A Denise Bottmann é tradutora e mantém um blog em que denuncia edições espúrias, isto é, livros que usam a tradução de um com o nome de outro. Esta prática de algumas editoras brasileiras tem como objetivo não pagar os direitos de tradução – seja ao tradutor original, seus descendentes ou à outra editora.
Em setembro Denise concentrou-se em Jane Eyre, da escritora Charlotte Brontë, depois de uma consulta de leitora [nãogostodeplágio, 6/9/11]. Primeira surpresa: existem nove edições do livro no país. A primeira saiu pela editora Vozes provavelmente em 1916 [!!] quando ainda se escrevia “inglez” [v. imagem no nãogostodeplágio, 6/9/11] com o título Joanna Eyre [duplo !! carpado] e o tradutor se sentia livre para cortar trechos que ele considerasse que atrapalhava o “andamento”.
A lista que Denise coletou em sua pesquisa:
a primeira delas saiu pela vozes, com o nome de joanna eyre: não sei em que ano, mas em 1926 constava como segunda edição. não descobri ainda o nome do tradutor.
em 1942, veio a tradução de sodré viana pela pongetti, com dezenas de reedições até 1960 (mais tarde reeditada pela ediouro, e ainda em catálogo).
em 1945, ver atualizações, abaixo.
em 1971, a ediouro lançou a adaptação feita por miécio tati.
em 1983, saiu a de marcos santarrita, pela francisco alves (disponível para download aqui).
em 1996, a tradução de lenita esteves e almiro piseta saiu pela paz & terra.
em 2008, a itatiaia lança uma tradução em nome de waldemar rodrigues de oliveira.
em 2010, sai pela landmark a tradução de doris goettems.
em 2011, é lançada a tradução de heloísa seixas pela bestbolso. [nãogostodeplágio, 5/9/11]
Oito [nove, se contar o plágio] edições de Jane Eyre, enquanto Villete continua inédito, Shirley tem só uma edição [1949], já esgotada, e The Professor parece ser o único outro livro dela com alguma representatividade depois de JE [nãogostodeplágio, 7/9/11]. A edição espúria é a da editora Itatiaia/2008 [nãogostodeplágio, 6/9/11], praticamente uma transcrição da tradução de Sodré Viana – que, aliás, Denise e outras pessoas comentaram ser ruim.
[Eu nem te conto como isso me abalou, caus que a minha cópia de Jane Eyre é justamente a do Sodré Viana que saiu pela Clássicos de Bolso da Ediouro, essa da capa que ilustra o post. *Chuinfs* ]
Veja os dois cotejos que ela fez das duas traduções aqui e aqui. O ”tradutor” da Itatiaia trocou uma palavra aqui e ali, e só. Fiquei curiosa com a presença de uma outra editora na lista de edições que a Denise reuniu, uma editora que ela já desmascarou numa edição bilíngue de um livro da escritora Jane Austen e que chegou a ameaçar duas blogueiras* com processo judicial por causa disso: será que essa tradução de JE é fiável?
* A própria Denise Bottmann e a Raquel Salaberry do Jane Austen em Português.
Em todo caso, a edição da BestBolso é meu novo objeto de desejo: a tradutora é Heloísa Seixas, escritora, jornalista e por acaso esposa de Ruy Castro. Será que a editora Record não envia um exemplar pra divulgação?
E feliz Dia do Tradutor aos profissionais da área!

Cara dona Batata,
você se enganou.
Não fomos ameaçadas.
Fomos processadas.
Aliás, estamos sendo processadas pois o processo continua correndo na justiça até este momento.
um abraço
Ó, Naomi, nem te conto que, depois do rolo todo das traduções plagiadas, passei adiante a minha edição de Persuasão (Landmark) e vou comprar a recentemente lançada pela L&PM para pôr no lugar
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Báh eu acompanho sempre o trabalho da Denise, eu faço coro com a Erika, Landmark não tem vez por aqui hihihihi…
estrelinhas coloridas…
Tenho a edição de 1983 e a de 2011 sinceramente gosto muito mais da de 1983, achei essa última muito coloquial, e a capa é bem fininha, quase da mesma gramatura das pag, que já são quase papel de biblia, fiquei um pouquinho decepcionada.
Sobre Shirley consegui comprar um exemplar de 1949 no estande virtual por R$3,50, depois de uma pequena limpeza ficou joinha, estava muito bem conservado.
Oh fiquei chateada pelas meninas, tenho uns 3 livros da Landmark das edições bilingues… Queimaaaa.