Invictus

Sinopse:
Recentemente eleito presidente, Nelson Mandela (Morgan Freeman) tinha consciência que a África do Sul continuava sendo um país racista e economicamente dividido, em decorrência do apartheid. A proximidade da Copa do Mundo de Rúgbi, pela primeira vez realizada no país, fez com que Mandela resolvesse usar o esporte para unir a população. Para tanto chama para uma reunião François Pienaar (Matt Damon), capitão da equipe sul-africana, e o incentiva para que a selação nacional seja campeã.

Pôster

Pôster

Este é o último filme da maratona cinematográfica esportiva que fiz no mês da Copa da África, tudo com esportes que não lembram nada nadinha de futebol modalidade soccer: murderball [rúgbi em cadeira de rodas], hóquei no gelo, futebol americano e agora rúgbi “normal”. Tirando o fime com o hóquei no gelo, todos os outros são baseados em eventos e pessoas reais. No caso de Invictus, a história baseia-se num epsódio ocorrido na mesma África do Sul da Copa da Fifa: a conquista da Copa do Mundo de rúgbi pela desacreditada seleção sul-africana durante a presidência de Nelson Mandela em 1995, poucos anos depois do fim do sistema de apartheid naquele país.

Mandela foi libertado da prisão em 1990; nós já temos uma geração inteira que só ouviu falar do sistema de segregação racial nos livros de História, não no noticiário diário [o que é bom!]. Uma geração que quase não percebe a importância do estádio Soccer City no Soweto, o bairro-gueto dos negros em Johannesburgo. Mesmo vinte anos depois, muitos brancos da cidade nunca tinham ido para aqueles lados, só foram lá quando o estádio começou a receber os jogos da Copa da Fifa.

Então, sim, independente das qualidades técnicas e artísticas, tenha-as ou não, Invictus é um filme obrigatório.

O roteiro baseia-se no livro Conquistando o Inimigo [Playing the Enemy: Nelson Mandela and the Game That Changed a Nation], do jornalista John Carlin. O livro foi lançado em 2008 nos EUA e traduzido no Brasil em 2009 pela editora Sextante.

Nelson Mandela: As pessoas não sabem que eu mesmo joguei rúgbi quando era estudante em Fort Hare. É um jogo muito duro, quase tão duro quanto a política.

Nelson Mandela e François Pienaar, 1995

Nelson Mandela e François Pienaar, 1995

E de política é do que se trata o filme, afinal. Mandela [ou Madiba, seu nome de clã] é o primeiro presidente negro num país em que o preconceito de cor era sustentando por lei. Os brancos têm medo das retaliações agora que negros e asiáticos fazem parte do governo, e negros e asiáticos se ressentem dos séculos de opressão branca. Como quebrar este círculo vicioso e transformar o país no que Mandela desejava ser “a nação arco-íris”?

Ele começou pelo próprio gabinete de governo, insistindo para que os funcionários brancos permanecessem em suas funções trabalhando ao lado dos novos funcionários negros. O conflito mais sério dessa política aconteceu quando ele incluiu agentes do Special Branch que trabalharam para o ex-presidente afrikander F. De Klerk no grupo de guarda-costas: muitos deles foram responsáveis pelo espancamento e prisão de miltantes do CNA [Congresso Nacional Africano]. Esta cena rendeu um diálogo que é um dos meus favoritos do filme por demonstrar não apenas o estilo de liderança e o calculismo político de Madiba, mas, principalmente, o seu senso de humor.

Jason Tshabalala: Tem quatro agentes do Special Branch no meu escritório.
Nelson Mandela: Por que, o que você fez?

Assim como em The Blind Side, a conquista improvável da Copa do Mundo de Rúgbi pela África do Sul em 1995 e a história do capitão da seleção François Pienaar são apenas detalhes. O foco é mesmo a personalidade e o carisma de Nelson Mandela, interpretado pelo ator Morgan Freeman. Talvez fosse mais interessante fazer um filme biográfico de Mandela – o próprio Freeman trabalha há anos em cima do livro Longo Caminho Para A Liberdade, autobiografia de Madiba, mas não será fácil condensar aquele tijolão, que cobre bem mais do que os quase trinta anos de encarceramento, num filme de duas horas, duas horas e meia e ainda fazer-lhe justiça.

