O Shampoo

Desta vez havia um ser coloidal, verde-transparente e cheiroso, dentro de uma nave espacial [por que naves espaciais são tão recorrentes nos meus sonhos?] bagunçada, empoeirada, barulhenta. Nossa comunicação se dava por telepatia — mesmo porque devia ser meio impossível um diálogo em condições normais com todo aquele zumbido…

Ele dizia que estava dominando o mundo e ninguém percebia. Eu havia de algum modo descoberto isso e ele iria me prender/matar/sumir comigo para que não espalhasse nada [heh!! é o poder de ser colunista do 700km!]. Antes de chegar às vias de fato iria me contar *como* era o processo de submissão completa da humanidade. [Esses seres de outro planeta e sua vaidade, pfff...] Mas enfim, eu era apenas uma prisioneira e curiosa por natureza, então não custava nada ouvir — ou melhor, receber as ondas mentais dele na minha cabeça.

O supergel me chamava de Serapilosa. Levei um bom tempo até entender que queria dizer “pessoa com pêlos”. E essa era a grande diferença entre nós, coisa que compreendi depois que ele mostrou a arma utilizada na conquista do mundo: o xampu.

Disse que eles, os aliens, induziram os farmacêuticos químicos a colocarem em todas as fórmulas de xampu uma substância que permitiria a eles, os verdinhos, terem controle total sobre os pensamentos, desejos e atos de quem esteja exposto à ação da tal substância, lauril sulfato de sódio [LSS], depois de um determinado período de tempo.

Claro que debochei do perfumado. Já tinha lido sobre esse ele-esse-esse em um monte de páginas de lendas urbanas e sabia que só servia pra fazer espuminha no cabelo. Mas pra quê… O bicho ficou bravo! Ele perguntou se por acaso não acontecia de eu ficar com uma música o dia inteiro na cabeça. Se não acontecia dos pensamentos se embaralharem e mudarem de rumo de repente. Se não acontecia de lembrar do gosto de uma melancia comida em 97 no meio de uma reunião importante.

Tudo efeito do LSS, ele garantiu. Perguntei porquê ele precisava me eliminar, já que pelo visto a dominação estava bem adiantada. Acontece que tinha gente que era imune e representava um enorme perigo para eles, os melequentos ? especialmente jogador de futebol brasileiro; com essa moda de raspar a cabeça tornaram-se as pessoas com maior liberdade intelectual do planeta. E por serem carismáticos, ou seja, por influenciarem outras pessoas teriam direito a formas alternativas de submissão indireta como, por exemplo, a convivência com seres do sexo oposto portadores de longas madeixas expostas à ação do agente subversivo.

Nhé, bem que eu não queria cortar o cabelo tão curtinho…

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Um comentário sobre “O Shampoo

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