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Desafio Literário | As Filhas Sem Nome

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O segundo livro da jornalista Xinran é baseado na vida de três jovens que ela conheceu enquanto fazia seu programa de rádio, direcionado para denunciar as subcondições em que viviam as mulheres na China pós-Revolução Cultural. A história se passa entre 2001 e 2004 e centra-se nas trajetórias de Três, Cinco e Seis, que tinham então de 17 a 20 anos de idade. As garotas são filhas de camponeses: o pai envergonhava-se tanto delas que nem ao menos deu-lhes um nome, chamando-as pela ordem de nascimento.

[Eu lembrei tanto do Charlie Chan e seus incontáveis filhos...]

Para os camponeses, filhas são palitinhos [hashis, em japonês; não sei como se chamam em mandarim] que se usam e jogam fora, enquanto filhos são cumeeiras que sustentam o telhado. Esse pensamento persiste mesmo no século 21 dentro das comunidades isoladas do interior, onde as pessoas são ou analfabetas ou preferem manter o status quo como é o caso dos tios das garotas, membros da autoridade destinada a fiscalizar a lei do filho único que fazem vista grossa para muitas desobediências civis.

O Tio Número Dois trabalha em outra cidade ao sul e, por viajar e conhecer uma comunidade maior, se compadece do destino da sobrinha Três. Ele a leva para Nanjing [Nanquim, na grafia portuguesa arcaica] e lá ela logo arruma emprego em um pequeno restaurante fast-food de comida chinesa. O livro poderia até encaixar-se em janeiro, mês da Literatura Gastronômica, porque muitos quitutes típicos são citados junto com a sua região de origem. Também se encaixa no tema dos Fatos Históricos porque, apesar de ser contemporâneo, aborda a Revolução Maoísta cujos efeitos ainda são percebidos pela população chinesa.

Três é bem-sucedida no emprego e em menos de um ano consegue o equivalente a dois anos de lucro do pai no campo, o suficiente para que ele consinta em liberar as filhas Cinco e Seis para irem a Nanjing. O choque cultural é uma das facetas abordadas mais a fundo neste romance, especialmente quando as meninas descobrem sua voz, seu lugar no mundo. Pela primeira vez elas são tratadas como indivíduos e essa autodescoberta as faz repensarem o papel do pai e da mãe em suas vidas.

As Filhas Sem Nome é uma leitura bem mais leve e otimista do que As Boas Mulheres da China, mais humorada até. A autora continua a criticar as leis e costumes que degradam a mulher, mas vê as mudanças que ocorrem a partir dos grandes centros urbanos graças à interação dos chineses com os estrangeiros e às próprias mudanças internas, como o fim da exigência de autorização para viajar de uma cidade a outra.

Um ponto negativo, pra mim, é que a vida das garotas na cidade grande acontece sem dissabores maiores do que o tal choque cultural.  Talvez a escritora tenha optado por não desgraçar mais ainda uma situação que já era humilhante, mas mesmo com subempregos e dificuldades as garotas contaram com uma dose extra de sorte. O final acabou meio aberto – meio porque Xinran acabou contando no epílogo o que soube de cada uma das três após os fatos narrados no livro, a pedido da tradutora inglesa Esther Tyldesley.

Apesar de os habitantes locais fazerem piadas sobre a Senhora do Tofu, também reconheciam que o coração dela era mais quente do que seu wok de óleo fervente. Ela jamais aceitava dinheiro de crianças que quisessem fazer uma boquinha e não tolerava ver garotas de famílias pobres serem importunadas. Se uma moça do interior em busca de emprego parasse na loja para perguntar como se ia até o grande salgueiro, a Senhora do Tofu a obrigava a sentar e comer vários espetinhos de cubos de tofu fedorento cravados em bambu antes de deixá-la prosseguir no seu caminho — sem sequer fazer uma pausa para perguntar se a garota gostava da iguaria. [Companhia das Letras]

Sobre a autora
Nasceu em Pequim, em 1958. Trabalhou em Nanquim até 1997, quando a impossibilidade de publicar na China o seu relato fez com que se mudasse para Londres com seu filho. Casada com um inglês, leciona atualmente na School of Oriental and African Studies da Universidade de Londres.

