De 2001 para 2011

Em 11/09/2001 estávamos @technosoftnavas, @andrerissatto e eu fazendo a migração do servidor de @siteantidrogas desde as primeiras horas da manhã, quebrando a cabeça porque DNS parecia não responder. Só depois de telefonar pro suporte técnico do backbone descobrimos que havia um estrangulamento no tráfego da Internet por causa das notícias sobre o atentado terrorista: as páginas iniciais dos principais sites de notícias estavam limpos dos elementos visuais para dar conta dos acessos, e mesmo assim demoravam para carregar.

Em 01/05/2011 estávamos @technosoftnavas, eu e milhares de pessoas descobrindo pelo Twitter e Facebook sobre a morte de Osama bin Laden, líder da Al Qaeda responsável pelos atentados, antes de qualquer portal de notícias ou canal de tv brasileiro, assistindo ao pronunciamento do presidente Barack Obama em streaming pelo site da Casa Branca.

A História é feita de momentos, pois pois?

Global Voices: de Cala boca Galvão a serendipity

Como Ethan Zuckerman ligou o fenômeno de ativismo virtual “Cala boca Galvão” à iniciativa internacional Global Voices, um grupo de voluntários que escolhem artigos na blogosfera e no noticiário local e os traduzem para o maior número de idiomas possível.

O vídeo dura quase vinte minutos, mas carrega rápido e é muito interessante.

Link http://www.ted.com/talks/lang/eng/ethan_zuckerman.html

O vídeo só tem opção de legenda em inglês por enquanto [clique no subtitle ali na parte de baixo do player], mas isso já ajuda um bocado se o seu listening é meio maluco feito o meu.

serendipity
s. capacidade de fazer descobertas importantes por acaso
Fonte: Babylon

Site do Global Voices em português

* Agradeço à Diana Pádua pela dica!

Carisma desliga cérebro

Nããão, estão roubando meu cérebro!

Nããão, estão roubando meu cérebro!

“Quando caímos sob os encantos de uma figura carismática, as áreas do cérebro responsáveis pelo ceticismo e atenção tornam-se menos ativas. Usando imagens de ressonância magnética, cientistas escanearam os cérebros de vinte pessoas neopentecostais e de vinte não-evangélicos enquanto ouviam orações gravadas. Disseram aos voluntários que seis orações foram lidas por um não cristão, seis por um cristão comum e seis por um “curador” [pessoa que acredita-se ter poderes de cura, sabedoria e de profetizar]. Na verdade, todas foram lidas por um cristão comum.

Apenas os cérebros das pessoas devotas apresentaram alteração em resposta às orações. Partes dos córtex que têm papel chave na vigilância e ceticismo ao julgar a veracidade e a importância do que as pessos dizem foram desativados quando o sujeito ouvia o suposto curador. As atividades [cerebrais] diminuíam menos quando o orador era supostamente um cristão comum.

O pesquisador Uffe Schjødt diz que isso explica porque determinados indivíduos conseguem obter influência sobre outras pessoas, e conclui que sua habilidade para fazer isso [influenciar pessoas] depende massivamente das noções preconcebidas da sua autoridade e do quanto é digno de confiança.

Não está claro se os resultados podem se estender além da liderança religiosa, mas o pesquisador se pergunta se aquelas regiões cerebrais podem ser desativadas do mesmo modo em resposta a médicos, pais e políticos.” [New Scientist, 27/04/10, tradução livre]

Eu acredito que sim, os resultados da pesquisa podem ser extrapolados tanto para outras religiões quanto para [e principalmente] a política. Claro que essa minha opinião não tem nenhum fundamento científico, é baseada apenas na observação empírica da minha timeline do Twitter e na nota da profa cãpanheira, tão fácil de manipular… :lol:

Interrompemos nossa programação normal…

Quem acompanha este blogue há algum tempo deve ter percebido que evito comentar catástrofes, desastres, infortúnios e mesmo alguns desencantos. Em parte porque a proposta deste espaço é divertir e em parte porque acho que a exposição contínua apenas às durezas da vida embrutece o cerumano enquanto gente.

Só que tem horas que a coisa urge.

Advertência: a partir deste ponto o tema é chato. Se preferir, retorne amanhã, quando publicarei as Domingueiras antecipadas por conta do SAG Awards.

Se prefere continuar lendo, clicaí no “Leia o resto deste post.”

Continuar lendo

“Eles são gente também”

Estava a ler algumas reações ao comentário do Boris Casoy a respeito da presença de garis numa reportagem [não assisti ao vivo nem vi o vídeo], quando me lembrei da crônica natalina de um companheiro de grupo empresarial dele, o Salomão Schvartzman. Eu confesso que presto pouquíssima atenção nessas crônicas porque mal consigo entender o que ele diz, soa mais como mumble-mumble.

