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Desafio Literário | As Filhas Sem Nome

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O segundo livro da jornalista Xinran é baseado na vida de três jovens que ela conheceu enquanto fazia seu programa de rádio, direcionado para denunciar as subcondições em que viviam as mulheres na China pós-Revolução Cultural. A história se passa entre 2001 e 2004 e centra-se nas trajetórias de Três, Cinco e Seis, que tinham então de 17 a 20 anos de idade. As garotas são filhas de camponeses: o pai envergonhava-se tanto delas que nem ao menos deu-lhes um nome, chamando-as pela ordem de nascimento.

[Eu lembrei tanto do Charlie Chan e seus incontáveis filhos...]

Para os camponeses, filhas são palitinhos [hashis, em japonês; não sei como se chamam em mandarim] que se usam e jogam fora, enquanto filhos são cumeeiras que sustentam o telhado. Esse pensamento persiste mesmo no século 21 dentro das comunidades isoladas do interior, onde as pessoas são ou analfabetas ou preferem manter o status quo como é o caso dos tios das garotas, membros da autoridade destinada a fiscalizar a lei do filho único que fazem vista grossa para muitas desobediências civis.

O Tio Número Dois trabalha em outra cidade ao sul e, por viajar e conhecer uma comunidade maior, se compadece do destino da sobrinha Três. Ele a leva para Nanjing [Nanquim, na grafia portuguesa arcaica] e lá ela logo arruma emprego em um pequeno restaurante fast-food de comida chinesa. O livro poderia até encaixar-se em janeiro, mês da Literatura Gastronômica, porque muitos quitutes típicos são citados junto com a sua região de origem. Também se encaixa no tema dos Fatos Históricos porque, apesar de ser contemporâneo, aborda a Revolução Maoísta cujos efeitos ainda são percebidos pela população chinesa.

Três é bem-sucedida no emprego e em menos de um ano consegue o equivalente a dois anos de lucro do pai no campo, o suficiente para que ele consinta em liberar as filhas Cinco e Seis para irem a Nanjing. O choque cultural é uma das facetas abordadas mais a fundo neste romance, especialmente quando as meninas descobrem sua voz, seu lugar no mundo. Pela primeira vez elas são tratadas como indivíduos e essa autodescoberta as faz repensarem o papel do pai e da mãe em suas vidas.

As Filhas Sem Nome é uma leitura bem mais leve e otimista do que As Boas Mulheres da China, mais humorada até. A autora continua a criticar as leis e costumes que degradam a mulher, mas vê as mudanças que ocorrem a partir dos grandes centros urbanos graças à interação dos chineses com os estrangeiros e às próprias mudanças internas, como o fim da exigência de autorização para viajar de uma cidade a outra.

Um ponto negativo, pra mim, é que a vida das garotas na cidade grande acontece sem dissabores maiores do que o tal choque cultural.  Talvez a escritora tenha optado por não desgraçar mais ainda uma situação que já era humilhante, mas mesmo com subempregos e dificuldades as garotas contaram com uma dose extra de sorte. O final acabou meio aberto – meio porque Xinran acabou contando no epílogo o que soube de cada uma das três após os fatos narrados no livro, a pedido da tradutora inglesa Esther Tyldesley.

Apesar de os habitantes locais fazerem piadas sobre a Senhora do Tofu, também reconheciam que o coração dela era mais quente do que seu wok de óleo fervente. Ela jamais aceitava dinheiro de crianças que quisessem fazer uma boquinha e não tolerava ver garotas de famílias pobres serem importunadas. Se uma moça do interior em busca de emprego parasse na loja para perguntar como se ia até o grande salgueiro, a Senhora do Tofu a obrigava a sentar e comer vários espetinhos de cubos de tofu fedorento cravados em bambu antes de deixá-la prosseguir no seu caminho — sem sequer fazer uma pausa para perguntar se a garota gostava da iguaria. [Companhia das Letras]

Sobre a autora
Nasceu em Pequim, em 1958. Trabalhou em Nanquim até 1997, quando a impossibilidade de publicar na China o seu relato fez com que se mudasse para Londres com seu filho. Casada com um inglês, leciona atualmente na School of Oriental and African Studies da Universidade de Londres.