Nota de 1 a 5: 4

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2012 [v. lista de livros agendados], tema Escritor[a] Oriental.

Blog do Desafio Literário

Título: As Filhas Sem Nome
Título original: Miss Chopsticks [Inglaterra/2007]
Autora: Xinran
Tradução: Caroline Chang
Ano: 2010
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 296

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Desafio Literário | The Unofficial Harry Potter Cookbook

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No ano passado eu falhei com o DL e estava meio jururu de participar de novo. Quando saiu a lista dos temas mensais bati o olho em janeiro, dei um grito e decidi confirmar minha inscrição no ato, a cabeça correndo pra escolher um dos muitos livros do gênero literatura gastronômica que eu quero ler. Quando montei a lista prévia escolhi dois, mas acabei lendo um que não estava na prévia e sim na minha estante de desejados no Skoob.

Em The Unofficial Harry Potter Cookbook a autora norte-americana Dinah Bucholz compilou quase todos os alimentos e bebidas citados nos livros da série Harry Potter, da inglesa J. K. Rowling, e pesquisou, criou ou adaptou as receitas. Algumas ausências ocorrem por conta dos direitos autorais [a cerveja amanteigada, por exemplo], enquanto outras podem representar um desafio para o mestre-cuca brasileiro por causa dos ingredientes requeridos já que ela usa os disponíveis nos EUA.

Uma das regras do DL para o tema é que não valem livros exclusivamente de receitas, e esse cookbook cumpre a regra: a autora indica o livro e o capítulo em que cada prato aparece, comenta a passagem do livro e ainda fornece informações sobre o alimento em si. Eu adorei saber que o sundae surgiu depois da Vaca Preta por causa de uma lei que proibia as sorveterias de venderem ice ceam soda aos domingos, para respeitar o descanso religioso. Bom, e se a gente tirar o refrigerante e vender só o sorvete com a calda? A lei não diz nada sobre isso…Também adorei saber que a palavra inglesa jam vem do francês j’aime [eu amo].

É exatamente o modelo que eu usei na cozinha da A Casa Torta com os livros da Agatha Christie e  na coluna semanal pro TeleSéries!

As 150 receitas estão divididas em dez capítulos temáticos:

1. Good Food with Bad Relatives

Coisas preparadas e servidas na casa dos Dursley, na maioria, mas também tem receita de sorvete de chocolate e do picolé de limão que os tios compraram para Harry na visita ao zoo.

2. Delights Down the Alley

Quitutes encontrados no Beco Diagonal, no Caldeirão Furado, na sorveteria de Florian Fortescue, etc.

3. Treats from the Train

Capítulo praticamente só de doces, inspirado no conteúdo do carrinho do Expresso de Hogwarts.

4. Recipes from a Giant and an Elf

Se eu já não estivesse gostando do livro, seria aqui que a autora me ganharia de vez ao dedicar um capítulo inteiro a Hagrid e a Monstro. Ela demonstra mais uma vez que é uma verdadeira fã dos livros, oferecendo pontos de vista de quem os leu a fundo.

5. The Favorite Cook’s Dishes

É claro que não podia faltar a melhor cozinheira do mundo num livro de receitas do universo Harry Potter: Molly Weasley. Não cheguei a contar as páginas, mas deu a impressão de ser o capítulo mais longo.

6. Breakfast Before Class

O café da manhã britânico é famoso, e neste capítulo a autora desvenda tudo o que é servido de manhã no Grande Salão de Hogwarts.

7. Lunch and Dinner in the Dining Hall

Sequência do anterior, este capítulo aborda os almoços e jantares em Hogwarts.

There are a zillion and one ways to prepare potatoes, and it seems as though at least half of them are mentioned in the Harry Potter books.

8. Desserts and Snacks at School

Quer dar um palpite sobre qual é o tema deste capítulo? Acho que engordei dois quilos só de ler. :lol:

9. Holiday Fare

Pratos típicos de Natal, Halloween e Páscoa.

