Desafio de Férias 2010/2011 | Romancing Mr. Bridgerton

Capa britânica

Antes de escrever sobre esse livro, xeu comentar uma coisa a respeito da autora: Julia Quinn é uma pessoa gentil. Nada mais explica o tratamento concedido a seus personagens: é muito fácil ser espirituosa com duques e viscondes e outras personagens cuja beleza física e/ou caráter salta à vista, mas eu não me lembro de outra escritora tão generosa com personagens “invisíveis”, as wallflowers.

A maioria das escritoras românticas cai logo na armadilha fácil de criar Mary Sues, a garota adoravelmente atrativa e única que logo é alvo da atenção do herói – e de preferência que tal herói seja byrônico: lindo, inteligente, sarcástico, taciturno, sedutor e misterioso. Muitos críticos explicam que Mary Sue representa um avatar de tal espécie de autora, que se projeta numa personagem de papel do modo como gostaria que as pessoas a vissem e com o poder de conquistar o homem que outras mulheres não conseguem, ou ficar deliciosamente indecisa entre dois homens perfeitos que disputam sua afeição. Quase ninguém se interessa em escrever sobre uma garota simples, sem beleza e graça natural, inteligência brilhante, que não se destaca. Uma wallflower.

Uma única exceção que me lembro assim de cara é Jane Eyre [Charlotte Brontë] e, agora, Romancing Mr. Bridgerton. Outro ponto em comum entre os dois livros é que a personagem feminina central tem uma força de caráter acima da média nesse tipo de romance. Ela não assume uma postura de coitadinha: embora sua timidez atrapalhe, há um bocado de Girl Power nela. Virei fã – bom, na verdade eu já vinha desenvolvendo uma forte simpatia por ela desde o primeiro livro da série Bridgerton. Esse é um outro ponto que gostei: nos anteriores, os pares centrais eram relativamente novos para o leitor, nesse aqui já estamos familiarizados com eles [se lermos na sequência, claro].

[E xeu te contar outra coisa: tem referência ao Guia do Mochileiro das Galáxias do Douglas Adams logo nos primeiros capítulos desse romance de época. FTW!]

Capa norte-americana

Um terceiro ponto positivo é a presença de outra personagem feminina forte, a idosa e implicante Lady Danbury [que também participa dos anteriores] e que funciona como uma espécie de fada-madrinha para a wallflower em questão. A compreensão entre as duas durante o infame concerto Smythe-Smith me deixou soluçando na frente do computador.

E o que dizer do protagonista masculino? Julia Quinn não se satisfaz com um herói que só está ali no papel para fazer a mocinha [e a leitora] suspirar, ela quer uma pessoa com propósitos e pensamentos e ideias e ideais, então ela oferece o ponto de vista dele, desenvolve o personagem do protagonista masculino tanto quanto da feminina. É bem malicioso da parte dela dar títulos que sugiram que a história é contada do ponto de vista da heroína quando ambos merecem espaço igual nas suas histórias.

A trama em si lembra alguns filmes de Sessão da Tarde: o amigo do irmão mais velho da garota ou, nesse caso, a variante da melhor amiga da irmã mais nova do cara, a paixão platônica até que ele a olhe com novos olhos e descubra como foi idiota esse tempo todo. É fórmula, sim, mas executada com graça e humor de forma que a leitora acaba o livro com um sorriso bobo na face, apaixonada pelos personagens.

O talento da Quinn para o mistério também excede expectativas! Em Romancing Mr. Bridgerton finalmente descobrimos a identidade de Lady Whistledown, a colunista de fofocas. Eu fui surpreendida, meus palpites form influenciados pelas pistas falsas, mas quando ela se revelou… Tudo fez sentido! Muito engenhoso da parte dela. E a estocada final em Cressida Cowper, oh, deliciosa! Julia Quinn pode ser gentil, mas não é tola.

Bonnie Wright, Hugh Dancy

Assim como aconteceu nos livros anteriores, um rosto logo ocupou minha mente conforme a leitura avançava: Hugh Dancy e aquele sorriso incrível dele no papel de Colin Bridgerton me parece perfeito, mas nada de Claire Danes para o papel de Penelope Featherington. Na verdade, Claire Danes daria uma perfeita Cressida Cowper. Não, Penelope merece alguém melhor, alguém que conheça o sentimento de ser esquecida na multidão, ignorada, dona de uma beleza não-óbvia, um humor mordaz e inteligência superior que não sente necessidade de ficar se exibindo feito uma “sabe-tudo insuportável”: Bonnie Wright. E Dame Maggie Smith para Lady Danbury, isso é óbvio e ululante. :lol:

Romancing Mr. Bridgerton tem um segundo epílogo com um spoiler enorme do próximo volume e é, até agora, o maior segundo epílogo da série [50 páginas contra 30 dos anteriores].

She supposed she should be flattered that he’d looked up from his food. Or maybe he was looking at the kippers and she just got in the way. Probably the latter. It was difficult to compete with food for Colin’s attention.

http://www.juliaquinn.com/books/mister.php

Romancing Mr. Bridgerton trilha sonora

“Heavy Things” by Phish [Youtube letra]

“Legend of a Cowgirl” by Imani Coppola [Youtube letra]

“Virginia Woolf” by Indigo Girls [Youtube letra]

“Babylon” by David Gray [Youtube letra]

Nota: 4,5
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio de Férias 2010/2011 [v. post].

Desafio de Férias 2010/2011

Ficha bibliográfica
Tìtulo: Romancing Mr Bridgerton
Autor: Julia Quinn [pseudônimo de Julie Pottinger]
Série: Bridgerton, Livro 4
Editora: Avon Books
País: EUA
Ano: 2002
Páginas: 370

Curiosidade: uma stone é a medida de peso equivalente a 6,350 kg. Uma temporada social dura quatro meses, entre a Páscoa e a temporada de caça. “Once presented, a prospective bride could reasonably attend 50 balls, 60 parties, 30 dinners and 25 breakfasts all in one season” [Literary Liaisons]

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10 comentários sobre “Desafio de Férias 2010/2011 | Romancing Mr. Bridgerton

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  3. Fiquei bem curioso com esses livros, mas meu inglês é muito ruim. :(

    ps: Hermione também não é Mary Sue, Titia! Sei que não tem nada a ver com esse gênero, mas nesse mundo atual de Bella´s Swan achei válido lembrá-la como exemplo de garota independente.

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  7. Simplesmente me apaixonei por essa série! Vira e mexe, me pego relendo-as.
    A autora pega enredos simples, que já estamos acostumados a ver,mas torna tudo mil vezes mais empolgante de se ler : os diálogos, as tiradas, são perfeitos!

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