Nota de 1 a 5: 4

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2012 [v. lista de livros agendados], tema Escritor[a] Oriental.

Blog do Desafio Literário

Título: As Filhas Sem Nome
Título original: Miss Chopsticks [Inglaterra/2007]
Autora: Xinran
Tradução: Caroline Chang
Ano: 2010
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 296

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Desafio Literário | The Unofficial Harry Potter Cookbook

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No ano passado eu falhei com o DL e estava meio jururu de participar de novo. Quando saiu a lista dos temas mensais bati o olho em janeiro, dei um grito e decidi confirmar minha inscrição no ato, a cabeça correndo pra escolher um dos muitos livros do gênero literatura gastronômica que eu quero ler. Quando montei a lista prévia escolhi dois, mas acabei lendo um que não estava na prévia e sim na minha estante de desejados no Skoob.

Em The Unofficial Harry Potter Cookbook a autora norte-americana Dinah Bucholz compilou quase todos os alimentos e bebidas citados nos livros da série Harry Potter, da inglesa J. K. Rowling, e pesquisou, criou ou adaptou as receitas. Algumas ausências ocorrem por conta dos direitos autorais [a cerveja amanteigada, por exemplo], enquanto outras podem representar um desafio para o mestre-cuca brasileiro por causa dos ingredientes requeridos já que ela usa os disponíveis nos EUA.

Uma das regras do DL para o tema é que não valem livros exclusivamente de receitas, e esse cookbook cumpre a regra: a autora indica o livro e o capítulo em que cada prato aparece, comenta a passagem do livro e ainda fornece informações sobre o alimento em si. Eu adorei saber que o sundae surgiu depois da Vaca Preta por causa de uma lei que proibia as sorveterias de venderem ice ceam soda aos domingos, para respeitar o descanso religioso. Bom, e se a gente tirar o refrigerante e vender só o sorvete com a calda? A lei não diz nada sobre isso…Também adorei saber que a palavra inglesa jam vem do francês j’aime [eu amo].

É exatamente o modelo que eu usei na cozinha da A Casa Torta com os livros da Agatha Christie e  na coluna semanal pro TeleSéries!

As 150 receitas estão divididas em dez capítulos temáticos:

1. Good Food with Bad Relatives

Coisas preparadas e servidas na casa dos Dursley, na maioria, mas também tem receita de sorvete de chocolate e do picolé de limão que os tios compraram para Harry na visita ao zoo.

2. Delights Down the Alley

Quitutes encontrados no Beco Diagonal, no Caldeirão Furado, na sorveteria de Florian Fortescue, etc.

3. Treats from the Train

Capítulo praticamente só de doces, inspirado no conteúdo do carrinho do Expresso de Hogwarts.

4. Recipes from a Giant and an Elf

Se eu já não estivesse gostando do livro, seria aqui que a autora me ganharia de vez ao dedicar um capítulo inteiro a Hagrid e a Monstro. Ela demonstra mais uma vez que é uma verdadeira fã dos livros, oferecendo pontos de vista de quem os leu a fundo.

5. The Favorite Cook’s Dishes

É claro que não podia faltar a melhor cozinheira do mundo num livro de receitas do universo Harry Potter: Molly Weasley. Não cheguei a contar as páginas, mas deu a impressão de ser o capítulo mais longo.

6. Breakfast Before Class

O café da manhã britânico é famoso, e neste capítulo a autora desvenda tudo o que é servido de manhã no Grande Salão de Hogwarts.

7. Lunch and Dinner in the Dining Hall

Sequência do anterior, este capítulo aborda os almoços e jantares em Hogwarts.