10. Treats in the Village

The Village, no caso, é Hogsmeade, portanto a autora aborda os doces da Dedos de Mel.

Dinah Bucholz tem um estilo leve e bem-humorado que torna a leitura viciante; é difícil parar de ler e eu gosto imenso de como ela associa os ingredientes das receitas aos ingredientes das poções mágicas e de como o próprio ato de cozinhar, de transformar esses ingredientes em algo novo, é também mágico por si só. Para uma fã da saga Harry Potter feito eu, então, é indispensável. As receitas variam de grau de dificuldade dos mais fáceis, que podem ser preparadas pelas crianças, até o mais difíceis – como a tortinha de caramelo e o fudge.

O texto é enriquecido com truques de cozinha e dicas de substituição que ajudam um bocado, mas mesmo assim há alguns problemas para o leitor brasileiro: ingredientes difíceis de achar no país em algumas [poucas] receitas; medidas no padrão norte-americano [contornados por qualquer conversor online, mas que exigem atenção, de qualquer forma]; a tradução. Tem muita coisa citada ali que eu absolutamente não me lembro de ter lido nos livros Harry Potter porque eu os memorizei em português; terei de reler os sete volumes em inglês para encontrá-los.

Outro atrativo enorme do texto de Bucholz é que ela se esforça para explicar ao leitor não-britânico a origem dos pratos e costumes típicos ingleses que são retratados nos livros da série Harry Potter – isto permite que o leitor entenda e mergulhe ainda mais na história criada por J. K. Rowling, em um nível diferente. Além de ser uma homenagem a HP, é também um desagravo à culinária inglesa, que tem uma má fama injustificada, conforme fica claro após ler esse cookbook.

Livros de receita baseados em obras de ficção tornaram-se um nicho de público recentemente; dos que sei que existem e quero ler estão os cookbooks de True Blood, Família Sopranos, Sherlock Holmes, romances policiais, The Hunger Games e A Song of Ice and Fire, além de outro livro dedicado a Harry Potter chamado A Wizard in the Kitchen e um terceiro também intitulado The Unofficial Harry Potter Cookbook, só que de autoria de Gina Meyer. Tem o da Nanny Ogg [Discworld], que já li. Tem de Twilight também, mas não bateu vontade de ler esse. Dinah Bucholz está para lançar seu segundo cookbook, desta vez baseado na obra de C. S. Lewis e o universo de Nárnia.

So the book is meant for children then? Or Potter fans of any age?
[Dinah Bucholz] It’s for anyone who loves Harry Potter. It is being marketed for kids but I have to say some of the recipes aren’t for kids to make. Some of them shouldn’t be attempted at all by children – like the sugar recipes that require boiling the sugar. One of the reasons I did all that research was to make it an interesting book to read for Harry Potter fans, even the fans who are not into cooking. But I do think it’s a great book to read for Harry Potter fans of all ages. [New Times, 14/7/11]

Dinah Bucholz prepara Tortinhas de Abóbora

Link http://www.dailymotion.com/video/xjx4fu_pumpkin-pasties_news

Nota de 1 a 5: 5

Este post faz parte da blogagem coletiva Desafio Literário 2012 [v. lista de livros agendados], tema Literatura Gastronômica.

Blog do Desafio Literário

Título: The Unofficial Harry Potter Cookbook
Subtítulo: From Cauldron Cakes to Knickerbocker Glory — More Than 150 Magical Recipes for Wizards and Non-Wizards Alike
Autora: Dinah Bucholz
Ano: 2010
Editora: Adams Media
Páginas: 256

Bônus: duas receitas de cerveja amanteigada em português brasileiro [Garotas Geeks] e Google Preview do livro [Cultura].

