Sinopse
Na obra juvenil mais conhecida de José Mauro, a pobreza, a solidão e o desajuste social vistos pelos olhos ingênuos de uma criança de seis anos. Nascido em uma família pobre e numerosa, Zezé é um menino especial, que envolve o leitor ao revelar seus sonhos e desejos, por meio de conversas com o seu pé de laranja lima, encontrando na fantasia a alegria de viver.
Advertência
Esse livro é muito triste. E o pais preocupados com o politicamente correto devem ser informados de que contém palavrões e eventos funestos.
Eu assisti à novela baseada no livro em mil novecentos e avião a lenha, lembro de nada da trama, e resolvi adicionar à lista do Desafio Literário porque pelo menos me lembro que gostava da novela. Comecei a ler no domingo à tarde, início do ano. Quando terminei, estava tomada duma tristeza sem par.
A história é narrada por Zezé, menino pobre de 5 anos que mora em Bangu, no Rio de Janeiro. A família é grande, o dinheiro pouco e Zezé precisa achar seu lugar na família e no mundo. No meio do sofrimento, o menino cria um mundo de fantasia para se refugiar e curar as muitas dores das surras diárias; nesse mundo seu melhor amigo é Minguinho oi Xururuca, o pé de laranja lima do fundo do quintal.
Zezé apanha muito porque faz muita arte: pra mim, ele apanha porque a família embrutecida pela miséria não consegue educá-lo nem pela sabedoria nem pelo exemplo, e ele faz arte porque esse é o único jeito de ter a atenção dos pais e irmãos mais velhos, tão acabrunhados pela tristeza de serem pobres que não conseguem perceber mais nada além disso. Zezé transborda de amor, mas não tem com quem compartilhar.
É um menino “sedento por ternura”, como bem repara o Portuga; o “melhor leitureiro” e aluno atencioso da professora Cecília Paim; o “anjinho cantador” do mascate Ariovaldo; e o “afilhado do Diabo” para a família. Através das várias e única face da criança, o autor comenta a desigualdade social, os preconceitos, a violência da pobreza.
O fato de que tudo isso é filtrado pelo olhar generoso e criativo infantil não o torna mais bonito – ao contrário, faz o leitor sentir a dor com mais força, torna a tristeza mais profunda.
O livro foi adaptado para o cinema em 1970 e em fomato de telenovela em 1970 [Tupi], 1980 [Band] e 1998 [Band, reexibido pela Fox Life em 2006]. A que assisti deve ter sido a de 1980.
O Meu Pé de Laranja Lima (Parte 1) 1970
Link http://www.youtube.com/watch?v=xC3cQJSo9O8
Sobre o autor
José Mauro de Vasconcelos nasceu de família nordestina pobre, em Bangu, no Rio de Janeiro, em 26 de fevereiro de 1920.Foi agricultor, operário, boxeador profissional, professor primário, garimpeiro, sertanista, modelo, ator de cinema (em filmes como Floradas na Serra de 1954, Mulheres e Milhões de 1961 e A Ilha de 1963, entre outros); ator de TV, jornalista e radialista, além de escritor e pintor.
Há uma estátua sua, como modelo, do escultor Bruno Giorgi, no Monumento à Juventude, na antiga sede do Ministério da Educação.
No Livro Meu Pé de Laranja Lima, seu maior sucesso editorial, vendendo nos primeiros meses de seu lançamento, 217 mil exemplares, serve-se de sua experiência pessoal para retratar o choque sofrido na infância com as bruscas mudanças da vida.
Dono de uma literatura leve e agradável, José Mauro fez grande sucesso junto ao público. Mesmo assim a importância do seu trabalho não é devidamente reconhecida no Brasil. [Amigos do Livro]
Nota: 4
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)
Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2011 [v. lista de livros agendados], tema Livro Infanto-Juvenil, e Desafio de Férias 2010/2011 [v. post].
Blog do Desafio Literário e Desafio de Férias 2010/2011
Título: O Meu Pé de Laranja Lima
Subtítulo: História de um menininho que um dia descobriu a dor…
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Ilustraçõe: Jayme Cortez
Editora: Melhoramentos
Ano: 2010
Páginas: 190
Atualização
Uma nova adaptação cinematográfica está a caminho [O Globo]. Valeu pela dica, Tommy Beresford!

meu pé de laranja lima é de cortar os pulsos de tristeza
terminei de ler às 2h30 da manhã e não consegui dormir
Embora seja triste, é um dos livros mais bonitos que já li. A frase final “-já cortaram…” me deixou dias pensativo, e ficou gravada na memória. Excelente resenha, Naomi, as always!
só me arrependo de não ter lido antes.
Li esse livro com uns 12 anos, chorei, chorei muito, do começo ao fim.
Assisti o filme, chorei mais ainda, choro só de lembrar.
Esse é um livro que faz parte do meu repertório.
PAola
paola, é de chorar muito!
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se eu for ler este livro preciso de um balde e diversos lenços, pois lembro que chorei muito quando vi o filme (no cinema e depois na TV, não vi as novelas). Mas acho que vale a pena arriscar uma desidratação (rs), a história deve ser ainda melhor contada no papel do que nas telas. É aquela história do “é triste mas é bonito…”
Beijocas!
hahahaha! cris, é bem por aí mesmo…
adorei a advertência,,,deu uma curiosidade
é que tem pais que preferem que a criança amadureça mais um pouco antes de liberar esses livros.