There are a zillion and one ways to prepare potatoes, and it seems as though at least half of them are mentioned in the Harry Potter books.

8. Desserts and Snacks at School

Quer dar um palpite sobre qual é o tema deste capítulo? Acho que engordei dois quilos só de ler. :lol:

9. Holiday Fare

Pratos típicos de Natal, Halloween e Páscoa.

10. Treats in the Village

The Village, no caso, é Hogsmeade, portanto a autora aborda os doces da Dedos de Mel.

Dinah Bucholz tem um estilo leve e bem-humorado que torna a leitura viciante; é difícil parar de ler e eu gosto imenso de como ela associa os ingredientes das receitas aos ingredientes das poções mágicas e de como o próprio ato de cozinhar, de transformar esses ingredientes em algo novo, é também mágico por si só. Para uma fã da saga Harry Potter feito eu, então, é indispensável. As receitas variam de grau de dificuldade dos mais fáceis, que podem ser preparadas pelas crianças, até o mais difíceis – como a tortinha de caramelo e o fudge.

O texto é enriquecido com truques de cozinha e dicas de substituição que ajudam um bocado, mas mesmo assim há alguns problemas para o leitor brasileiro: ingredientes difíceis de achar no país em algumas [poucas] receitas; medidas no padrão norte-americano [contornados por qualquer conversor online, mas que exigem atenção, de qualquer forma]; a tradução. Tem muita coisa citada ali que eu absolutamente não me lembro de ter lido nos livros Harry Potter porque eu os memorizei em português; terei de reler os sete volumes em inglês para encontrá-los.

Outro atrativo enorme do texto de Bucholz é que ela se esforça para explicar ao leitor não-britânico a origem dos pratos e costumes típicos ingleses que são retratados nos livros da série Harry Potter – isto permite que o leitor entenda e mergulhe ainda mais na história criada por J. K. Rowling, em um nível diferente. Além de ser uma homenagem a HP, é também um desagravo à culinária inglesa, que tem uma má fama injustificada, conforme fica claro após ler esse cookbook.

Livros de receita baseados em obras de ficção tornaram-se um nicho de público recentemente; dos que sei que existem e quero ler estão os cookbooks de True Blood, Família Sopranos, Sherlock Holmes, romances policiais, The Hunger Games e A Song of Ice and Fire, além de outro livro dedicado a Harry Potter chamado A Wizard in the Kitchen e um terceiro também intitulado The Unofficial Harry Potter Cookbook, só que de autoria de Gina Meyer. Tem o da Nanny Ogg [Discworld], que já li. Tem de Twilight também, mas não bateu vontade de ler esse. Dinah Bucholz está para lançar seu segundo cookbook, desta vez baseado na obra de C. S. Lewis e o universo de Nárnia.

So the book is meant for children then? Or Potter fans of any age?
[Dinah Bucholz] It’s for anyone who loves Harry Potter. It is being marketed for kids but I have to say some of the recipes aren’t for kids to make. Some of them shouldn’t be attempted at all by children – like the sugar recipes that require boiling the sugar. One of the reasons I did all that research was to make it an interesting book to read for Harry Potter fans, even the fans who are not into cooking. But I do think it’s a great book to read for Harry Potter fans of all ages. [New Times, 14/7/11]

Dinah Bucholz prepara Tortinhas de Abóbora

Link http://www.dailymotion.com/video/xjx4fu_pumpkin-pasties_news

Nota de 1 a 5: 5

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2012 [v. lista de livros agendados], tema Literatura Gastronômica.

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Título: The Unofficial Harry Potter Cookbook
Subtítulo: From Cauldron Cakes to Knickerbocker Glory — More Than 150 Magical Recipes for Wizards and Non-Wizards Alike
Autora: Dinah Bucholz
Ano: 2010
Editora: Adams Media
Páginas: 256

Bônus: duas receitas de cerveja amanteigada em português brasileiro [Garotas Geeks] e Google Preview do livro [Cultura].