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Sopa de cebola da Sra. Weasley

Meme | Retrospectiva Literária 2011

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Pelo segundo ano consecutivo, o PdUBT participa da Retrospectiva Literária proposta pela Angélica, do blog Pensamento Tangencial. Em 2011, além de ler muito menos do que o normal e faltar aos desafios literários, ainda baguncei meu histórico de leitura no Skoob ao [tentar] adicionar os livros que me lembrava de ter lido durante toda minha vida, por isso minha participação neste ano está igualmente um pouco desorganizada.

O livro infanto-juvenil que mais gostei: 

Foi o primeiro do ano – Os Pequenos Homens Livres, Terry Pratchett [post].

A aventura que me tirou o fôlego:

Reflexos do Baile, Antônio Callado [post].

O terror que me deixou sem dormir:

Não li terror em 2011. E não me lembro de ter lido um livro terrível, tampouco. :lol:

Oh, lembrei! Li Sétimo do André Vianco [post]!

O suspense mais eletrizante:

O Clube dos Anjos – Luís Fernando Veríssimo

O romance que me fez suspirar:

To Sir Philip, With Love – Julia Quinn [post]

A saga que me conquistou:

Os oito livros da série Bridgerton, da Julia Quinn [ainda falta ler os três últimos]

O clássico que me marcou:

A Revolução dos Bichos – George Orwell [post]

O livro que me fez refletir:

Grandes Esperanças, Charles Dickens [post]

O livro que me fez rir:

The Importance of Being Earnest – Oscar Wilde [post]

O livro que me fez chorar:

O Meu Pé de Laranja Lima – José Mauro de Vasconcellos [post]

O melhor livro de fantasia:

Coisas Frágeis, vol. 1 e 2 – Neil Gaiman

O livro que me decepcionou:

Mentes Perigosas – Ana Beatriz Barbosa Silva

O livro que me surpreendeu:

Harry e Seus Fãs – Melissa Anelli [post]

A frase que não saiu da minha cabeça:

“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.” [ORWELL, George. A Revolução dos Bichos]

O(a) personagem do ano:

Tiffany Aching [Dolorida, em pt-br] de Os Pequenos Homens Livres – Terry Pratchett.

O casal perfeito:

Sam Vimes e Lady Sybill [Night Watch, Terry Pratchett, que não terminei de ler].

O(a) autor(a) revelação:

O melhor livro nacional:

Shindo Renmei – Terrorismo e repressão, Rogério Dezem [post]

O melhor livro que li em 2011:

Agatha Christie’s Secret Notebooks: Fifty Years of Mysteries in the Making, John Curran [post]

Li em 2011 42 livros.

A minha meta literária para 2012 é: v. o post de ontem. ;)

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Meme | Minha Meta Literária 2012

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A Lulu Coruja convocou o PdUBT a participar do meme Minha Meta Literária 2012, proposto pela Natallie do blog O Fantástico Mundo da Literatura. Como amanhã deve sair o post da retrospectiva literária, achei legal publicar o da expectativa literária perto pra fazer conjunto, tipo saleiro + pimenteiro. As regras são simples: avisar que participará do meme num comentário no blog da Natallie até o dia 31 de janeiro de 2012 e responder a sete questões.

- Minha Booklist de 2012

Pretendo ler no mínimo dois livros por mês: os doze exigidos pelo Desafio Literário mais um aleatório. Não especificarei aqui porque não tenho nada programado, nem a lista do DL.

- A primeira leitura do ano

The Unofficial Harry Potter Cookbook, Dinah Bucholz – para já dar conta do tema do mês do DL e porque estava à procura desse livro há meses desde que descobri sua existência no Skoob.

- Lançamento nacional do ano

Falar de lançamentos é difícil porque não acompanho notícias editoriais. A única que sei que publica livro novo todo ano e que fico esperando é a Zíbia Gasparetto, porque é o presente de Natal pra dona mãe.

- Lançamento internacional do ano

Oh, esse é fácil: The Long Earth, Terry Pratchett e Stephen Baxter. Será a estreia de Sir TP no gênero ficção científica e está previsto para junho [SFX].

- A continuação de saga mais esperada

O próximo volume das Crônicas de Gelo e Fogo do George R. R. Martin. Nem comecei a ler a série ainda, mas a ansiedade é contagiante.

