O silêncio é de ouro

Logo que ocorreu aquele grande terremoto seguido de tsunami no Japão, uma pessoa veio em casa e disse que aquilo foi um “castigo de Deus porque os japoneses ficavam desafiando o Senhor ao fazer prédios antiterremotos e etc.”

Te juro, eu ouvi, ninguém me contou.

Não vou comentar a religião do cara porque eu tenho amigos que frequentam a mesma igreja que ele e nenhum pronunciou nada parecido, nem nesse nem em outros casos, mas que o cidadão tava pedindo pra ser mandado à merda, ah, isso tava.

Quer dizer que quando coisas ruins acontecem com esse tipo de verme pessoa é um teste à sua fé e quando acontece com outros, não importa quão desconhecidos, é castigo divino, é?

Fico feliz porque o meu deus não é o mesmo deus daquele pretenso ser perfeito e iluminado. O meu se compadece, se emociona e fica feliz com atitudes iguais às dessas outras pessoas.

Minha Vida Como Gueixa: A verdadeira história de Mineko Iwasaki

Capa do livro

Capa da edição brasileira

Em 2006, comprei dois livros que contavam a mesma história com pontos de vista diferentes: Memórias de Uma Gueixa, do norte-americano Arthur Golden, e Minha Vida Como Gueixa, da japonesa Mineko Iwasaki. Digo que “eu comprei” mas na verdade foi uma aquisição conjunta, eu e uma colega de trabalho: cada uma ficaria com um e depois emprestaríamos uma pra outra. Eu fiquei com a versão americana e ela com a japonesa, só que por uma coisa e outra acabei não lendo a versão dela até recentemente, quando recebi o livro da editora como crédito pelo cancelamento da assinatura de uma revista.

O motivo de existirem essas duas versões é conhecida, mas vamos lá: o autor Arthur Golden entrevistou diversas gueixas para conseguir detalhes que tornassem seu romance mais verossímil. Mineko era a mais famosa, seu rosto simbolizava a cultura das gueixas em revistas, outdoors e peças promocionais e exigiu sigilo para conceder as entrevistas, já que este é um mundo regido pela lei do silêncio.

Quando o livro de Golden foi lançado, em 1997, Mineko teve não uma, mas três surpresas desagradáveis: ele quebrou o acordo de confidencialidade, copiou praticamente sua vida inteira para compor a personagem principal e desviou-se muito do modo de vida e cultura dos japoneses, especialmente da vida das gueixas.

Q: Why did you decide to write your book?

A: There were a number of reasons why I wanted to write this book. The two probably strongest reasons are because I believe there was a lot of misunderstandings about what it means to be a geiko or a geisha, both in Japan and in the West, and I felt honor bound to do what I could to correct those misunderstandings.

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Domingueiras

Fanfiction: adivinhe quem lê.

Fanfiction: adivinhe quem lê.

Akemashite omedetou!

Titia Batata volta à programação normal. Tá todo mundo bem?

A folhinha 2010 pendurada na cozinha de casa não tem feriado de carnaval. :lol:

Ah, um aviso:  não ganhei na megasena. Na verdade, muito me surpreenderia se ganhasse sem apostar…

Tou lembrando agora dum locutor da rádia Pedra Lascada: pra esse cidadão, aquele montão de dinheiro faria um bilionário, porque se quem ganha um milhão fica milionário, quem ganha muitos milhões é bi.

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Domingueiras

Cidadãozinho, 2 anos, preocupadíssimo porque o dragão da sorte [oi, Bruna!] não tem boca:

- Tia, ele não consegue comer!

Falando em comer, o Stiksy da Elma Chips voltou, né? Tá mais macio. Eu gostava dele antes, fortalecia o caráter.

Corte jilós em pétalas, o mais fino que conseguir. Tempre com sal e açúcar e deixe em paz por uns 20~30min. Escorra bem e frite em óleo quente até dourar.

Comecei a comer jiló no ano passado, desse jeito.

Para fazer com que a Luciana sofra o acidente e isso cause um grande impacto emocional, não apenas nas personagens, mas no público, considerei de grande importância explorar a ambição dela em ser uma estrela das passarelas, concorrendo com a Helena (Taís Araújo). Que ela desse demonstrações de valorizar o corpo antes de qualquer coisa. E que o público, sabendo que tudo isso vai se perder, com a tetraplegia, passasse a lamentar e a sofrer com a paralisia e a perda de função das pernas. Ela diz, por exemplo, que quer voltar a fazer ballet. Faz exercicios de barra em seu quarto. É vaidosa. Isso tudo precisava ficar sedimentado para que a perda fosse muito grande e dolorosa. [Manoel Carlos no blog de Daniel Castro, 14/10/09]

Gente, jura que é isso que te deixa comovido? Então eu sou mesmo uma pessoa fria de coração duro e seco, porque nem me umedeceu os olhos.

Não acompanho essa novela pela TV, só pelo Twitter – aliás, adoro os comentários da @dehcapella, da @brunaguerrier e de alguns comentários esporádicos aqui e ali. É a melhor coisa.

Lembra da Pod, a gatinha do Neil Gaiman que faleceu há alguns meses? Agora a Hermoinie foi fazer-lhe companhia. *Snifs*

Acordei com a Veja semanal na porta de casa, ação promocional para vender assinatura. Demorei mais para ultrapassar todas as propagandas de automóvel do que pra “ler” a revista.

Por “ler” entenda-se dar uma rápida vista d’olhos no banheiro.

Por um lado, Igreja Luterana da Suécia aprova o casamento gay. Por outro lado, um juiz de paz da Louisiana/EUA se recusa a casar um casal interracial. Esse é o Estado nonde se ambienta True Blood/Southern Vampires Mysteries.

