheguei a pensar, ‘putz, será que até ele se rendeu à grana?’, mas neste caso, é a produção que rendeu-se ao ator, acho.

    Bom, nesta série, começo a prestar atenção tbém nos atores desmascarados por Lightman. O ator tem que trabalhar, e bem, para criar essas microexpressões sem exageros. A expressão tem que ser natural ou sintomática, pra convencer o Lightman de que está mentindo. Nada fácil para os atores partecipantes.

  2. Eu vi os primeiros episódios dessa série e até achei interessante, mas ficou repetitivo e só voltei a ver os dois últimos (se bem que são poucos episódios). Acho o Tim Roth ótimo ator, fui ver a série por causa dele, mas esse personagem dele não me fez sentir. :) Zero carisma. Confesso que não fiquei muito curiosa para a segunda temporada. (essa série é melhor que The Mentalist, mas o Patrick Jane ainda me faz ver alguns episódios na tv)

  3. Tim Roth atua em dois filmes que eu AAAAAAAAAAAAAMO:

    Rosencrantz & Guildenstern Are Dead (Ele faz o Guildenstern e quem faz o Rosencrantz? Sim, ele: Gary Oldman! Póf, morri)

    Four Rooms (um dos filmes mais hilários, idiotas – no bom sentido – e geniais que eu já vi na vida. E Tim Roth não diz mais do que meia dúzia de palavras (se é que diz).

    Gostei da série, vou assistir.
    Bjs

  4. Lu, eu tinha baixado e salvado em DVD para assistir sabe Deus quando desse, mas vc me deixou morta de curiosidade e lá fui eu assistir o Piloto. Amei. Aaahh…justo agora que estou atolada de séries e ainda inventei de me candidatar a escrever review de Dollhouse e Smallville para o guia de seriados….e tenho concurso público para estudar.
    Senhor! Dai-me tempo! heheheh

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