Desafio Literário | Sétimo

Sinopse
Depois de 500 anos, um vampiro desperta e abre os olhos numa terra estranha, nova e cheia de sangue. “Sétimo” decide fazer do Brasil seu novo lar, para tanto terá de formar um verdadeiro exército de vampiros para demarcar seu território, exibir seu poder e dar combate aos caçadores. Elege um vampiro recém-criado para servir-lhe de guia, general e pupilo.

Em sua sede por sangue e conquistas, ao autoproclamar-se a criatura mais poderosa da Terra, Sétimo atrai além de vampiros, diversos inimigos deste e do outro mundo. Estes inimigos despenderão esforço sobre-humano, empregando, além de armas carregadas com balas de prata, dentes pontiagudos e poderes paranormais. O espetáculo mais bizarro da terra não pode parar.

Capa

Sétimo é sequência de Os Sete, que por sua vez era uma espécie de spin-off do primeiro livro de André Vianco [O Senhor da Chuva]: segundo a mitologia do autor, os primeiros vampiros foram criados pelo demônio em pessoa demoneza na aurora dos tempos. Sete desses vampiros primordiais residiam em Portugal num castelo às margens do Rio D’Ouro, até que um dia o demônio chegou pra eles e disse: “Eae, rapaziada? Na boa? Olha só, tou bolando umas parada sinixxxtra aí, seguinte… Cês me entregam um de vocês aí pra ser meu escravo no inferno por 150 anos e eu dou um poder especial para cada um dos outros, tá ligado?”.

Os vampiros armaram um complô, traíram um do grupo e o entregaram ao demônio, que cumpriu sua promessa e transformou-os numa equipe terrível, capaz de fugir do mais valoroso caçador de vampiros da época, Tobias. Mas aí passaram-se 150 anos e  o demônio libertou o Sétimo vampiro…

Os Sete foi o primeiro livro que li com temática sobrenatural de um escritor brasileiro com narrativa ambientada no Brasil importando mitologia europeia. Os vampiros de Vianco tiveram de se aclimatar não apenas a uma nova terra mas também a uma nova era com carros, aviões, telefones, geladeiras, TV, metralhadoras [mas não vinho e cerveja, né? Pelamor. Vinho e cerveja existem há milênios].

Oh, sim. Os vampiros de Vianco bebem cerveja.

Afonso apanhou o copo e levou à boca. O líquido gelado tocou sua língua. Apreciou o sabor levemente amargo. E a textura! Sim, a tal cerveja era boa! Ergueu o copo na altura dos olhos. Havia bolinhas andando pelo líquido! Bruxos! Terminou o copo virando-o de uma vez. Depois, imitando o balconista, puxou o anel de cima da lata. O chiado repetiu-se. Não se deu ao trabalho de colocar o líquido no copo. Tomou diretamente na lata. Tinha o mesmo sabor, a mesma impressão. Eram boas as duas. O estômago gelado estranhava o líquido nunca dantes provado. Raras eram as vezes que os vampiros se interessavam pelas bebidas ou pelos víveres mortais. Interessavam-se, sim, pelos mortais. O alimento. [Sétimo, cap. 3]

Pontos positivos

A ação! A aventura! O ritmo frenético! Não há muitos momentos pra respirar e o autor mexe com a imaginação do leitor com descrições cinemáticas mas sem esquecer de fornecer mergulhos nos pensamentos e nas sensações dos personagens. A estrutura é nossa velha conhecida, a do monomito ou jornada do heroi, sendo “heroi” o vampiro recém-criado e relutante em sua nova condição de morto-vivo. Uma questão interessante explorada nesse livro é que o cidadão detém o poder de escolha se quer ou não transformar-se definitivamente em vampiro mesmo após ser mordido.

Pontos negaivos

Além da fraca pesquisa histórica, o autor demonstrou ter um vocabulário limitado. Em quase todos os capítulos tinha algum personagem “balbuciando” quando deveria murmurar, sussurrar ou falar baixo. E virava e mexia lá aparecia alguém com a feição “sizuda” [sic], só corrigida nos últimos capítulos. Esse é um problema que poderia ser evitado com uma boa revisão ou olhada do editor. Quanto ao estilo entrecortado eu confesso que não gosto muito. Entendo quando é usado para dar ritmo ou ideia de urgência, mas nas doses certas. No livro inteiro cansa.

A vantagem é que todos os pontos negativos acima são solucionáveis – se é que já não foram resolvidos nos livros mais recentes.

A linha Sétimo teve sequência em O Turno da Noite vol. 1 e 2, mas por enquanto eu fico por aqui mesmo.

Sobre o autor
André Vianco é um escritor brasileiro, nascido em São Paulo, estado de São Paulo, e criado em Osasco. Suas obras sobrenaturais misturam terror, suspense, fantasia e romance em histórias que geralmente envolvem o tema Vampiros. [Wikipedia]

Nota: 3
(de 1 a 5, sendo: 1 – Péssimo; 2 – Ruim; 3 – Regular; 4 – Bom; 5 – Excelente)

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2011 [v. lista de livros agendados], tema Novos Autores.

Blog do Desafio Literário

Título: Sétimo
Subtítulo: Tem Gente que Ainda Não Acredita em Vampiros…
Autor: André Vianco
Editora: Novo Século
Ano: 2002
Páginas: 456

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3 comentários sobre “Desafio Literário | Sétimo

  1. Pingback: Desafio Literário 2011 | Agenda « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  2. Gostei da estrutura da resenha. Crítica, concisa e clara. A temática vampiresca me cansa, não seria um livro que eu leria. Mesmo assim, sempre tive curiosidade em conhecer o estilo do autor André Vianco.

    Bjs

  3. Pingback: Meme | Retrospectiva Literária 2011 « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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