[LieToMe] Unchained | Do No Harm

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Eu acho que eu vi um gatinho!

Mentira e dubiedade são componentes comuns aos discursos racistas, que transformam o ódio em normas que todos devem observar. É nesta camuflagem que vejo instalada a “hipocrisia”, atitude característica dos racistas em geral; sendo que a hipocrisia sempre se apresentou como uma ótima aliada da mentira.[Carlos Haag, Revista FAPESP, abr/08]

Dois episódios, um post.

Nos dois casos do quinto episódio de Lie To Me o tema é o mesmo: o preconceito ou a discriminação.

Lightman e Torres estudam um antigo chefe de gangue encarcerado para determinar se ele demonstra arrependimento e desejo de redenção reais. O governador planeja libertá-lo em condicional para incentivar um programa de reabilitação de presos que diminua a volência nas ruas, mas Torres emula House e diz que ninguém muda.

A partir deste ponto há spoilers.

Pessoalmente, eu antipatizo com personagens iguais a ela, que acham que sabem das coisas, fazem cara de valentonas, ares superiores e que no fim contam com muito mais erros de avaliação e julgamento pobre do que sucessos. Por isso adoro quando Lightman dá umas cortadas nela e demonstra [com uma boa dose de empáfia] que ela ainda tem muito o que aprender, não apenas profissionalmente mas da vida mesmo.

Ela deixa que experiências pessoais interfiram na análise e assim descobrimos que foi uma criança vítima de lar violento. De tanto apanhar, aprendeu a ler as expressões pra se defender. Este foi o caso científico da noite.

O caso da outra dupla, Gillian e Loker, envolveu mais psicologia. Um bombeiro morreu num atendimento e eles têm que descobrir se houve jogo sujo dos colegas. Mesmo sem se fixar muito nas expressões, foi meio previsível [portanto desinteressante].

E, em ambos casos, o roteiro já não foi assim tão isento na hora de não incentivar um julgamento moral. Preconceito já é um assunto que vai gerar uma reação contrária a quem o pratica, não precisa de mais um empurrãozinho…

De interessante nesse ep apenas a insinuação de que o interesse acadêmico do Dr. Lightman pode ser mais do que apenas, cê sabe, interesse acadêmico.

felicidade

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O caso principal do primeiro dos dois casos do sexto episódio estaria em casa se fosse apresentado em Criminal Minds – aliás, será que já não foi? Uma menina adotada desaparece de casa e reaparece dizendo ter outro nome. De novo, mais psicologia em outra investigação da Dra. Gillian Foster.

O segundo caso foi investigado por Torres e Loker: uma editora quer confirmar se a história contada no livro de memórias de uma escritora ugandense é real. Uganda é um pais africano na região dos grandes lagos, vizinho de Ruanda, Congo, Quênia e Tanzânia, e enfrenta conflitos e violações dos direitos humanos.

O livro de memórias fictício parece se basear no doumentário real Invisible Children: crianças são sequestradas pela guerrilha para serem estupradas e virar “esposas” dos guerrilheiros ou treinadas como futuros guerrilheiros, para torturar e matar. O livro fictício teria sido escrito por uma sobrevivente e seria recomendado no Clube do Livro da Oprah.

Quem aí lembrou do tiozinho lá que escreveu no livro de memórias sobre uma garota que ele conheceu do outro lado da cerca de um campo de concentração nazista que lhe atirava maçãs por cima do muro, a quem ele reencontrou anos mais tarde e com quem se casou, foi indicado no Clube do Livro da Oprah e foi desmascarado como uma linda e tocante farsa levanta a mão.
_o/

Herman Rosenblat é o nome do tiozinho autor de Angel at the Fence: The True Story of a Love That Survived, mas não é o único a florear sua autobiografia com contos de fadas, segundo o verbete Fake Memoirs no Wikipedia.

Oh, o episódio… Eu gostei da versão do Ryan Adams para Wonderall :)

E também do pedaço de informação sobre a tentativa frustrada de adoção de um bebê, que pode explicar o afastamento entre Gillian e o marido mas, sério, esse negócio de retratar sempre a mulher como a maternal, a tal da ética feminina do cuidar, é meio óbvia demas. Os dois roteiros começam a escorregar no clichê.

Por coincidência e sem explicação, a psicóloga não demonstrou mais sinais de fixação oral a partir desses episódios.

Trailer do filme O Sol É Para Todos [To Kill A Mockingbird, EUA/1962]

Link http://www.youtube.com/watch?v=p6UcFv5TqOc

Trailer do filme Testemunha de Acusação [Witness For The Prosecution, EUA/1957]

Link http://www.youtube.com/watch?v=deW1WD_iFpk

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2 comentários sobre “[LieToMe] Unchained | Do No Harm

  1. Confesso que a Torres me irrita com sua atitude e achei esse episódio do preconceito o menos legal até agora.
    O da mãe eu até gostei, mas cá entre nós, não acho que o problema do casal seja o bebê que perderam. Assim como também não acho que Gillian não sabe das escapulidas do marido, ela apenas prefere fechar os olhos.
    E o Loker (que eu adoro..é o personagem que eu mais gosto depois do Dr. Lightman) finalmente faltou com a verdade. Foi consciente, foi admitido, mas quais serão as repercursões para o personagem?

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