Lost in Austen

Lost in Austen

 É uma verdade universalmente conhecida que todos nós desejamos escapar.

A primeira frase da personagem Amanda Price parafraseia a famosa abertura do romance Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Amanda recorre ao livro para escapar da realidade do emprego tedioso, do apartamento que divide com a amiga Pirhana, do namorado desinteressante, da vida mais-ou-menos que leva. Ela recusa o pedido de casamento de Michael porque aspira por um romance igual ao de Lizzie Bennet e Mr. Darcy.

Amanda chega a preparar noites especiais para reler o livro quando Pirhana e Michael têm outros compromissos [e eu não consegui evitar, lembrei de Renee Zellweger cantando All By Myself na cena inicial de O Diário de Bridget Jones]. Numa dessas noites ela encontra Elisabeth Bennet no banheiro, que tem uma porta interdimensional atrás da banheira. Amanda acaba indo para a Longbourn de 200 anos atrás e Lizzie permanece na Londres moderna.

Essa é a premissa da minissérie em quatro episódios exibida pela ITV em 2008 e que de certa forma realiza o sonho de leitoras fãs de Jane Austen, que imaginam como seria se pudessem entrar nos livros e viver aquelas aventuras.

Continuar lendo

Jane Austen 3 em 1

[1] O canal de TV por assinatura GloboNews exibirá um Espaço Aberto Literatura dedicado à Jane Austen em duas partes: a primeira vai ao ar hoje às 21h30, com reprises amanhã [01h30, 08h30 e 16h30]; a segunda parte na próxima sexta-feira, mesmo horário, mesmo esquema de reprises. E, no domingo posterior a cada exibição, dá pra assistir online no site do canal.

[2] Para quem estiver no Rio de Janeiro no feriadão de Corpus Christi [primeiro fim de semana de junho] tem o II Encontro Nacional da Jane Austen Sociedade do Brasil. As inscrições encerram-se em 15 de maio e, para quem quiser participar e não mora na cidade, tem opção de hospedagem coletiva com o pessoal do grupo. Mais informações lá no blog da JASBRA.

[3] A JASBRA, aliás, tem um clube de leitura Jane Austen [cê viu o filme?] e vão debater a leitura de Razão e Sensibilidade agora em maio e junho. Bateu vontade de participar… Acho que dá pra ler os primeiros seis capítulos até o dia 4, se eu encontrar meu exemplar. Aqui é o endereço do fórum e aqui é a agenda de leitura.

De qualquer forma, tou adiantada com a leitura do Desafio Literário, só não zerei as pendências porque o correio não entregou meu conto de fadas revisitado ainda.

Emma 2009

Mr Woodhouse (Michael Gambon), Emma (Romola Garai) and Knightley (Jonny Lee Miller). Photograph: David Venni/BBC

Mr Woodhouse (Michael Gambon), Emma (Romola Garai) e Knightley (Jonny Lee Miller)

‘Emma Woodhouse was born with the sun shining [delicate, crescendoing piano twinkling]. To a father who always expected the worst [strings join in]. And a carefree mother whose smile Emma was not to remember. [Music becomes more dramatic]. One day the worst did happen…” [Sam Wollaston, The Guardian, 05/10/09]

Emma Woodhouse nasceu em berço de ouro e, ao contrário de outras personagens de Jane Austen [as irmãs Bennet e Dashwood, por exemplo], ela não quer e nem precisa se casar. Emma não precisa caçar um marido rico que a mantenha no status social em que nasceu, nem para subir de posição na sociedade, e acredita que nenhum pretendente do vilarejo de Highbury está à sua altura. Aos vinte anos de idade, ela está satisfeita com a posição mais alta na escala social do vilarejo.

George Knightley é o melhor amigo de Emma, a quem conhece desde que ela nasceu, quando ele tinha 17 ou 18 anos. Apesar de gostar muito da amiga, ou talvez por isso mesmo, é o único que ousa criticá-la por seu esnobismo, sua frivolidade e tendência a interferir na vida das pessoas – principalmente na vida amorosa. É ele também quem tenta direcioná-la a atitudes mais cortezes e caridosas com os menos favorecidos.