- O final de saga mais esperada

Hm… Idem?

- A quem eu indico esse meme (10 blogs)

Essa é a parte que geralmente me aperta nos memes, então deixo em aberto o convite pra todo mundo que quiser participar.

Agatha Christie e os serial killers

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L&PM

A Lulu Coruja comentou lá no post dela pro Desafio Literário que estava a fim de escolher um Agatha Christie pro mês dedicado a serial killers, mas já tinha lido Os Crimes ABC. Lembrei de um outro [E Não Sobrou Nenhum, antigo O Caso dos Dez Negrinhos] – que ela também já leu.

Daí fiquei matutando: verdade, titia Agatha quase não investiu no tema em seus mais de 60 romances e inúmeros contos. Tem assassinatos múltiplos, claro, porém são mais na linha “silenciar uma testemunha ou alguém que suspeita do primeiro crime” ou para eliminar uma sucessão de obstáculos a um objetivo.

Minha impressão é que a escritora valorizava mais as vítimas dos que os criminosos. Muita vez seus detetives criticavam os que pensavam diferente: a investigação da maioria dos casos tinha como objetivo limpar os inocentes das suspeitas. Ao contrário do que vemos atualmente, ela não fazia um jogo de gato e rato em que o detetive tem de provar que é mais inteligente do que o criminoso. O mais próximo disso a que ela chegou foi justamente em Os Crimes ABC, em que Hercule Poirot é desafiado a identificar e capturar um assassino em série que usa um guia ferroviário para escolher suas vítimas, o ABC Railway Guide.

Definição de assassino em série/serial killer: O FBI define um serial killer como uma pessoa que mata três ou mais vítimas, com períodos de “calmaria” entre os assassinatos. Isto os separa dos assassinos em massa, que matam quatro pessoas ou mais ao mesmo tempo (ou em um curto período de tempo) no mesmo local, e dos assassinos turbulentos, que matam em vários locais e em curtos períodos de tempo. Os serial killers geralmente trabalham sozinhos, matam estranhos, e matam por matar (diferentemente dos crimes passionais). Geralmente os serial killers demonstram três comportamentos durante a infância, conhecidos como a tríade MacDonald: fazem xixi na cama, causam incêndios, e são cruéis com animais. [HowStuffWorks]

A gratificação que conseguem é psicológica, não material, e eles são desconectados das vítimas, isto é, para eles as vítimas não têm humanidade ou individualidade.

Globo

Em E Não Sobrou Nenhum, dez pessoas são convidadas sob diversos argumentos para uma temporada numa ilha. O assassino incógnito acusa cada uma de um crime passado e começa a eliminá-las seguindo os versos de uma cantiga infantil. É o romance de mistério mais vendido no mundo. Titia Agatha adaptou-o para o teatro e a mulher era tão danada que mudou o final – assim, quem leu o livro e foi ao teatro foi surpreendido pela Duquesa da Morte. De novo.

A questão do intervalo de tempo na definição do FBI invalidaria classificar esse livro na categoria de serial killer, mas para o Instituto Nacional de Justiça dos EUA o intervalo pode variar de horas a anos, então sim, é um romance sobre serial killer.

Depois puxei mais um pouco pela memória e lembrei de mais quatro histórias em que os assassinos cometeram crimes em série. O problema é que em três  livros isso faz parte da solução final, ou seja, se eu identificá-los aqui estaria cometendo um baita spoiler ao contar qual o padrão, pois isso exporia a identidade de quem perpetrou os assassinatos.

Se você não liga pra spoilers ou já leu tudo da Tia Agatha, clique e arraste aqui pra ver quais são –> Morte na Praia, Cai O Pano e Mistério no Caribe <– fim dos spoilers.

De modo geral, os romances policiais de Agatha Christie são do gênero confortável, em que os criminosos são punidos [de uma forma ou de outra], os inocentes inocentados e as vítimas recebem justiça, ao mesmo tempo em que se tenta evitar um clima “justiceiro”. A justiça é aplicada pelas autoridades.