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Meme Literário de Um Mês | Dia 29

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Dia 29 – Quantos livros em média você costuma comprar por mês? Você costuma comprar livros em sebos, ou prefere as livrarias? Compra muito pela internet?

Atualmente um, com a grana curta, ou até quatro se tiver promoção boa. Em sebo uso o serviço da Estante Virtual e quando dá vejo se o sebo onde encontrei um livro que eu procurava tem outros que estejam na minha lista. Como Pedra Lascada não tem livraria e mesmo em Marília os preços são muito mais caros em relação aos preços das grandes lojas virtuais, acabo comprando quase exclusivamente pela Internet – a não ser que ache um título interessante no catálogo da Avon.

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Meme Literário de Um Mês | Dia 28

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Dia 28 – O que você faz quando encontra uma palavra que não conhece durante a leitura? Para para procurar no dicionário? Anota para procurar depois? Ou tenta deduzir seu significado pelo contexto?

Durante a leitura eu tento inferir o significado pelo contexto; se lembrar depois, procuro no dicionário. Acho que só em Laranja Mecânica a coisa apertou bastante, mas mesmo tendo um glossário no final do livro chegou uma hora que me encheu os pacovás e fui pelo rumo mesmo.

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Meme Literário de Um Mês | Dia 27

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Dia 27 – Você costuma fazer anotações enquanto lê? Se sim, onde? A ideia de fazer anotações no próprio livro lhe assusta?

Não, não posso dizer que é um hábito ainda, embora esteja praticando por causa do método de leitura. Não consigo anotar nem em xerox da faculdade, que dirá num livro. Às vezes escrevo um comentário aqui ou no Twitter, se for livro de papel, ou anoto no ebook.

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Meme Literário de Um Mês | Dia 26

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Dia 26 – Qual o maior (em número de páginas) livro que você já leu? Quanto tempo demorou? Fale sobre ele.

Acho que foi O Senhor dos Aneis, volume único: 1212 páginas, diz o Skoob. E acho que é o maior em universo também, se contar que tem até gênese [O Silmarilion] e apocalipse. Hein? Não tem apocalipse? Bom, um mundo só de humanos, sem magia, elfos e outros seres parece muito com um inferno, pra mim. ;)

Levei acho que cinco dias pra ler.

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Meme Literário de Um Mês | Dia 25

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Dia 25 – Tem algum livro que você tenha mais de uma edição do mesmo? Se sim, por que?

Oh, sim! Comecei com Harry Potter lá pelo sexto livro, acho: fiquei tão agoniada com a espera que comprei em inglês. Depois comprei a edição em pt-br quando entrou em promoção e repeti o procedimento com o sétimo e os Contos de Beedle o Bardo. Nesse meio tempo comprei a caixa com os cinco primeiro em inglês, então tenho dois conjuntos de HP.

Jane Eyre tenho em inglês e em pt-br com tradução de  Sodré Viana; de Agatha Christie tenho diversos exemplares repetidos com tradução ou revisão diferente; Um Estudo em Vermelho e O Signo dos Quatro tenho duas cópias de cada porque já os tinha e ganhei o box da Avon; tenho alguns clássicos que saíram tanto na coleção da Nova Cultural quanto na da Folha de SP; o único brasileiro que tenho repetido é Primeiras Estórias, do Guimarães Rosa, que eu já tinha e veio na coleção da Folha.

As razões são essas, então: gosto de ler a versão original e comparar a tradução; gosto de comparar as traduções; compro coleções fechadas e acontece de repetir títulos.

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Meme Literário de Um Mês | Dia 24

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Dia 24 – Você lê um livro por vez ou gostar de alternar a leitura em dois ou mais livros?

Depende do livro. Quando li Jonathan Strange & Mr. Norrell e Dom Quixote tive de largar tudo o mais e me concentrar só em cada um deles, mas de modo geral leio mais de um livro por vez, especialmente em mídias diferentes [um ebook e um de papel, por ex.].

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