Olhando assim, Emma parece uma garota antipática, mas ela tem uma natureza generosa e alegre. Suas falhas de caráter são fruto de uma criação restritiva: Emma nunca saiu do vilarejo, sempre viveu sob as asas do pai viúvo e hipocondríaco, paparicada e bajulada por todos à sua volta [exceto por Mr. Knightley]. Não é de se estranhar, então, que seja uma personagem difícil de acertar o ponto, para algumas atrizes. Pessoalmente, eu gostei do tom leve da Alicia Silverstone [1995] e não gostei do pedantismo da Gwyneth Paltrow [1996]; não vi a adaptação com a Kate Beckinsale para poder opinar.

Continuar lendo

Domingueiras

Tem um galo muito burro na redondeza que canta à uma da manhã, todo dia.

Comãssim a Bonnie Wright tá ficando com um dos novos vampiros de Twilight? Tá bom que o Jamie Campbell Bower também tá no próximo HP, só que no papel do Grindewald jovem. E o Draco Malfoy??

K, preciso da minha dose diária de fics DG agora-já. Uma boa, de preferência.

A @MicaRM tuitou a respeito de uma cena de Vampire Diaries [que parei de acompanhar mas, bem, tem o Ian Somerhalder né?]. Tava lá assistindo e pensando na vida quando me caiu a ficha: Enjoy the Silence do Depeche Mode!

Words are very unnecessary, they can only do harm…

A premiação do Scream Awards vai ao ar nos EUA apenas no próximo dia 27 [no dia 31 no Brasil] mas já sei de um vencedor graças ao JustJared, que tá na minha lista de feeds. Não liguei, fiquei animada com o resultado [embora não concorde com a indicação da pessoa para aquela categoria].

Baixando Emma e Wuthering Heights 2009.

O livro Gatos, Fios-dentais e Amassos [série Georgia Nicolson, Louise Rennison] me atraiu pelo título. Eu gostei do gato Angus, da relação entre as irmãs Georgia e Liberty, mas… mas… algo me incomoda nesse livro e não consegui descobrir o que é.

Um garoto diz “mãe, não gosto de ler, não me dê livros de novo no Natal, OK?” e o que acontece?

Depois da onda de clássicos sobrenaturalizados [eita], vem aí a sequência autorizada: continuações de séries literárias escritas após a morte do autor original. Ou, como disse o @emersonpardo, fanfics.

Segundo esse artigo da BBC já tem sequels de Peter Pan, James Bond, Dracula, Winnie-The-Pooh e O Guia do Mochileiro das Galáxias – este último escrito pelo Eoin Coffer de Artemis Fowl.

- Vou mandar uma coisa pra Lu, será que ela vai gostar?
– O que?
– É de comer.
– Então pode mandar que ela come.

Criei a fama, agora tenho que deitar na cama, né?

Um chazinho pode curar, mas também requer cuidados.

Depois de The Imaginarium of Dr Parnassus, Terry Gilliam volta para seu projeto para Dom Quixote. Ele quer filmar também Teseu e o Minotauro, Defective Detective e Belas Maldições da dupla Terry Pratchett e Neil Gaiman.

Deem-lhe dinheiro! Já!

Sigmund Freud curtia Agatha Christie e Dorothy L. Sayers.

Luzia e seus ídolos no blog da Luma: voltei uns 30 anos no tempo.

O A-ha anunciou que vai “encerrar suas atividades” em 2010. Eu fiquei bem chateada com a notícia caus que acompanho a trajetória deles há 27 anos e acho que Analogue, o penúltimo álbum, é o melhor da banda – mas isso sem ter ouvido Foot of the Mountain ainda [lançado agora em junho].

Aliás, juro que pensei que a música de abertura de Lie to Me era do A-ha também [não é, é Ryan Adams. os trejeitos vocais e os teclados são muito a-hazísticos].

A-ha – Cosy Prisons

Continuar lendo

Os 10 herois românticos da literatura

Orson Welles e Joan Fontaine, Jane Eyre (1944)

Orson Welles e Joan Fontaine, Jane Eyre (1944)

A editora inglesa Mills and Boon é especializada em publicar romances em papel jornal no estilo Harlequin [Julia, Sabrina, Bianca, etc.] – de fato, a casa inglesa fundada em 1908 foi comprada pela norte-americana em 1971. Juntas, a Harlequin Mills and Boon dominam 75% do mercado britânico no gênero.

Eles fizeram uma enquete entre seus leitores perguntando qual o personagem literário mais romântico. O resultado foi divulgado no início deste mês durante o festival literário de Cheltenham: para surpresa de muitos, o primeiro lugar ficou com o cruel, amargo e impossível de ser amado Mr. Edward Rochester, do romance gótico Jane Eyre escrito por Charlotte Brontë em 1847.

