A transmissão
Estava na frente da tv desdas 13h20, só que inventei de zapear e parei num canal que mostrava uma receita de fetuccine com frango à indiana; quando lembrei da corrida já passava das 13h45 [mas valeu a pena, a receita parece deliciosa]. Alguém estava terminando de cantar America the Beautiful e o narrador Téo José confundiu com God Bless America, que foi executada em seguida e ele disse que estavam tocando outra vez. Tudo bem.
Téo José é um narrador OK – na minha opinião, fica entre o Celso Miranda e o Luciano do Valle: embora ele torça muito para os pilotos brasileiros, de vez em quando se lembra que existem outros correndo e até traz algumas informações não relacionadas exclusivamente aos brasileiros. Outro ponto positivo é que ele não é mesquinho com o tempo cedido para o comentarista e o repórter de campo. Nem com o tempo, nem com o respeito.
O comentarista e ex-piloto Felipe Giaffone foi quem deu o tom mais profissional, com informações de bastidores e opinião baseada em experiência e conhecimento [e não baseadas em torcida]. Ele disse, por exemplo, que o fato da tv norte-americana reprisar o acidente do Mike Conway era um bom sinal, porque eles não mostram as imagens quando o piloto está muito ferido ou quando não têm certeza da gravidade do estado do piloto. E ele tinha razão, embora o acidente tenha sido chocante Conway teve apenas uma fratura na perna.
* “Apenas” comparado com o que podia ter acontecido, devido à espetacularidade do acidente [v. no Youtube].
Mas nenhum dos dois sabia quem estava no carro com assento duplo atrás dos pace car nas voltas de apresentação. Um deles chutou que Mario Andretti estava lá depois que a câmera conseguiu um close dos olhos atrás da máscara do capacete. O outro era o ator Mark Wahlberg. A experiência está registrada no site http://www.racetotheparty.com/
O repórter de campo – ou de boxes – foi o Celso Miranda, que só entrou na segunda metade da corrida. Entrou pouco mas sempre com informações pertinentes.
O grande problema da transmissão foi a inserção dos patrocínios, aqueles que só aparecem num banner no canto da tela e com um locutor recitando a marca e seu slogan. Essas inserções foram feitas em cima da narração e dos comentários, interrompendo-os sem o conhecimento do narrador e do comentarista, que continuavam falando mas não eram mais ouvidos pela audiência.
A corrida
Foi legal. O Jack Nicholson tava lá pra dar a largada e até que fez direitinho, duas vezes [a segunda quando os carros voltaram da bandeira amarela provocada pelo acidente do Davey Hamilton logo na primeira volta]. Tinha oito pilotos brasileiros no grid, entre o pole Helio Castroneves [vencedor da prova três vezes] e o último colocado Tony Kanaan. Kanaan chegou a estar na segunda colocação a cinco voltas do fim, mas teve que fazer um splash&go e terminou em 11º; Castroneves ficou em 9º.
Tinha também quatro pilotos mulheres [ou pilotas? eu me cafundo], inclusive a brasileira estreante Bia Figueiredo, que largou na frente da Danica Patrick e da Sarah Fisher, mais experientes. O legal é que a presença dessas pilotos não é mais motivo de espanto, de panfletarismo [se é que um dia o foi]. Elas já são apenas “mais um dos caras”, com direito até a vaia do público pela boca-molice [Danica].
A outra estreante, a suíça Simona de Silvestro, chegou a ser computada como “novata da corrida” no final da prova, mas como ela ultrapassou o brasileiro Maro Romancini na bandeira amarela provocada pelo acidente do Conway na última volta, os comissários analisaram [esse e outro caso] e o prêmio de Novato da Corrida foi mesmo pro brasileiro. Pelo menos alguma coisa, né?
Teve também um brasileiro honorário [o colombiano Saavedra, que correu um tempo no Brasil] e até uma equipe de brasileiro, a De Ferran/Dragon do Gil De Ferran [o primeiro carro a bater].
No fim, venceu o escocês Dario Franchitti, que já tinha ganhado a prova em 2007 quando foi o campeão da categoria, foi pra Nascar em 2008, amargou resultados péssimos, voltou pra Indy em 2009 e venceu o campeonato de novo. Payback is a bitch, isn’t it?
Um comentário bem pessoal
Não foi desta vez que Helio Castroneves venceu as 500 Milhas pela quarta vez, igualando-se a Rick Mears, Al Unser Sr. e A. J. Foyt. Sabe o que isso significa? Que ele já venceu três vezes, coisa que poucos pilotos [e nenhum outro brasleiro, nem mesmo Emerson Fittipaldi] conseguiram. É uma pena que ele tenha tão pouco reconhecimento no próprio país.
Recap da corrida no blog do Vitor Martins
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Jura que rolou acidentão ? Não vi nem a F1…
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