As autoridades no Irã afirmam que uma mulher acusada de ter matado pelo menos seis pessoas disse que se inspirou nos romances policiais da escritora inglesa Agatha Christie. [BBC, 24/5/2009]

L&PM

O terceiro livo em que a Dama do Crime aborda serial killers que eu posso mencionar livremente sem estragar o final é o romance É Fácil Matar. O título em si já deixa claro a natureza desumana do assassino em série [Murder Is Easy, no original em inglês]. Na trama, um policial aposentado viaja de trem [obsessão da autora] na mesma cabine que a simpática velhinha Miss Pinkerton, que lhe lembra muito de uma tia querida.

Miss Pinkerton está preocupada com alguns acidentes ocorridos em  seu vilarejo e está a caminho da Scotland Yard. Ela parece aflita porque acha que sabe quem é a pessoa que cometeu os crimes e qual a próxima vítima, e Luke espera que os policiais a tratem com respeito na Yard, embora ache que são preocupações sem fundamento de uma velhinha meio caduca. Ele chega a pensar mesmo que a polícia deve ter um departamento só para atender a tia de alguém.

No dia seguinte, ele lê no jornal que Miss Pinkerton morreu atropelada antes de chegar à Scotland Yard e decide partir para Wychwood-under-Ashe para investigar. O livro não está entre as obras-primas da escritora, mas é uma diversão honesta e tem até uma boa porção de romance.

Está aí. Não sei se a Lulu leu este último, mas ficam as três dicas para quem participa do Desafio e precisa de ideias leves neste tema pesado.

Novos episódios das séries Poirot e Marple em 2012

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Confirmando rumores lançados pelo ator David Suchet, o canal de TV britânico anunciou as gravações dos cinco últimos trabalhos do detetive belga criado pela escritora Agatha Christie para 2012: Os Trabalhos de Hércules, A Extravagância do Morto, Os Quatro Grandes, Elefantes Não Esquecem e Cai O Pano, o derradeiro caso de Poirot. Ainda não se tem certeza se Hugh Fraser retornará para o papel do Capitão Hastings em Cai O Pano, mas Suchet espera que sim:

A ITV também anunciou mais três episódios de Marple estrelados por Julia Mckenzie: Mistério no Caribe, Noite Sem Fim e O Mistério dos Sete Relógios. Dos três, apenas Mistério no Caribe é um livro originalmente centrado em Jane Marple, os outros dois serão adaptações livres. Isso já vem sendo feito há algumas temporadas.

Pessoalmente, acho esse tipo de adaptação ruim, não gostei de nenhuma das que vi. Mas eu xingo a ITV e continuo assistindo, então por mim tá ótimo!

Fonte: The Stage

Prévia | Desafio Literário 2012

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Desafio Literário 2012

Apesar de eu estar atrasada no cumprimento da atual edição do DL [faltam as leituras e resenhas de setembro, outubro e novembro], a divulgação do regulamento e dos temas da edição 2012 devem me dar um gás para corrigir essa situação – pelo menos espero que sim. ;)

Desta  vez escolherei a categoria Leitor Bronze [12 livros, um por mês]. Em 2011 assumi mais compromissos e as coisas acabaram se acumulando; o objetivo do DL é diversão - com alguma disciplina, claro -, não obrigação. Os novos temas ajudam bastante, estão mais variados. E nem o fim do mundo é desculpa pra não participar, afinal está marcado pro final de dezembro, dá tempo perfeitamente.

Regulamento do Desafio Literário 2012

As inscrições devem ser registradas lá no blog do DL entre 9/11 e 15/12. Uma alteração que eu gostei foi que a lista de leitura ficou mais flexível, este ano mudei muitos livros da minha lista original.

Desafio Literário, o que é?
Uma gincana literária cuja tarefa principal é ler um MÍNIMO de 12 livros em 01 ano. A cada mês, um tema de leitura diferente e estimulante dentre o vasto universo de vertentes, estilos e gêneros da literatura.