Por um terceiro lado, o Vaticano diz que acolherá “de braços abertos” os anglicanos conservadors que se opõem á ordenação de homossexuais e mulheres.

E por um quarto lado, uma igreja batista na Carolina do Norte/EUA promoverá uma grande fogueira no próximo Halloween para queimar livros e discos satânicos, dentre os quais o escritos de Madre Teresa, do Papa e todas as bíblias que não se baseiem na versão do Rei James, além dos clássicos livros de bruxaria [oi, Harry Potter]. Acompanha churrasco de frango.

Karê e a filosofia, por Kenji Shikida

Scott Fujita é alto, louro, olhos claros, tem bacharelado em Ciências Políticas, joga na posição de linebacker pelo New Orleans Saints [Louisiana/EUA]. O sobrenome japonês é do pai adotivo. Fujita apoia a igualdade de direitos para os gays. Ele passou a defender essa questão quando soube que alguns Estados pretendiam limitar a adoção para casais hetero, apenas.

Aliás, nesta semana que passou aprendi outra coisa sobre a NFL: para um cara ser dono/ter cotas de sociedade de um time ele precisa ser aprovado pela maioria dos outros donos/sócios de todos os outros times [não apenas daquele que ele pretende comprar]. Um pretendente a comprar o Saint Louis Rams [16 derrotas em sequência] está tentando vencer a rejeição da liga de donos, de árbitros e de jogadores por conta de seu racismo aberto.

Uniforme de basquete deixa qualquer jogador feio, disforme. Saudade dos shortinhos curtos e justos.

Por um lado, o braço de telecomunicações da ONU sugere o padrão único e universal para os carregadores de celular.

Por outro lado, o Brasil impõe um padrão único de plugues e tomadas – único no sentido de que só existirá no Brasil.

Em 2016 tem Olimpíada no Rio; em 2010 tem F-Indy.

O Japão quer sediar solo a Copa de 2018 ou 2022. Hiroshima e Nagasaki querem sediar a Olimpíada de 2020.

Aaah! Comãssim Black Eyed Peas foi no SMAP X SMAP? Eu preciso achar isso em algum lugar.

SMAP X Black Eyed Peas

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Deu A Louca no Kung Fu Panda Kid, A Nova Geração

Jackie han é o novo Senhor Miyagi

Jackie Chan é o novo Senhor Miyagi

Eu estava esperando um desmentido, um sinal de que Jackie Chan é um ótimo piadista que gosta de pregar peças nos repórteres pra ver se eles caem mas, depois de cinco dias, esse desmentido ainda não veio e, embora a notícia se baseie apenas numa entrevista que ele concedeu a um site da Nova Zelândia, a novidade que rola é que a refilmagem de Karatê Kid vai se chamar Kung Fu Kid.

Pausa pra se recuperar da crise de risos histéricos.

Segundo sites sérios especializados em cinema, que também não conseguiram um desmentido dos produtores ou do estúdio [mas nem uma confirmação, tampouco; mantenha a esperança], a mudança de arte marcial seria porque o karatê está obsoleto, enquanto o kung fu está na moda.

Outra pausa para balançar a cabeça com incredulidade.

Tem toda a pinta de ser piada, não tem? Diga que sim, por favor.

E, para jogar ainda mais sal na ferida, as notas no site brasileiro Cineclick dizem que o remake vai debater a relação dos EUA com a China, como no original, ignorando que o senhor Kesuke Miyagi era um imigrante japonês  de Okinawa interpretado por um ator de ascendência japonesa [Pat Morita]. O outro personagem relacionado a um país asiático era o sensei Cobra Kai, veterano da Guerra do Vietnã que também não é a China. De qulquer forma, relações exteriores são debatidas mais profundamene no segundo filme, quando viajam para Okinawa, no Japão que não é a China.

Calma, Titia Batata. Respira fundo.

Só se eles mudarem o nome do personagem de Jackie Chan também, o que seria ótimo porque assim a gente ignora o Kung Fu Panda Kid  e o original permanece intocado.

Como diria o Tutubarão: “Não tem respeito, não tem respeito, nhac nhac!”

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Karate Kid – A hora da verdade

Já vai tartde

BBC: “O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, anunciou nesta quarta-feira sua renúncia ao cargo, após passar menos de um ano no poder.”

Além dos escândalos financeiros que pipocaram em seu mandato e do apoio férreo à “lei anti-terror”, que na prática significava suporte aos EUA nas operações no Afeganistão via abastecimento dos navios americanos no Oceano Índico, e mais as declarações chauvinistas, Shinzo Abe também é culpado por atravancar a votação da lei que permitiria à princesa Aiko assumir o Trono do Crisântemo, depois votada contra [digo e repito, anulando uma lei imposta por norte-americanos nos anos 60, então nem me venha com a baboseira de que uma Imperatriz seria contra as tradições milenares japonesas]. Portanto, vai de ré, aprendiz de Cornelius Oswaldo Fudge.

Eu queria que voltasse o Junichiro Koizumi.

Taliqual

Made in Japan: “A maior cadeia de livros de segunda-mão do Japão, a Bookoff, anunciou terça-feira 19 que seu fundador Takashi Sakamoto renunciou à presidência da companhia. A renúncia acontece depois da divulgação de pagamentos suspeitos [...]“

Mas num é igualzinho, igualzinho um outro país do outro lado do mundo em que as denúncias de corrupção, tráfico de poder e comportamento antiético chovem todos os dias? Tem horas que dá até um orgulho*.

* Titia Batata é obediente e não mais vai falar mal do país porque é isso o que atrapalha.