O slogan deste ano para a campanha da Semana dos Livros Banidos da Associação Americana de Bibliotecas [EUA] é “Pense por si mesmo e deixe que outros façam o mesmo” [em tradução livre]. O objetivo da iniciativa é combater o cerceamento/retirada de alguns livros das bibliotecas escolares e públicas.
É uma resposta a pais que exigem a exclusão de títulos da biblioteca em que o filho estuda por motivos que variam da inadequação etária ou “incentivo à homossexualidade” [!!], ou aos grupos que condenam o ‘incentivo à prática de bruxaria”, o ponto de vista de outra religião ou o conteúdo sexual de outros livros e exigem sua exclusão das bibliotecas do município ou condado.
Durante uma semana, a associação incentiva a leitura pública dos livros que tiveram maior número de reportes pelo país como forma de protesto contra a censura [em 2010 é na semana entre 25/set e 2/out]. Cá entre nós, eu achei o slogan deste ano perfeito também para a atual situação midiática brasileira, niqui alguns militantes políticos acham que só se pode falar bem de um candidato e falar mal de outro, e que o jornal/veículo de imprensa que fala mal do seu candidato deve ser boicotado – ou, ainda, os diversos movimentos Cala a boca, Fulano.
Começa de brincadeira.
Em 2009 os dez livros com mais reclamações foram:
1. TTYL; TTFN; L8R, G8R [série], Lauren Myracle
Motivos: nudez, sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária, drogas
2. And Tango Makes Three Peter Parnell e Justin Richardson
Motivos: homossexualidade
3. As vantagens de ser invisível [The Perks of Being A Wallflower] Stephen Chbosky
Motivos: homossexualidade, sexualmente explícito, antifamília, linguagem ofensiva, ponto de vista religioso, inadequado à faixa etária, drogas, suicídio
4. O Sol é para todos [To Kill A Mockingbird], Harper Lee
Motivos: racismo, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária
5. Série Crepúsculo [Twilight] Stephenie Meyer
Motivos: sexualmente explícito, ponto de vista religioso, inadequado à faixa etária
6. O apanhador no campo de centeio [Catcher in the Rye], J.D. Salinger
Motivos: sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária
7. Uma prova de amor [My Sister’s Keeper], Jodi Picoult
Motivos: sexismo, homossexualidade, sexualmente explícito, linguagem ofensiva, ponto de vista religioso, inadequado à faixa etária, drogas, suicídio, violência
8. The Earth, My Butt, and Other Big, Round Things, Carolyn Mackler
Motivos: sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária
9. A cor púrpura [The Color Purple], Alice Walker
Motivos: sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária
10. The Chocolate War, Robert Cormier
Motivos: nudez, sexualmente explícito, linguagem ofensiva, inadequado à faixa etária
E na lista dos cem mais questionados entre 2000 e 2009:
1. Série Harry Potter, J. K. Rowling
8. Fronteiras do Universo [His Dark Materials], Philip Pullman
14. As Aventuras de Huckleberry Finn [The Adventures of Huckleberry Finn], Mark Twain
23. O Doador [The Giver], Lois Lowry
28. Ponte para Terabítia [Bridge To Terabithia] Katherine Paterson
36. Admirável Mundo Novo [Brave New World] ,Aldous Huxley
46. Matadouro-5 [Slaughterhouse-Five], Kurt Vonnegut
49. Um Estranho no Ninho [One Flew Over the Cuckoo’s Nest], Ken Kesey
50. O Caçador de Pipas [The Kite Runner], Khaled Hosseini
69. Fahrenheit 451, Ray Bradbury
88. O Conto da Aia [The Handmaid’s Tale] Margaret Atwood
97. A Casa dos Espíritos, Isabel Allende
Ah, as imagens no topo do post são frente e verso do marcador de páginas para imprimir, cortesia da ALA.
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Semana dos livros banidos


Entre tantos, “O Sol é para todos” e “A Cor Púrpura” recomendo mais uma vez, relembrando que ambos originaram dois filmes obrigatórios.
vi os filmes, lerei os livros.
Impressionante! To Kill A Mockingbird, Catcher in the Rye e The Color Purple foram livros que li na escola quando estudava lá e nunca passou pela minha cabeça que alguém jogava a favor de tirar eles da grade!
Não dá pra entender…
é medo, vini, medo do diferente, do pensamento livre!
Por que será que a lista de livros banidos tem sempre coisas tão interessantes?
Acho que quem quer ver coisas impróprias em um livro, encontrará até nos textos mais improváveis. E quem simplesmente aprecia o texto nem percebe se ali há algo impróprio ou não. Tudo está na cabeça de quem lê…
Btw, se os pais têm alguma restrição a algum livro para a faixa etária do seu filho, isso é entre eles e a criança, mas nunca banir o livro da biblioteca.
Beijocas!
cris, se for pela letra, tem que banir até a bíblia
principalmente a bíblia… (que é um baita novelão, especialmente no velho testamento)
Mark Twain deve estar rolando de rir no túmulo…
Dá vontade de rir mesmo. Aí a gente lembra o perigo potencial de iniciativas como a desses pais sem-noção, e a vontade passa…
bjk
Mônica
@madamemon
quer controlar o que o filho lê, tá limpo. mas daí a interferir na criação do filho dozotro vai légua…
Pois!
No blog da Glória Perez, ela postou sobre o alcorão, e contou que havia uma cena na qual o livro era usado pelo personagem, em O Clone, para advertir a transgessora. Ocorre que por lá, o livro é O próprio! Lógico que, ao entender a visão do maometano, ela mudou a cena. E, por estas e outras advertiu sobre a seriedade, com relação ao propósito do americano, que ameaçava queimar exemplares do próprio.
Nem tanto ao mar. Nem tanto à terra.
Radicalismo sempre nos tolhe a vida.
tsc tsc tsc
Minha flor! Cai no engodo do msn… Migrei para o wordpress, com garantias que meus posts iriam junto… Até agora, nada! Fica meu alerta, faloris?! Zerou tudinho! Muito louco!
Tô rindo da minha credulidade! E do meu desapego! Muitio loco, sô!
frô, eu adoro o wordpress, mas migração é uma dor de cabeça… pra mim só funfa manualmente, na unha. automàtico sempre dá chabu.
É lamentável que a sociedade americana ainda tenha um procedimento de censura do tipo “Index Librorum Prohibitorum”. Em contrapartida a iniciativa da Associação Americana de Bibliotecas é louvável: “Think for yourself”!
alexandre, tenho visto esse impulso de querer censurar o livre pensamento por estas bandas de cá também – algumas vezes disfarçadas pelo discurso politicamente correto extremista. a diferença é que aqui não a censura se aplica muito seja porque os responsáveis não querem aplicá-la ou porque as pessoas não a obedecem