Melhor mesmo deixar que um bom contador de histórias como Clint Eastwood faça o seu trabalho de não deixar a História ser esquecida [um pedaço dela, pelo menos].

Nelson Mandela: O perdão liberta a alma. Remove o medo. É por isso que é uma arma tão poderosa.

Invictus – Trailer legendado


Link http://www.youtube.com/watch?v=211tsGoram8

Morgan Freeman recebeu uma indicação ao Oscar de melhor ator por este papel [perdeu para Jeff Bridges de Crazy Heart], ao SAG, ao Golden Globe e venceu o NAACP [National Association for the Advancement of Colored People] e o National Board Review.

Matt Damon recebeu indicações como ator coadjuvante no Oscar [perdeu para Christoph Waltz de Inglorious Basterds], no SAG e no Golden Globe.

Clint Eastwood recebeu indicação como melhor diretor no Golden Globe e ganhou no National Board Review. O filme levou ainda o prêmio Liberdade de Expressão do mesmo National Board Review.

Serviço
Artigo Origem histórica da segregação racial na África do Sul
Biografia [resumida] de Nelson Mandela
Ficha no iMDB
Tradução da poesia Invictus por André C S Masini.
Verbete na Wikipedia

Para comprar o livro de John Carlin, o DVD ou o Blu-Ray do filme de Clint Eastwood no Submarino.

Post Mandela e Lula: Invencíveis, de André Forastieri.

Invictus
by William E Henley

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate;
I am the captain of my soul.

Ficha técnica
Título: Invictus
Título original: Invictus
Gênero: Drama
Duração: 02h14min
Ano de lançamento: 2009
Estúdio: Warner Bros. Pictures / Spyglass Entertainment / Revelations Entertainment / Mace Neufeld Productions / Malpaso Productions
Distribuidora: Warner Bros.
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Anthony Peckham, baseado em livro de John Carlin
Produção: Clint Eastwood, Robert Lorenz, Lori McCreary e Mace Neufeld
Música: Kyle Eastwood e Michael Stevens
Fotografia: Tom Stern
Direção de arte: Tom Hannam e Jonathan Hely-Hutchinson
Figurino: Deborah Hopper
Edição: Joel Cox e Gary Roach
Efeitos especiais: CIS Hollywood / CIS Vancouver / Hirota Paint Industries

Morgan Freeman e Matt Damon

Morgan Freeman e Matt Damon

Elenco:
Morgan Freeman (Nelson Mandela)
Matt Damon (Francois Pienaar)
Tony Kgoroge (Jason Tshabalala)
Patrick Mofokeng (Linda Moonsamy)
Matt Stern (Hendrick Booyens)
Julian Lewis Jones (Etienne Feyder)
Adjoa Andoh (Brenda Mazibuko)
Marguerite Wheatley (Nerine)
Leleti Khumalo (Mary)
Patrick Lyster (Sr. Pienaar)
Penny Downie (Sra. Pienaar)
Sibongile Nojila (Eunice)
Bonnie Henna (Zindzi)
Shakes Myeko (Ministro dos Esportes)
Robin Smith (Johan De Villiers)
Dan Robbertse (Boer)
Zak Feaunati (Jonah Lomu)
Langley Kirkwood (George)
Grant Roberts (Ruben Kruger)

Posts relacionados
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Tooth Fairy / O Fada do Dente
The Blind Side / Um Sonho Possível

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5 comentários sobre “Invictus

  1. Resenha de livro ou de filme é sempre um exercício e tanto!
    Parabéns pelo fôlego!
    Me faz lembrar de meus tempos de estudo e de trabalho, em área de planejamento.
    Escrever se tornou um hábito.
    Confesso que ando escrevendo a resenha do meu cotidiano, em diários.
    Juro! Confesso!
    hehehehehehehehehehe :lol:

  2. Pingback: Resenha do filme Invictus, sobre Nelson Mandela — Os melhores links dos melhores blogs Entrelinks

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