Agenda e Temas DL 2012

A flexibilidade da lista atual desafogou um pouco aquela tensão de montar a agenda de leitura pro próximo ano, mas assim mesmo seguirei o protocolo publicando minha lista prévia agora, na abertura das inscrições, e a definitiva-pero-no-mucho no encerramento. Precisarei de ajuda pra completar. :)

Janeiro 2012: Literatura Gastronômica
ATENÇÃO: Livros contendo apenas receitas não valem.

Aaadorei! Já li O Não Me Deixes [Rachel de Queiroz], Como Água Para Chocolate [Laura Esquivel], O Clube dos Anjos [L. F. Veríssimo], Nanny Ogg’s Cookbook [Terry Pratchett] e agora tou matutando no que escolher; a Telinha sugeriu Nina Horta, vou procurar na biblioteca. Se não achar, acho que vou de The Help da Kathryn Stockett.

LIDO: The Unofficial Harry Potter Cookbook – Dinah Bucholz [post]

Fevereiro 2012: Nome Próprio (de pessoas)
ATENÇÃO: apenas nome próprio de pessoas!

Esse é fácil: vou de Emma, da Jane Austen, e/ou Shirley de Charlotte Brontë. Ou Naomi do Junichiro Tanizaki. Ou pegarei Pamela [Samuel Richardson] emprestado de hermã. Já li Luciana Saudade do Carlos Heitor Cony, mas mesmo se não tivesse não sei se entraria por causa da cláusula “apenas nome”.

Março 2012: Serial Killer

Também é fácil: Dearly Devoted Dexter do Jeff Lindsay, o segundo volume da série que deu origem à série Dexter, e/ou O Silêncio dos Inocentes do Thomas Harris. Pra quem ainda não leu, sugestão: Os Crimes ABC, da titia Agatha Christie, e O Psicopata Americano do Brett Easton Ellis.

Abril 2012: Escritor(a) oriental

Aqui tem muita opção, tenho de escolher com calma. O que é quase certeza é que escolherei um japonês por causa da minha ascendência.

Maio 2012: Fatos Históricos
Frisando, apenas romances. Não valem livros de História Geral, nem biografias.

Tocaia Grande, Jorge Amado; mas aceito sugestões.

Junho 2012: Viagem no Tempo

A Tale of Time City, Diana Wynne Jones.

Julho 2012: Prêmio Jabuti [Livro do Ano e Romance]

O Grande Mentecapto, Fernando Sabino [Romance 1980].

Agosto 2012: Terror

Neil Gaiman, H. P. Lovecraft ou…?

Setembro 2012: Mitologia universal

Percy Jackson ou Monteiro Lobato, ou…?

Outubro 2012: Graphic Novel
ATENÇÃO: não valem gibis, aqueles de periodicidade mensal.

V for Vendetta, Alan Moore.

Novembro 2012: Escritor(a) africano

Sugestões?

Dezembro 2012: Poesia

Romanceiro da Inonfidência, Cecília Meirelles, e/ou A Vaca e o Hipogrifo do Quintana. Ain, hipogrifo, tifofo…

Formulário de Inscrição para o DL 2012

Hallowe’en Party

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David Suchet e Zoe Wanamaker em Hallowe'en Party

David Suchet e Zoe Wanamaker em Hallowe'en Party

“- O senhor sabe o que é uma festa de Halloween, na véspera de Todos os Santos?
- Eu sei o que é Halloween – disse Poirot. – É o dia 31 de outubro. – Piscou os olhos ligeiramente, ao dizer: – Quando as bruxas voam em cabos de vassouras.”
Agatha Christie, A Noite das Bruxas, trad. Edilson Alckmin Cunha. L&PM. 2010.

George: Not enjoying it, sir?
Hercule Poirot: It is the subject matter, George. It is distasteful. Poirot, he has seen much evil in this world. It should not be the subject of such mockery. Halloween is not a time for the telling of the stories macabre, but to light the candles for the dead. Come, mes amis, let us do so.
Agatha Christie’s Poirot: Hallowe’en Party, episódio 3, temporada 12. ITV. 2010.