Palavra do dia: galhardia

(ga.lhar.di.a)
sf.
1. Qualidade do que ou quem é galhardo; ELEGÂNCIA; GARBO: Assumiu com galhardia as tradições da família no hipismo.
2. Fig. Generosidade, magnanimidade: Tinha gestos de irresistível galhardia.
3. Demonstração de espírito forte na adversidade: O soldado se saiu com notável galhardia.
[F.: galhard(o) + -ia
[Fonte: Aulete]

A group of more than 200 Japanese pensioners are volunteering to tackle the nuclear crisis at the Fukushima power station.

The Skilled Veterans Corps, as they call themselves, is made up of retired engineers and other professionals, all over the age of 60.

They say they should be facing the dangers of radiation, not the young. [BBC, 31/5/11]

Sukiyaki

Sukiyaki

Sukiyaki

Sukiyaki é um nabemono, isto é, um alimento preparado num caldeirão ou panela de ferro [o tar do nabe - pronúncia nabê], próprio para os dias mais frios do inverno como o shabu shabu ou o nabeyaki. Uma das histórias que se conta sobre a origem do sukiyaki é que os antigos agricultores japoneses assavam batata-doce nos rastelos [o suki, sílaba tônica ki]. O rastelo brasileiro é formado por uma série de agulhas ou pontas; o japonês é moldado numa chapa de ferro. Depois de uma limpadinha virava uma boa chapa pra assar/grelhar e poupava os colonos de ter de carregar muita tralha de cozinha.

Receita de sukiyaki tem várias, de acordo com a região e tudo o mais. Em casa fazemos mais ou menos assim:

Sukiyaki para quatro pessoas

Ingredientes
2 colheres de sopa de manteiga
300g de filé mignon cortados em fatias finas [cada fatia uma bocada, essa é a medida]
300g de peito de frango ou lombo de porco em fatias finas
1 pacote de itokonnyaku/shirataki [macarrão de batata konnyaku, de consistência firme e gelatinosa]
1 caixa de tofu do tipo firme cortado em cubos de 3cm
3 folhas de acelga fatiadas em pedaços de 3cm
200g de couve-flor ou brócolis limpo e cortado em minibuquês
8 shiitake inteiros sem os talos
1 maço de cebola negi cortada em pedaços de 3cm
100g de moyashi [broto de feijão]
100g de shimeji
4 ovos inteiros [opcional]

Tempero
Continuar lendo

Okoshi

Okoshi

Okoshi

Okoshi é um doce feito com “pipoca” de arroz, açúcar e xarope de glucose [Karo ©] que lembra o nosso pé-de-moleque: o arroz é caramelado, enformado e cortado em barras ou quadrados.

Eu nunca comi okoshi caseiro, mas vi receitas em que misturam um pouco de amendoim ou grãos de gergelim ao arroz [adoro gergelim, adoro amendoim!]. Das marcas comerciais que conheço só tem de arroz, branco ou integral, ou aromatizado com gengibre, frutas ou amendoim [sem amendoim, só o aroma].

O bom do okoshi é que ele não é doce de doer os dentes [embora o brasileiro seja bem mas doce do que o okoshi japonês legítimiu, ainda assim o açúcar não esconde o sabor do arroz]. Com chá quente ou pra matar a fominha do frio entre as refeições é bão toda vida. Preciso mencionar que é crocante? ;)

O okoshi entra na categoria wagashi, que são os doces japoneses magros, feitos sem manteiga nem leite e à base de arroz e/ou feijão azuki. Geralmente acompanham o chá verde.

V. vídeo em espanhol ensinando a fazer a versão Kaminari Okoshi [biscoito trovão, em tradução beeem livre].

Continuar lendo

Senbei/Sembei

Sembei

Sembei

– Você quer um sembei?

– O que é “sem bê”?

– É um biscoito.

– Ah, então é “iscoito”, né?

Fala a verdade, você que é descendente de japas, quantas vezes cê ouviu essa piadinha? Mais grave ainda, quantas vezes cê já fez essa piadinha? É pior que a do “é pavê ou é pa comê”, sério mesmo. :lol:

Sembei é um biscoito doce que lembra bastante do biscoito da sorte chinês ou do biju crocante, feito com farinha de trigo ou de arroz, maisena, açúcar, ovos e óleo ou água de flor de laranjeira. Pode conter grãos de gergelim, amendoim picado, ou cobertura de glacê de açúcar com gengibre.

Nunca experimentei sembei feito em casa, fui procurar receita e encontrei essa aqui, bem explicadinha, que serve também pro biscoito da sorte. Não testei ainda. Tem muita marca disponível no mercado, umas gostosas, outras nem tanto – além do mais, o conceito de gostoso varia de pessoa pra pessoa, nué?

O importante é que se trata de um ocupador de boca não-calórico, não gorduroso, até que barato [um pacote de 280g varia de R$4,00 a R$10,00, dependendo da composição, marca, essas coisas], ideal pra consumir com chá, café ou chocolate no inverno, ou até a seco.

