Aviso: Este post não contém spoilers.
O que vou comentar agora pode soar estranho vindo duma pessoa que acompanha religiosamente as colunas AskAusiello e Watch With Kristin, mas eu não gosto muito de spoilers inesperados. Tem uma pequena diferença entre eu escolher ler os spoilers conscientemente ou me deparar com eles no meio de uma notícia que eu esteja lendo sobre outro assunto.
Sei que às vezes cometo esse pecado aqui no blog e fico mortificada quando percebo a cag*da que fiz. Não serve como desculpa pras minhas falhas, mas juro que tento evitar e me policiar melhor.
Esse mea culpa me veio à cabeça depois de ler um post do Piers Morgan no blog The Daily Beast [How Susan Boyle won my heart] – aliás, vale a lida para conhecer o ponto de vista dos jurados a respeito do fenômeno Susan Boyle e um lado mais suave do rapaz. Logo no finalzinho, depois da assinatura, me deparei com uma informação que vai mudar a forma como vejo a edição do The American Apprentice que está a ser exibida no Brasil atualmente.
Outro vazamento é tema de muita discussão entre os fãs de O Aprendiz, 6 Universitário da Rede Record, atualmente no ar: os nomes e a ordem dos dez primeiros demitidos do programa foi divulgado por email e parte dessa lista caiu nas mãos da Folha online, que optou por tornar público. Alguns já falam em “perseguição” do jornal contra a emissora, mas eu acredito que seja política da empresa e não uma picuinha particular.
Há poucas semanas, por exemplo, o mesmo jornal foi o primeiro a publicar um spoiler enorme de House. Desde o início do ano os colunistas Ausiello e Kristin vinham provocando a curiosidade dos fãs, mas eles nunca contaram do que ou de quem se tratava. Mesmo depois que o episódio foi ao ar nos EUA, no início de abril, eles comentaram o assunto de forma que quem acessava a página podia escolher se queria ler ou não. A Folha [e alguns blogs em seguida] já desvendaram o mistério na própria manchete – e o episódio só será exibido oficialmente pela AXN no Brasil daqui a algumas semanas, talvez um ou dois meses.
Mas um outro exemplo que me lembro é bem mais antigo, o que pode confirmar a teoria de que a política de spoilers da Folha não é a de prejudicar ninguém em especial, e sim todo mundo de forma geral, afinal é um jornal democrático. Na época que a Globo mutilou exibiu a série Twin Peaks, a Folha publicou um artigo especial de várias páginas com o aviso logo no início de que a matéria continha informações sobre a identidade da pessoa que matou Laura Palmer, que era para parar de ler se não quisesse saber, etc.
Eu recortei essa matéria sem ler, guardei num envelope e colei na minha agenda. No dia seguinte, toda satisfeita por ter dominado a curiosidade e a ansiedade, fui ler a edição do dia e encontro outro artigo que revelava a identidade da pessoa logo no primeiro parágrafo, sem aviso, referindo-se ao artigo do dia anterior. O autor era Álvaro Pereira Jr., em 1991.
Embora tenha sido citado pelo ombudsman da Folha como um dos casos mais graves de “ato editorial equivocado” e lesivo ao leitor, parece que não aprenderam a lição. Na verdade, até acho estranho que não tenham publicado a identidade da pessoa assassina quando a peça A Ratoeira esteve em cartaz em São Paulo. Geralmente os atores fazem um apelo para a platéia não contar esse detalhe quando comentarem a peça. Esse é um detalhe irresistível pra um veículo que prima pelo “eu dei primeiro”.
Por falar em Twin Peaks, a Rede Brasil reprisa a série às sextas, à meia-noite-e-dez, por isso não vou contar que quem matou Laura Palmer foi mmmrprrrgnh!
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