Quando as bruxas viajam

Capa do livro Quando as bruxas viajam, de Terry PratchettDepois de uma espera de um ano e meio, finalmente botei os olhos no 12º título da série Discworld, do escritor inglês Terry Pratchett: Quando as bruxas viajam [Witches Abroad, Inglaterra/1991]. Assim como a Rê, ela mesma, também devorei o livro em dois dias.

*Suspiros enlevados*

Acho que acabei de ler o meu livro favorito do ano.

As bruxas Vovó Cera do Tempo, Tia Ogg e Margrete Alho [a anciã, a mãe e a donzela, as faces da Deusa pagã] estão de volta em plena forma para terminar a tarefa da fada-madrinha Desiderata Hollow: impedir a jovem Brasirella de casar-se com o Duc.

O problema inicial é que ela mora a milhares de quilômetros do centro do Disco [o mundo achatado como uma pizza que descansa sobre quatro elefantes, que por sua vez atravessam o espaço cósmico nas costas de Grande A’Tuin, a tartaruga estelar], muito distante de Lancre, lar das bruxas. A primeira parte do livro é, então, uma paródia de road movies – no caso, road books. O próprio título do livro já adianta isso…

Pratchett é mestre na arte de pegar referências de todas as fontes e tranformá-las numa história totalmente nova e às vezes até sob uma ótica oposta do que vimos antes, originalmente. Quando as bruxas viajam é um exemplo perfeito!

Quem já se perguntou por que a princesa tem que casar para governar suas próprias terras ou o que acontece com o sapo se não receber o beijo que quebrará o encanto? Basta lembrar de Shrek pra começar a revirar os contos de fada pelo avesso, coisa que Terry Pratchet já fez, ó *plec plec plec* muito tempo antes.

Ah, se alguém se preocupar porque tem vontade de ler esse livro mas ainda não leu os onze anteriores, nada tema: não precisa. Apesar de ser uma série, não é uma seqüência igual Harry Potter ou O Guia do Mochileiro das Galáxias ou O Senhor dos Anéis ou Fronteiras do Universo [ufa!]; é mais parecido com Os Mundos de Crestomanci, niqui as histórias se passam no mesmo multiverso com as mesmas personagens mas as tramas são independentes. Até tem uma referência a Estranhas Irmãs, mas não interfere nem um pouco na compreensão de Bruxas Viajam se não tiver lido.

Dos treze* livros do discverso que li até agora, é o que gostei mais: tem as gargalhadas, tem a caçada às referências e tem oS debateS filosóficoS: a emancipação versus a escravidão, o feminismo, o livre-arbítrio, preconceitos, distopias e um monde outras coisas. Tem também meu personagem favorito do Discworld num papel pequeno porém fundamental [MORTE] e outro que paixonei à segunda vista: Greebo, o gato de Tia Ogg. Quando li Estranhas Irmãs não conhecia ainda o Throgmorten, o gato da Deusa Asheth em As Vidas de Christopher Chant, nem o Bichento da Hemione [Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban]. Acho que os três são primos.
🙂

* Os doze da série “normal” mais O Fabuloso Maurício e Seus Roedores Letrados, tudo da Editora Conrad. Pratchett também tem outro livro traduzido no Brasil, em co-autoria com Neil Gaiman e que também é imperdível [Belas Maldições: As Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa].

Quando as bruxas viajam
Autor: Terry Pratchett
Editora: Conrad
Tradução: Ludimila Hashimoto
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 320

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7 comentários sobre “Quando as bruxas viajam

  1. greebo vai ser o nome do meu próximo gato, ah vai!

    e, ah, eu comovi e gargalhei com esse livro, pratchet é mestre, é rei e mora no meu coração! 🙂
    a parte do ‘tem gente q precisa de um coração’… e ‘tem gente q precisa de mais cérebro’ seguida por tia ogg pensando ‘eu precisava mesmo era de uma bebida’ … ‘e então uma casa de fazenda caiu na cabeça dela’, putaqueopariu, me fez CHORAR de tanto rir, eu nunca mais parava de rir aquela risada mais gostosa de quando a piada pega a pessoa desprevinida, nossinhora.
    salve pratchet.
    e salve santa naomi que nos apresentou essa danação! 🙂

    rê, pratchett é religião, eu faço lavagem cerebral em todo mundo pra doutrinar, huahuahuahuaha!! não há lugar como o nosso lar.

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  7. Olá, batata transgênica 🙂
    Achei esse livro do Pratchett mega perdido na livraria (um livro de 91, em 2014) , e curti demais. Tava procurando algum comentário sobre na net, e achei o seu. De fato, Greebo é o máximo HAHAHAHAH gostei do nome do seu blog!

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