E eu adoro comida que faz barulho. *crunch crunch crunch*

Tem os sembei salgados também, mas deles falamos depois.

Yokan

Yokan de azuki

Yokan de azuki

Quando eu era criança pequena e vinha passar as férias na  granja do meu avô, yokan era quitute pras ocasiões especiais e servido com parcimônia. Geralmente era dado/recebido como presente, embrulhado com capricho num papel bonito.

Naquela época não tinha loja de produtos japoneses em cada esquina e os ingredientes [feijão azuki e kanten] eram caros. Tinha a opção do yokan feito com batata-doce, claro, mas o kantem ainda era o ingrediente-chave.

Pra mim, sempre que se fala em yokan lembro do yokan do Tartaruga, uma casa japonesa de Marília/SP que fechou já faz muitos anos. Era embalado em papel espelhado e vinha numa caixa de papel cartão com motivos japoneses em vermelho. Como eu era criança, achava que o doce era feito de tartaruga – claro que não, era de azuki mesmo.

Nunca mais comi yokan de azuki :( Só de batata-doce, que é gostoso só que não é a mesma coisa. Yokan é um namagashi, um doce que acompanha o chá verde. De vez em quando vem numa das combinações de bandeja de namagashi da Satsumaya [não lembro se na II ou na III] – o problema é que eu acho a Satsumaya doce demais. Nos doces japoneses o que prevalece é a sutileza que permite sentir todos os sabores, e não o açúcar.

Enfim.

Qualquer dia vou  testar essa receita do blog TofuBlog, que tá com uma cor linda. Ou essa de satsuma yokan, de batata-doce roxa. Ou comprar esse japonês legítimiu, que parece ser menos trabalhoso. :lol:

* azuki = feijão vermelho pequenininho
* kanten = gelatina agar-agar, à base de alga

Natto

Natto

Natto

Este é um quitute controverso até na comunidade japa: na família só dona mãe e eu comemos natto, por exemplo. Minha avó fazia, só que, bão, cê sabe,  ela faleceu. Então agora só temos a opção do produto comercializado em copinhos. Não é a mesma coisa que o caseiro mas sabe como é: quem não tem cão…

Natto são grãos de soja fermentados. A soja é cozida e posta para fermentar com natto-kin [Bacillus subtilis natto] debaixo do futton [ou em ambiente quente e escuro, hehehe] até ficar igual a imagem: grudento, puxando fio e com odor marcante. A reação da maioria das pessoas quando se depara com isso pela primeira resume-se a uma palavra: “eeeca!”

Quem supera essa fase pode se aproveitar dos benefícios à saude: o natto [pronúncia: natô] tem poucas calorias [não engorda]; baixa o colesterol; é uma ótima fonte de proteínas; de fibras [bom para o intestino]; é rico em vitamina B2 [bom pra pele], vitamina K2 [bom pra combater osteoporose] e numa enzima que previne tromboses, ataques cardíacos e derrames por coágulos no sangue.

Atenção: essa enzina é fibrinolítica [senquis, CtrlC+CtrlV], isto é, dissolve a fibrina, então quem toma remédios para o coração à base de warfarina e anticoagulantes similares deve evitar comer natto com muita frequência.

Assim como a cerveja e o vinho, o natto é um gosto adquirido. Que o diga esse casal norte-americano que se aplicou num projeto de comer natto todos os dias, durante um ano, até adquirirem esse gosto: só precisaram de 28 dias.

Em casa a gente come com shiro gohan quente, mas dá pra acrescentar ao misso shiro, ao tempura, em cozidos, etc.

Natto basicão
Ingredientes:
1 copo de natto [100g]
1 ou 2 colher [sopa] de shoyu
1 ou 2 colher [sopa] de cebolinha em aneis fininhos

Modo de preparo:
Coloque o natto numa tigela e misture bem para descompactar e liberar a gosma. :P Junte os outros ingredientes e misture de novo. Se quiser [e tiver na geladeira] adicione um pouco de karashi, a mostarda japonesa. Sirva com arroz branco quente.

* shiro gohan = arroz cozido só com água, sem óleo ou temperos
* shoyu = molho de soja
* misso shiru = sopa feita com pasta de soja
* tempura = empanados de legume

Nametake

Com ovas de bacalhau e pimenta

Com ovas de bacalhau e pimenta

Uma ou duas vezes por ano, meu avô ganhava um vidro de conserva de cogumelo nametake. Ele abria o vidro, tirava uma colherada e dizia:

– Oishiku nai!

Longe dos ouvidos de quem deu, claro. Falta de educação dizer que não gostou. Mas era um ritual; logo depois eu ganhava um vidro quase cheio de nametake, o que era ótimo porque eu adoro nametake!

Daí meu avô faleceu e agora eu é que devo providenciar meu regalo anual. É regalo porque o trem é caro pra chuchu, um frasco de 120g [menos que uma xícara de chá] não sai por menos de dez reais, e se for a versão com ovas de bacalhau e pimenta acrescente aí mais 50% do preço ao total.

