De acordo com Joanne Rowling, o livro estava a “quatro semanas” de ser terminado, e ela se dedicou ao trabalho de terminá-lo enquanto Christopher considerava seus méritos. Era todo errado para o mercado. O colégio interno, as crianças impertinentes que falavam demais, as garrafas de leite entregues de porta em porta, a atmosfera tipicamente britânica e o tamanho, quase trezentas páginas; nada combinava com as exigências do mercado. [Trecho de Harry e seus fãs, pdf na Ed. Rocco]
O primeiro livro da série Harry Potter que eu li foi A Câmara Secreta em 2001, presente de uma tia que achava que eu já tivesse lido A Pedra Filosofal – não tinha, mas depois que terminei CS saí atrás de tudo o que podia.
Em PF me apaixonei pelos personagens. Em Prisioneiro de Azkaban fui pega de surpresa pelo tom mais sombrio. No Cálice de Fogo terminei o livro em choque. Na Ordem da Fênix eu queria dar uma surra de vara de marmelo no Harry.
Quando o Half-Blood Prince foi lançado eu estava tão impaciente que comprei em inglês mesmo. Nessa época já mantinha os site dedicados a HP nos favoritos do navegador, debatia cada detalhe dos livros anteriores em emails histéricos, revia cada filme inúmeras vezes.
Entre o sexto livro e Deathly Hallows a angústia da espera era tamanha que me rendi às fanfics. Li pouca coisa boa e muita coisa ruim, até me fixar num ship uncanon em um site que exige um mínimo de respeito à norma culta. Também comprei alguns livros sobre Harry Potter, uns até interessantes e outros meros caça-níqueis que se aproveitavam da síndrome de abstinência dos fãs.
Ship = de relationship, personagens envolvidos romanticamente.
Canon = do cânone, que respeita a proposta do autor. Ex. Ron e Hermione. Uncanon, portanto, une casais improváveis.
Foi por isso que relutei em comprar Harry e seus fãs. A autora Melissa Anelli é jornalista, editora do The Leaky Cauldron, um dos três fansites que eu consultava todos os dias [os outros dois são MuggleNet e The HP Lexicon] e responsável por uma entrevista lendária concedida por J. K. Rowling, junto com Emerson Spartz, do MuggleNet. Isso e mais o prefácio assinado pela própria Rowling deveriam ter me convencido - mesmo assim hesitava. Tanto livro que quero ler, tão pouca grana… Até que precisei completar um determinado valor para conseguir frete grátis no Submarino e este livro estava na frente da “prateleira” virtual em promoção e o valor era exatamente o que me faltava.
Na primeira noite li quatro capítulos; na noite seguinte li o resto do livro inteiro. Se eu conseguisse, me chutaria na bunda por não ter lido antes. A autora conta como se apaixonou pela história, suas impressões e reações, e mais ainda. No papel de jornalista, conta como o agente literário aceitou representar Jo no mercado editorial e todo o zeitgeist que possibilitou o sucesso que alcançou, em detalhes; como o desenvolvimento da Internet acompanhou e alimentou a explosão da base de fãs; relembrou o episódio PotterWar, quando a Warner Bros. disparou cartas de “cease and desist” para todos os fansites por violação de direito autoral; o nascimento do wizard rock; as fanfics; a cruzada de parte dos cristãos contra HP, liderados por Laura Mallory.