Nessa em questão eu consegui ouvir – mas antes não tivesse. Com a escusa de reclamar dos pedidos de caixinha de natal, o Sr. Salomão listou vários profissionais que, segundo ele, “só aparecem nesta época do ano com as famigeradas caixinhas”. Lembro bem dele dizendo que os lixeiros só serviam para acordá-lo de seu sono quando passavam com os caminhões barulhentos pela sua rua, de madrugada.

Pense em antipatia imediata: foi o que senti pelo jornalista na hora. Aliás, falando em jornalista, teve um que escreveu um livro, não teve, sobre essas pessoas invisíveis? Porteiros, ascensoristas, garis, manicures, faxineiras, carteiros… Tou tentando lembrar do nome dele. E tem aquela moça francesa também, a Anna Sam, que escreveu um livro sobre as atribulações de uma caixa de supermercado.

Por um lado, fiquei contente com o nível de indignação que o comentário do Casoy levantou. Eu trabalhei com atendimento ao cliente, sei bem o que é não ser considerado humana por estes seres superiores – motivo pelo qual nunca atendia mal quando recebia chamada de telemarketing em casa, ou quando sou eu que preciso ligar para algum SAC. Mas será que tem que ser assim, só depois de passar por experiências parecidas é que a pessoa passa a enxergar o próximo como outra pessoa?

After having an awful day at work I went shopping. At the counter in one store there was a sign that read “Please be nice to the staff. They are people too” [It Made My Day]

Depois de um dia horrível no trabalho eu fui às compras. No balcão de uma loja tinha uma placa em que se lia “Por favor, seja gentil com os funcionários. Eles são gente também.”[tradução livre]

[Interativa] Apagão

Às vezes é necessário parar e cheirar as flores.

Às vezes é necessário parar e cheirar as flores.

O apagão de ontem foi o segundo em menos de uma semana, aqui na rua de casa. Na sexta-feira passada ficamos sem energia durante uma hora e meia mas foi localizado, meia dúzia de ruas, dava até pra ver que os postes públicos estavam iluminados pra cima e pra baixo.

O de ontem durou mais de cinco horas – e não quatro “conforme cálculos do Ministério”; ou então o Ministério não sabe fazer conta: começou pouco depois das 22h, terminou pouco depois das 3h. Vamos lá, Ministério, só precisa dos dedos de uma mão pra fazer as contas.

O lado positivo é que a gente já sabia direitinho onde tinha guardado as velas, e a lanterna do rádio estava com pilhas novas [nosso radim de pia é um conjugado rádio + lanternas + tv + sirene], só não dava pra ouvir o rádio, hehe.

Só hoje de manhã soubemos da extensão do problema. Mas, ó, perdoa minha implicância natural que aflorou quando li essa notícia na Folha de SP que diz assim:

Segundo a assessoria, a região mais afetada foi a Sudeste, onde todos os Estados –São Paulo, Rio, Minas e Espírito Santo– tiveram problemas, já no Sul do país, o blecaute atingiu os três Estados –Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. [Folha, 11/11/09]

Eu não entendi a construção da frase: se o redator considera que a região sudeste foi a mais afetada porque o apagão atingiu todos os Estados, e o apagão afetou todos os Estados da região sul também, o que a torna menos afetado do que a região sudeste?

Enfim.

Em Pedra Lascada parece que não teve grandes problemas de crime, apenas um furto à farmácia da prefeitura [um computador] “por parte de pessoas do mal”, segundo o porta-voz da polícia. Pelo menos não levaram os medicamentos.

E tu? O que fazia na hora, como foi na sua cidade?

Imagem: I Haz a Hotdog

* Sim, o título do post é copiado do @realwbonner.

O Estado laico, a liberdade de expressão religiosa e os feriados bancários

Miguelito, o computador, é monomaníaco. Nesta última semana apenas um tema atraiu sua atenção e acabou por juntar uma coleçãozinha de links que vou compartilhar com quem mais tiver interesse – e são poucos, a julgar pela contabilização de acessos dos links que postei no Twitter via Bit.ly. ;)

No princípio era o Verbo: um procurador da República entrou com ação exigindo a retirada de símbolos religiosos dos locais de atendimento ao público da União, baseado na laicidade [teórica] do Estado. Essa ação foi motivada pela reclamação formal de uma pessoa que se sentiu discriminada, feita ao Procurador Regional dos Direitos do Cidadão de Marília/SP.

O uso de símbolos em repartição públicas, na avaliação do procurador Jefferson Aparecido Dias, fere os princípios da impessoalidade, da moralidade e da imparcialidade, que estão ligados ao tratamento igual para todos. Para ele, ao usar um símbolo de determinada religião as de mais estão sendo discriminadas. [O Globo, 04/08/09]

A Constituição Federal garante esses princípios quando estabelece que o Estado não é regido por nenhuma religião específica.

Continuar lendo