Precisa dizer que foi essa versão que comprei desta vez? Não é ardida, o picante é tão leve que mal se percebe – inda mais do jeito que eu como, um ochawan de shiro gohan bem quente com duas colheres de nametake.

O nametake e o enoki são a mesma coisa, só que o enoki é cultivado e branco e o nametake é selvagem e bronzeado. Essa outra conserva leva 60% de nametake e o resto de enoki, o que barateia um pouco. São minúsculos e levemente grudentos, mas é gostoso, muito gostoso.

Em japonês, cogumelo é kinoko ou “criança de árvore”.

* ochawan ou chawan = tigela, cumbuca
* shiro gohan = arroz cozido só com água, sem óleo ou temperos

Minha Vida Como Gueixa: A verdadeira história de Mineko Iwasaki

Capa do livro

Capa da edição brasileira

Em 2006, comprei dois livros que contavam a mesma história com pontos de vista diferentes: Memórias de Uma Gueixa, do norte-americano Arthur Golden, e Minha Vida Como Gueixa, da japonesa Mineko Iwasaki. Digo que “eu comprei” mas na verdade foi uma aquisição conjunta, eu e uma colega de trabalho: cada uma ficaria com um e depois emprestaríamos uma pra outra. Eu fiquei com a versão americana e ela com a japonesa, só que por uma coisa e outra acabei não lendo a versão dela até recentemente, quando recebi o livro da editora como crédito pelo cancelamento da assinatura de uma revista.

O motivo de existirem essas duas versões é conhecida, mas vamos lá: o autor Arthur Golden entrevistou diversas gueixas para conseguir detalhes que tornassem seu romance mais verossímil. Mineko era a mais famosa, seu rosto simbolizava a cultura das gueixas em revistas, outdoors e peças promocionais e exigiu sigilo para conceder as entrevistas, já que este é um mundo regido pela lei do silêncio.

Quando o livro de Golden foi lançado, em 1997, Mineko teve não uma, mas três surpresas desagradáveis: ele quebrou o acordo de confidencialidade, copiou praticamente sua vida inteira para compor a personagem principal e desviou-se muito do modo de vida e cultura dos japoneses, especialmente da vida das gueixas.

Q: Why did you decide to write your book?

A: There were a number of reasons why I wanted to write this book. The two probably strongest reasons are because I believe there was a lot of misunderstandings about what it means to be a geiko or a geisha, both in Japan and in the West, and I felt honor bound to do what I could to correct those misunderstandings.

Continuar lendo

Mugicha

Mugi cha

Mugi cha

Eu lóvo chá, lóvo. Mas fazer chá gelado nesse calor duzinferno na proporção em que bebo é um pé: ferver a água, colocar o chá, esperar a infusão ficar pronta, esperar esfriar, pôr na geladeira, esperar gelar… Nhai.

Tem a opção do chá em pó, é verdade,  mas tem também o [tcharãm!] mugicha! É feito de cevada torrada, vendido em lojas de produtos japoneses em caixas com saquinhos contendo a quantidade certa de grãos torrados e triturados para um litro de chá. A gente coloca um saquinho na jarra de água fria, guarda na geladeira e no tempo que leva pra água gelar o chá tá pronto.

Se encontrar a cevada torrada em grãos, a medida é de 2~3 colheres se sopa para um litro de água, dependendo do seu paladar [se prefere mais suave ou mais forte]. Dá pra usar o mugicha pra fazer kanten [gelatina de alga marinha agar-agar]; nesse caso é melhor fazer o chá mais forte.

O sabor lembra um pouco de café achocolatado com um perfume meio defumado, não tem cafeína [embora contenha glúten] então dá pra beber à noite. Pode ser servido com ou sem açúcar/adoçante e pode prepará-lo por infusão também – nesse caso a cor e o sabor ficam mais  fortes. Além de hidratar, o mugicha [pronuncia-se múgui-tchá] é bom pra aliviar o stress e [dizem] para limpar as impurezas do sangue.

Eu bebo é pra combater o calor mesmo. ;)

Imagem: Just Hungry

Karinto

Karinto coberto de açúcar

Karinto coberto de açúcar

Estava a assistir Iron Chef ontem e o ingrediente era udon. Dos onze pratos apresentados nenhum atiçou muito a Jurema, mas metade de um me deu vontade de comer karinto: um dos chefs fez uma sobremesa que foi complementada com um fio de udon frito coberto de açúcar.

Karinto é um tipo de biscoito frito, doce ou salgado. A massa leva basicamente farinha de trigo, água, fermento e açúcar – eu gosto mais dos que acrescentam gergelim. Tem em bolinhas, tirinhas [como espaguete cortado], retângulos achatados ou em forma de… de… bom, de cilindros curtos levemente curvados.

Como diz esse site, não se deixe enganar pela aparência: às vezes o karinto parece outra coisa.

Os que a gente compra no Tenryu e na Shoubai de Marília parecem minhocas fritas. :lol:

No blog Mão na Massa tem a receita do karinto salgado em português, e no site da Momiji Health Care Society tem a receita do karinto doce em inlgês.

Imagem: Yokohama Kaidashi Kikou