Karinto

Karinto coberto de açúcar

Karinto coberto de açúcar

Estava a assistir Iron Chef ontem e o ingrediente era udon. Dos onze pratos apresentados nenhum atiçou muito a Jurema, mas metade de um me deu vontade de comer karinto: um dos chefs fez uma sobremesa que foi complementada com um fio de udon frito coberto de açúcar.

Karinto é um tipo de biscoito frito, doce ou salgado. A massa leva basicamente farinha de trigo, água, fermento e açúcar – eu gosto mais dos que acrescentam gergelim. Tem em bolinhas, tirinhas [como espaguete cortado], retângulos achatados ou em forma de… de… bom, de cilindros curtos levemente curvados.

Como diz esse site, não se deixe enganar pela aparência: às vezes o karinto parece outra coisa.

Os que a gente compra no Tenryu e na Shoubai de Marília parecem minhocas fritas. :lol:

No blog Mão na Massa tem a receita do karinto salgado em português, e no site da Momiji Health Care Society tem a receita do karinto doce em inlgês.

Imagem: Yokohama Kaidashi Kikou

Takuwan

Gotôso!

Gotôso!

A LuMa comentou sobre tsukemonos em seu blog Grãos de Areia [e atiçando Jurema pelo caminho] – especificamente sobre o takuan ou takuwan, um picles feito com nabo. Cruel!

Faltam umas semanas ainda até eu poder comer isso por aqui, a não ser que apareça uma invernada inesperada. Explico: aqui em casa só dá pra comer takuwan no frio, à noite, com a casa inteira fechada. O trem fede. Nas palavras da própria LuMa:

O Gianluca foi barrado e teve que explicar a longo, pro oficial do aeroporto, o que era “takuan”, o tsukemono de nabo. Mesmo assim, ele continua contrabandeando a minha porção, já que minhas malas estão sempre abarrotados deles! [LuMa]

Aí a pessoa pergunta: por que que cêis comem isso então?

Porque, pequeno gafanhoto, o sabor é surpreendentemente delicado para um negócio com cheiro tão forte. Definitivamente delicioso, e razoavelmente caro também, já que o verdadeiro demora alguns meses até ficar pronto.

Outra conserva que só dá pra comer no frio é o laquiô [Rakkyozuke], cebolinhas em conserva. Não aquelas redondinhas e branquinhas espanholas, o laquiô é comprido e perolado. Em Pedra Lascada tinha um ótimo, feito na Fundação.

O problema era que não vendiam a produção, ia tudo para presentear os visitantes ilustres [um único pote para cada visitante ilustre]. Acho que, durante todo o tempo que moramos aqui, conseguimos meia dúzia de vidros no máximo, surrupiados de gaijin que não curte curtido. O melhor laquiô que já provei.

O da minha mãe chega perto. O duro é convencê-la a fazer.

V. receita de takuwan no blog Peixe Cru

Jurema

Nabeyaki udon

Nabeyaki udon

Eu tenho um problema e o nome dela é Jurema. A lombriga insaciável atacou de novo enquanto eu assistia a um documentário sobre uma província que esqueci o nome, na ilha que não lembro qual é, e que tem 800 restaurantes especializados em udon, o macarrão feito com farinha e água.

Às 18h40.

Foi por este motivo que jantamos nabeyaki* no auge do verão brasileiro e dona mãe me proibiu de ver esses programas por um bom tempo.

Kagawa! Lembrei o nome da província, tá lá no Wikipedia.

* O nabeyaki é servido direto do fogão no pote de ferro [ou de cerâmica refratária] em que é cozido, quase fervendo. Dá um suadouro mesmo no inverno mais gelado.

A propósito

Sobrevivi ao mochi, como deve ter percebido pelo post anterior.

Brigada pela preocupação, LuMa!

Só que não foi nenhum grande feito, nenhum grande mérito: comemos mochi frito, que é muito mais seguro do ponto de vista engasgável, embora menos seguro colesterolmente. A gente só fazia ozooni por causa de odichan e ele faleceu no meio do ano, então acho que é mais uma tradição encerrada aqui em casa.

E quase que ficamos sem okowa também, caus que não tinha motigome em Pedra Lascada.

No fim deu tudo certo. E eu sobrevivi.

Katsuobushi

Pra uma descendente de japas até que não sou muito chegada em peixe. Não dispenso salmão, é verdade, e prefiro aqueles sem muita espinha ou com espinhas grandes fáceis de tirar [da última vez que fui de sardinha fiquei com uma entalada durante quase uma semana]; se não tiver aquele cheiro de peixe, então, melhor ainda! Mas, por outro lado, também não dispenso o dashi [caldo de peixe usado na base de sopas e outros pratos típicos] e adoro o katsuobushi. Minha sorte é que mais ninguém na família gosta taaanto dele, assim sobra mais pra mim.

Katsuo é o bonito em japonês. O peixe é cozido, fermentado, defumado e desidratado até ficar rijo como um pedaço de pau madeira. Com um laminador igual a plaina ou um fatiador de batata, são tiradas lascas extra-super-megafinas da espessura da casca de cebola, aquela que fica mais próxima da primeira camada da cebola. O perfume do defumado e o sabor adocicado ficam ótimos em cima do shiro gohan [arroz cozido só na água, sem refogar], mas o mais legal é que, por ser muito fininho, essa casquinha começa a enrolar com o vapor. Às vezes dá até a impressão que são bichinhos vivos dançando no prato [v. vídeo no Iuiutúbi]. E só deixa um fundinho de sabor de peixe no final, nada daquele gosto metálico.

Infelizmente eu nunca pude experimentar katsuobushi feito na hora, com as raspas largas iguais às do vídeo, só de pacotinho mesmo. Em cima de quase tudo.

Ozooni

Seis pessoas morrem em Tóquio engasgadas com bolinho

Quem disse que superstição não mata?
;o)

Em todo caso, aqui está a receita da sopa mortal:

OZOONI (Porção para 6 a 8 pessoas)

Ingredientes:
1 unidade de Kamaboko (rodelas finas)
2 unidades de tikuwa (cortar em tiras finas)
2 unidades de shiitake (cortar em tiras finas)
100 g de broto de bambu (picado)
6 a 8 unidades de moti
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