Momento TPM

Chá de hortelâ como se fosse água, para diminuir o inchaço provocado pela retenção de líquido [dica da Adrina, brigadê!] e duas pérolas de Guttalax pra constipação: um mês depois e Titia Batata é quase outra pessoa nesta nova TPM.

Quase, porque o instinto assassino ainda aflora, inda mais depois de saber do processo que a Denise Bottmann está a sofrer por desmascarar duas traduções espúrias no blog Não Gosto de Plágio, junto com a Raquel Salaberry do Jane Austen em português.

Dentre os absurdos da ação, a editora acusada de plagiar traduções pede “direito de esquecimento”. Eu entendi isso como um artifício pra continuar enganando pessoas, na esperança de que, apagando os registros do passado, os leitores voltassem a comprar seus livros na boa-fé. Parece que é isso mesmo, segundo a própria Denise:

Aparentemente, o problema principal dos reclamantes é o fato de que se publiquem notícias, que elas circulem e não caiam no esquecimento com a volatilidade que ocorria na era pré-digital. Devo concordar que, realmente, quando as notícias antigamente saíam num jornal, meses depois a tendência era que o público esquecesse as informações (a velha piadinha que dizia “brasileiro tem memória curta”). Concordo também que a internet propicia maior velocidade no fluxo de informações e facilita consultas de tipo documental e arquivístico. Ao contrário dos reclamantes, porém, considero que tais avanços tecnológicos são muito positivos para as sociedades democráticas, e favorecem uma maior transparência das relações sociais – neste sentido, hoje em dia seria muito mais difícil destruir documentos e “reescrever arquivos” como se fazia em regimes totalitários, pois torna-se mais fácil preservar os arquivos das informações graças aos meios digitais.

Se, como cidadã, louvo e utilizo os novos meios propiciados por tais avanços tecnológicos, não vejo por que devo ser processada por tal fato. A Internet é um fenômeno global de gigantesco alcance e envergadura, gerando sistemas de arquivamento e compartilhamento de informações a um grau inédito, e sabidamente trata-se de um processo irreversível em escala mundial. Quanto aos marcos regulatórios para disciplinar a matéria no Brasil, encontram-se em fase final de elaboração no Ministério da Justiça, prevendo dispositivos não só para a devida tutela de todos os direitos humanos e sociais envolvidos, mas também para tolher tentativas arbitrárias de censura e amordaçamento, garantindo a preservação do estado de direito. [Em A Internet não esquece, publicado no QueroTerUmBlog do Alessandro Martins, 23/02/10]

Decerto desconhecem a expressão “tiro no pé”, caus que foi isso o que aconteceu. Igual o Roberto Carlos, que ajudou a vender uma biografia que nem era grandes coisas mas que virou objeto de curiosidade depois que ele entrou na justiça para retirar das livrarias. Igual o deputado aquele que esqueci o nome e tentou fazer o mesmo com o livro Na Toca dos Leões, do Fernando Moraes.

Em todos esses casos a tática é a mesma: intimidação pela truculência. E em todos os casos o resultado é o mesmo, ou seja, o oposto do que o autor da ação pretende: em vez de abafar o caso, esse tipo de ação provoca a curiosidade e acaba aumentando a exposição do que se pretendia ocultar [ou "esquecer"]. Esse imbroglio do plágio, por exemplo, até agora era do conhecimento de um grupo muito pequeno – a comunidade de tradutores, talvez; uma parcela dos leitores de Jane Austen e Emily Brontë [somos poucos, admita]; meia dúzia de jornalistas especializados…

E veja agora a dimensão que a coisa está tomando. A Denise [força na peruca, mulher! quem supera TPM um mês após o outro supera tudo!] reúne o que está sendo publicado sobre o caso em atualizações dos seus posts:

justiça e internet [23/02/10]
justica e internet II [24/02/10]
justiça e internet III [25/02/10]

Para quem tem curiosidade de saber quais foram os posts que motivaram a ação, são os que cotejam as semelhanças em Persuasão [Jane Austen] e O Morro dos Ventos Uivantes [Emily Brontë].

Nome do tradutor na capa: eu apoio essa ideia.

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8 comentários sobre “Momento TPM

  1. Direito de esquecimento? E o direito à informação? Que horror. Gente desonesta se defende assim, atacando. Tomara que ela tenha um advogado dedicado que a auxilie a se livrar desse processo sem pé nem cabeça.

    Que bom que o chá de hortelã foi legal pra você, pra mim sempre foi remédio e, ó, é bem gostosinho. :)

  2. Realmente existe uma coisa chamada “direito ao esquecimento” como princípio do Direito Penal… só que muito diferente da forma que colocaram no processo. Ele é um princípio derivado da idéia da dignidade humana, no sentido de que o agente que cometeu um delito tem o direito, após ter cumprido a pena, de resguardar sua privacidade, de forma a ter a chance de se ressociabilizar.

    O direito ao esquecimento faz sentido no caso de um ex-presidiário que, tendo cumprido sua pena, não se veja rechaçado de uma oportunidade de emprego – por exemplo – por seu “passado negro”, de forma a ter uma chance de se REABILITAR.

    A Landmark, por seu turno, está bem longe de qualquer reabilitação, ressociabilização, reintegração…

  3. Pingback: | Esclarecimento | Jane Austen em Português

  4. Pingback: Manifesto de Apoio a Denise Bottmann « Batata Transgênica

  5. Pingback: apoiodenise

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