E Meu Oscar Vai Para… All About Eve / A Malvada

DVD

No ano passado participei de uma blogagem coletiva em que as pessoas escolhiam um filme ganhador do Oscar para comentar. Gostei da ideia e vou repetir a experiência.

Antes de assistir ao filme A Malvada [All About Eve, EUA/1950] eu achava que a Betty Davis era a malvada do título. Ela tinha a fama de ser uma pessoa difícil de lidar, cê sabe, com muitos desafetos. O início do filme parecia confirmar essa impressão: numa cerimônia de premiação, o crítico teatral Addison DeWitt [George Sanders] conta a trajetória da premiada em flashback a partir do momento em que Margo Channing [Davis] conhece Eve Harrington [Anne Baxter].

Margo é uma atriz de teatro já consagrada, a ponto de ter peças escritas especialmente para si. O dramaturgo Lloyd Richards [Hugh Marlowe] e sua esposa Karen [Celeste Holm] são amigos de Margo e seu namorado Bill Sampson [Gary Merrill]. Eve apresenta-se como fã ardorosa e logo cativa a todos, especialmente a diva Margo. Os únicos a desconfiar de tamanha dedicação são o próprio Addison DeWitt e Birdie [Thelma Ritter], a desbocada criada e membro único da entourage de Margo até a atriz contratar Eve como assistente pessoal.

Margo beira os 40 anos, tem personalidade forte e dura, é áspera com as pessoas, especialmente quando está insegura. Eve é jovem, suave, meiga e indefesa – das duas, é a mais perigosa.

Aos poucos, Eve passa a minar a vida inteira de Margo, manipulando todos à sua volta. De certa forma, o filme Mulher Solteira Procura [Single White Female, EUA/1992] me lembra bastante da trama de A Malvada, só que o caso da personagem da Jennifer Jason Leigh era mais patológico e o da Eve é ambição mesmo.

Margo Channing: Fasten your seatbelts, it’s going to be a bumpy night!

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[LieToMe] A Perfect Score

Eu vivo num conto de fadas

Eu vivo num conto de fadas

Acompanhar a série Lie to Me tem sido bem educativo pra mim. Em parte pelo mesmo motivo que a Luma comentou no post do episódio piloto [aprender a mentir melhor], em parte porque passo a prestar mais atenção na atuação dos atores em outras obras.

A série baseou o personagem do Dr. Cal Lightman no Dr. Paul Ekman, que também é o consultor da série. Ekman iniciou seus estudos em microexpressões e linguagem corporal entre os anos 50-60 – muito tempo depois que Estranha Passageira [Now, Voyager, EUa/1942] foi filmado. O que tem a ver uma coisa ca outra?

É que no filme ca Bette Davis a atriz Gladys Cooper executa um ato que foi estudado nesse terceiro episódio: a automassagem nas mãos. Esse gesto indica que a pessoa tenta se convencer de que ela acredita naquilo que está dizendo.

Outro ganho de conhecimento é perceber melhor a capacidade do artista expressar emoções e sentimentos sem palavras ou gestuais óbvios, utilizando apenas um franzir de sobrancelhas, um sorriso assimétrico, etc. Bette Davis arrasava nesse quesito sem nem ao menos precisar desnudar um ombro.

A partir deste ponto há spoilers.

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Now, Voyager / Estranha Passageira

The Untold Want
By Life and Land Ne’er Granted
Now, Voyager
Sail Thou Forth to Seek and Find [Walt Whitman]

Pôster do filme

Pôster do filme

Esses versos da obra Folhas da Folhas de Relva, de Whtiman, estão num bilhete do psiquiatra Dr. Jacquith para sua paciente Charlotte Vale e dão o título do filme A Estranha Passageira [Now, Voyager, EUA/1942]. Eu estou com dúvida se tem o artigo no título brasileiro e com preguiça de pesquisar, releve.

Sempre que ouço falar em Bette Davs, a atriz principal deste filme, a primeira ideia que me vem à cabeça é uma personagem fria, determinada, vingativa, proativa [perdão]. Ou seja, tudo o que ela não é neste papel: a filha temporã de uma matriarca dominadora numa das famílias da alta sociedade de Boston. Uma solteirona acima do peso porque sua mãe não acredita em dietas, que lê e fuma escondido, o patinho feio da família.

Como o espectador sabe disso? Óbvio, basta ver a atriz usando óculos e com as sobrancelhas grossas. É o velho truque para enfeiar divas, diria o Agente 86.

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50 filmes… em dezembro

Joan Crawford e Bette Davis

Joan Crawford e Bette Davis

A série de Top 50 da semana passada foi apenas uma prévia para este post, num sabe? Muitos dos filmes mencionados serão exibidos no canal TCM agora em dezembro e eu pretendo assistir no mínimo aos das 22h, arriscando os da segunda sessão pelo menos nos fins de semana.

Infelizmente não vai dar pra rever O que terá acontecido a Baby Jane [sorte que tenho em rmvb!] e o Robin Hood com o Errol Flynn, mas os dois de Orson Welles dá: A marca da maldade, com aquela abertura fabulosa, e O terceiro homem, que tava na minha lista de desejo.

Uma programação cheia de Top Favoritos Foréva, nhai, não será em dezembro que diminuirei a pilha de livros a ler e dvds a ver. :)

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