O Telegraph ilustrou o artigo em que a novelista Penny Vincenzi comenta sobre a paixonite que tem pelo rude Rochester com uma imagem da série exibida pela BBC em 2006, com Toby Stephens no papel. Eu já comentei antes que Toby Stephens é bonito demais para interpretar…

Continuar lendo

Os vampiros e os clássicos

Píramo e Tisbe, Gregorio Pagani (Galeria Uffizi, Itália)

Píramo e Tisbe, Gregorio Pagani (Galeria Uffizi, Itália)

O blog BrontëBlog [um dos favoritos de Titia Batata] chamou a atenção para vários artigos jornalísticos que mencionam as inspirações da escritora Stephenie Meyer para escrever os livros da série Crepúsculo.

Não, não se trata das diversas acusações de plágio porque, você sabe, ela declara não ter lido nenhum livro de vampiro antes, nunca. Ever.

Mas muitos perceberam semelhança no padrão narrativo de seus livros com algumas obras clássicas, a saber:

. Crepúsculo com Orgulho e Preconceito, de Jane Austen;

. Lua Nova com Romeu e Julieta, de William Shakespeare [que já era uma releitura do mito grego Píramo e Tisbe];

. Eclipse com O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë;

. Amanhecer com O Mercador de Veneza e com Sonhos de Uma Noite de Verão, de Tio Shakes também.

Um artigo do britânico The Telegraph ainda se lembra de Razão e Sensibilidade [outro Austen] e de Jane Eyre [Charlotte Brontë], mas daí honestamente eu achei forçação de barra demais. Se bem que seria legal se jovens leitores de Meyer lessem os clássicos, então tudo bem, façam todas as associações que conseguirem. As novas edições de Wuthering Heights da HarperCollins e HarperTeens tentam atraí-los pela capa.

Voltando à questão, o que eu quero saber é se alguém que tenha lido os livros pode comentar a respeito dessas semelhanças, plis?

Outro assunto relacionado, desta vez com mais ênfase no AustenBlog [outro favorito], são os romances clássicos como base para versões modernas vampirizadas – no sentido literal, não figurado. Livros como “Pride and Prejudice and Zombies” de Seth Grahame-Smith e “Mr. Darcy, Vampire” de Amanda Grange.

Quase posso ver você se contorcendo na cadeira.

Continuar lendo

[Filme] Orgulho e Preconceito – 1940

Pôster do filme

Pôster do filme

A primeira coisa que se comenta quando se fala desta adaptação hollywoodiana do livro da escritora inglesa Jane Austen é do figurino equivocado. Devo admitir que até eu, que sou desligada quanto a períodos – nunca soube identificar georgianos, eduardianos, vitorianos, etc.; se você me disser “um coador de chá de prata Rainha Anne” pode ter certeza de que não tenho a menor idéia do que se trata -, então, até eu percebi algo errado nos vestidos enormes e de mangas tão bufantes que dariam pra montar uma tenda de casamento para muitos convidados.

Segundo o iMDB, são roupas reaproveitadas de …E O Vento Levou, filme lançado no ano anterior. Isso significa que são trajes típicos da sociedade norte-americana durante e pós-Guerra de Secessão [1861-1865], enquanto Pride and Prejudice foi escrito no final do século 18 [1797] durante o reinado de George 3º, o que tinha porfiria. Orgulho e Preconceito foi um filme de orçamento baixo.

No entanto, a conexão com Gone With The Wind mais conhecida [e mais saborosa] está nos bastidores: o protagonista de Orgulho Laurence Olivier era amante da atriz principal de Vento Vivien Leigh. Ele se mudara de Londres para Holywood a fim de filmar outra adaptação literária [foi Heathcliff em O Morro dos Ventos Uivantes de 1939, do mesmo estúdio responsável por este Orgulho] e tentou de todas as formas substituir Merle Oberon por Leigh mas a estrela principal era norte-americana e o filme era feito para ela, e Olivier não teve poder de veto no caso. A inglesa Vivien Leigh acabou ganhando o papel da mimada sulista Scarlett O’Hara, nesse meio tempo. Pequenas ironias da vida!

Mrs. Bennet: A single man in possession of a good fortune must be in want of a wife.

Continuar lendo