Indy 500 | 100 Anos

(1070thefan.com photo: Ernie Mills)

Querido JR Hildebrand,

Da próxima vez que estiver na última volta de uma prova tipo 500 Milhas de Indianapolis, liderando a corrida com três segundos de vantagem sobre o segundo lugar, não tente ultrapassar um retardatário por fora na última curva, belê?

Pensando bem, nem por dentro.

Ktksbai.

Tadinho, eu fiquei até com um pouco de pena, afinal o cara é um novato, era uma edição comemorativa da prova [que se iniciou em 1911] e a vitória tava na mão dele – seria a primeira vitória de um norte-americano nas 500 Milhas desde 2006. As 500 Milhas de Indianapolis é um dos três eventos mais importantes do automobilismo no mundo [os outros dois são o GP de Mônaco de Fórmula 1, que geralmente ocorre no mesmo dia, e as 24 Horas de Le Mans].

Foi um erro de novato e vai marcar a carreira dele pra sempre, mas não apenas pelo lado negativo [a tomada errada de decisão que, além de ser compreensível pela pouca experiência, também pode ser compartilhada com o spotter, o cara em cima do prédio que faz as vezes de navegador]; depois de acertar o muro, Hildebrand mostrou coragem e espírito vencedor ao continuar acelerando para atravessar a linha de chegada. Um daqueles momentos épicos que a gente vê em filme.

Indianapolis 500 final lap – 29 May 2011 – JR Hildebrand crash

Link http://www.youtube.com/watch/?v=KySJzJwP8fs

A transmissão

Este ano a corrida começou mais cedo, né? Liguei a TV às 13h30 quando já estavam na 20a volta e lembro que no ano passado começou às 14h. Teve a ver com a introdução das relargadas em fila dupla? Taí outra diferença em relação ao ano passado, o comentarista desta vez não informou muito [Eduardo Homem de Mello é mais adepto da opinião do que da informação]. A narração foi de Celso Miranda e se ateve ao básico.

Ou eu tou ficado exigente demais.

Mas voltando… Fiquei frustrada por perder a execução do hino: cara, foi o Seal! O Seal! Top Fazível Foréva and Éva! Não dá pra perder, não dá.

Kelly Clarkson , Seal and David Foster – National Anthem – Indy 500 – 2011

Link http://www.youtube.com/watch?v=qmq6evoEPTo

Desta vez não houve execução de America The Beautiful nem de God Bless America, mas a bandeirada de largada coube a um militar que recebeu a Medalha de Honra [Bruce P. Crandall]. O piloto do pace car foi A. J. Foyt, ex-piloto da Indy. Ele substituiu Donald Trump [??], que desistiu depois de uma campanha contrária no Facebook [!!].

O que me intrigou durante a transmissão, porém, foi uma estrutura laranja enorme, vista das tomadas aéreas, que parecia uma pista de carrinho só que em proporção real. Não deu outra, era um rampa para exibição de Hot Wheels, o IZOD Presents Hot Wheels Fearless at the 500. Não encontrei vídeo dessa manobra, só o anúncio.

Link http://www.youtube.com/watch?v=QsH1SvcmEJc

A corrida

Contrariando os prognósticos “especializados” a relargada em fila dupla não foi a carnificina esperada. Teve sim um acidente na primeira vez, mas logo os pilotos ajustaram seus modus operandi. :P Comparado com anos anteriores, aliás, a prova de 2011 teve poucas baixas sérias [nota: legal a explicação do Celso Miranda sobre o muro - soft wall ou SAFER barrier].

O vencedor foi o britânico Dan Wheldon, da equipe Brian Herta – o legal é que ele só disputou a Indy 500 nesta temporada, não conseguiu equipe ou patrocínio para a temporada completa. O brasileiro melhor colocado foi Tony Kanaan [quarto] e me desculpaê mas achei bem chato ele dedicar mais tempo “dando uma resposta para aqueles que não acreditaram” nele do que reconhecendo e agradecendo a quem acreditou. Questão de prioridades no discurso, eu acho.

Dan Wheldon, Indy500 29/5/11.

Nota pessoal

Estava a ruminar um comentário machista feito durante a transmissão de que a Danica Patrick dá “instruções demais” pelo rádio porque é mulher e, portanto, fala muito – mas para o comentarista esse “falar muito” significa que ela é mandona, quer mandar na equipe mesmo de dentro do carro, magina, audácia da filombeta! e matutei que esse tipo de narrador/comentarista/repórter, embora ainda seja comum, tenderá a sumir ou mudar seus conceitos, se tiver sorte de digievoluir.

O automobilismo era considerado um reduto exclusivamente masculino a tal ponto que nem repórteres mulheres eram permitidas nos pits de Indianapolis até a década de 1970. A partir da luta de pioneiras como Janet Guthrie e Lyn St. James, as primeiras mulheres pilotos a competir no fim da década de 1970, a presença feminina começou a ganhar força por lá [e em outras categorias também, mas principalmente na Indy].

Se o comentarista não se lembra, eu refresco a memória dele: o circuito Indianapolis Speedway é propriedade de uma mulher e é ela quem preside a junta de diretores; uma das equipes que disputa a corrida é propriedade de uma mulher [Sarah Fisher, a mais jovem piloto mulher a disputar a Indy 500] e já faz tempo que o grid é composto por três ou mais mulheres [em 2011 foram Danica, Bia Figueiredo, Simona de Silvestro e Pippa Mann], que ali entraram por mérito próprio, ao contrário de alguns caras que compraram a vaga [oooi, Ryan Hunter-Reay!].

[E pelo menos uma mulher assiste às provas. Oi :lol: ]

Tou só dizendo: ou alguns narradores/comentaristas mudam os seus conceitos ou vão ficar pra trás na cadeia evolutiva. A inclusão e o progresso femininos nesses Clubes do Bolinha podem ser lentos, mas são inexoráveis. ;)

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4 comentários sobre “Indy 500 | 100 Anos

  1. 200 voltas. O cidadão acerta o muro na 199. Chega se arrastando e esfarelando o carro. Ninguém sabe quem realmente ganhou. Gritos. Equipes diferentes comemorando a vitória que seria de apenas uma delas. Decepção. Remorso. Glória. Leite na cabeça. Troféu amargo.

    Um final de corrida épico.

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