Já li esse livro quando era pequena – e suas continuações, Vamos aquecer o sol (oh, livro pra te fazer chorar…) e Doidão. Na verdade, tenho a coleção inteira de José Mauro de Vasconcelos aqui em casa e todos os livros dele tem essa tristeza, independente de tema… Mas são todos maravilhosos… deu vontade de reler agora…
todos os livros são tristes? oh… terei de ler aos poucos, então
to doido pra ler!!!!
depois me conta, plis?
Taí um clássico que eu não li, mas sempre esteve presente na minha infância, nos comentários dos professores, na novela que eu também não vi, mas pesquei relances das propagandas. O componente emotivo parece ser o forte da trama, né?
Bjs
vivi, sim, o livro é bem interiorizado.
A sua resenha é um convite para conhecermos esta obra da literatura brasileira. Valeu pela dica.
Abs, Rê
rê, brigada!
nunca tive vontade de ler esse livro, e sabendo o quão triste ele é, pensarei muito no caso, talvez o leia quando o clima não for favorável a uma depre =P
gostei muito da sua resenha!
ah, bibs, dê uma chance a ele…
“-Mas por onde você fala?” “-Árvore fala por todo canto. Encoste seu ouvido aqui no meu tronco que você escuta meu coração bater…”
Poesia, pura poesia.
isso!
Por essas e outras, é que tem gente que adora abraçar uma árvore!
Eu adoro!
Sózinha, ou em grupo.
Delícia!
hahahaha! será, frô?
Um dos grandes livros da minha infância. Chorei muito também. Uma história bem contada e recomendada para qualquer idade. Curiosidade: a Bandeirantes fez uma segunda versão em novela do livro em 1980 (a Tupi havia feito dez anos antes), com Cristina Mullina de Godoia e o saudoso Dionisio Azevedo arrasando de Seu Manuel. A pergunta que não quer calar: que fim levou Baby Garroux, que roubava as cenas como Jandira ? Simplesmente inesquecível.
Batata, faz um post lá no Telemagia sobre a novela, vai ? Sua cara. Será que vc assistiu essa versão ?
Em tempo: lembram da trilha sonora ? “Num dia de sol quem não quer viajar / No trem do tempo que ficou lá pra trás”…
Vixe, momento revival de boas memórias. Preciso reler o livro. E a Band podia reprisar a novela (a de 1980, depois ela fez de novo em 1999, mas essa nao vi)…
NÃO DEIXEM DE LER O LIVRO !
abraços a todos
Leia-se Cristina Mullins, erro de digitação. E é claro que foi a versão de 1980 que vc viu, mau sapão, reli o post agora.
mas quem disse que eu lembro de alguma coisa?? :
Também preciso reler… acho que vou parar na Saraiva de novo… :/
hahahaha! voltou, né? vi no seu perfil do skoob…
Lembro que assisti a série e depois procurei o livro na biblioteca do colégio. Comecei a ler preocupada porque a série já havia me abalado bastante. A preocupação tinha fundamento: Chorei muito lendo, mas não me arrependo não.
também não me arrependo!
Que resenha linda, fico imaginando como deve ser o livro. Já ouvi falar muito, e bem, desse livro. Entra na lista de leituras obrigatórias.
Beijos
com a nova versão cinematográfica acredito que reacenda o interesse pelo livro.
Acho muito legal o titulo desse livro e sempre tive vontade de ler
a resenha ficou muito massa.
Eu ja’ conhecia o livro de nome, mas nao fazia a menor ideia da hisoria. E’ triste mesmo. Mas, fiquei curiosa de ler. Muito boa resenha. Beijos
Well, nunca li este livro, mas vou colocar na lista apesar da advertencia sobre ele ser triste.
Adorei a resenha, obrigada.
Beijocas
Pessoal, também sou nascido e criado em Bangu, mesmo bairro do autor. Naturalmente, já li o livro mais de uma vez e é sem dúvida inesquecível. Alguns detalhes do bairro ainda existem, como a velha Fábrica Bangu (hoje um Shopping Center) e a Rua Chita (exceto a passagem de trem onde ocorre um dos clímax da estória). O livro é tão triste que a própria apresentação já choca: seus 2 irmãos mais próximos (Glória e Luís) “desistiram de viver”, conforme as palavras do autor.
Sou fã de José Maurod e Vasconcellos e venho estudandoa obra dele. Participo no Orkut de Comunidades em nome dele e de suas obras. Pessoas que são de Bangu dizem que ninguém sabe desse Portuga, mesmo perguntando a quem viveu lá na época que Zezé tinha 5 anos. Alguns acham que o Portuga seria mais um personagem da imaginação dele. Você sabe de algo?Conhece familiares dele? Já tentei consultar bombeiros, falecimentos, rede cntral do Brasil, até arquivos morots, mas ainda não consegui nada.
Um livro que deve ser lido e que deveria ser considerado um clássico para a literatura brasileira. Mesmo com o seu caráter melancólico, provoca a reflexão do leitor sobre a felicidade e o sofrimento, a amizade e a doçura que há na simplicidade das coisas. Com grande sensibilidade, o autor penetra no universo de uma criança de cinco anos de forma inteligente para contar seu mundo com um olhar pueril.
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