The Tudors

No ano passado acompanhei a primeira temporada da série The Tudors. Eu sou uma total ignorante quando o assunto é História: não conseguia prestar atenção na leitura dos livros didáticos na escola, nem acompanhar os professores da matéria – que, a bem da verdade, limitavam-se a mandar a gente ler a lição do dia em silêncio. Acho que não tive sorte com esses profis.

Imagine então o meu espanto quando descobri que a Rainha Virgem, Elizabeth 1ª, era filha de Henrique 8º com Ana Bolena! E que Bloody Mary era neta de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, os reis espanhóis patrocinadores de Cristóvão Colombo. Pois é, por aí dá pra perceber a extensão da minha ignorância!

You think you know a story, but you only know how it ends. To get to the heart of the story, you have to go back to the beginning. [Henry VIII]

Conforme fui me familiarizando com as personagens, “vendo” as carinhas delas, passei a estudar o assunto por conta na Internet. Apesar de todas as críticas contra a falta de verossimilhança, principalmente de Henrique 8º, achei muito mais fácil ligar o nome à pessoa desse jeito.

Trocando em miúdos: Cate Blanchett é filha de Jonathan Rhys-Meyers e Natalie Portman. 😉

Verossimilhança histórica à parte, eu gostei da decisão de colocar atores esteticamente agradáveis em quase todos os papéis para evitar um certo maniqueísmo a que o próprio espectador está condicionado, de caracterizar o vilão como uma pessoa feia, a mulher arrivista com cores pesadas, o mocinho bonitinho…

De certa forma, nesse ponto a série consegue não estereotipar as personagens: Catarina de Aragão, a primeira esposa, não é a rainha coitadinha assim como Ana Bolena não é a mulher vulgar e dissoluta. Mais ou menos.

Queen Katherine: [to Anne Boleyn] I know what you are trying to do, but do not think to take the King away from me.
[…]
Queen Katherine: He will tire of you, like all the others.
Anne Boleyn: And if he does not?

O canal People+Arts está reprisando a primeira temporada às quintas [22h] para entrar em seguida na segunda, o que é ótimo porque o final da primeira foi tão abrupto que muita gente pensou que o P+A simplesmente tinha cancelado as exibições sem mais nem menos. Eu sabia que eram apenas os dez episódios e mesmo assim fiquei com raiva: não era nem cliffhanger, um gancho para a seqüência! Nhé!

Assim, corri baixar a segunda temporada logo que apareceu na Internet. A mesma quantidade de episódios cobre um período histórico maior e o foco se amplia, deixando as fornicações de Henrique um pouco de lado para discutir o destino de Sir Thomas More [Jeremy Northam].

Essa parte também foi tema do filme O homem que não vendeu sua alma [A man for all seasons, EUA/1966], com Vanessa Redgrave no papel de Ana Bolena, Paul Scofield de Sir Thomas e Orson Welles de Cardeal Wolsey [interpretado por Sam Neill na série].

O Fernando, do blog Clareando Idéias, publicou dois posts comentando um artigo de Clifford Davies a respeito da “moda” Tudor atual que vale bem uma lida [v. parte 1 e parte 2]. E eu tou no aguardo da terceira temporada pra ver as esposas número três e quatro [e se isso foi um spoiler pra você me desculpe, mas cê tá pior que eu em História, LOL!]

The world is a slippery place, my Lady. If you would take my advice, for what it’s worth, find a rich man to marry who is too stupid to know anything about politics. Then, perhaps, unless you die in childbirth, which is likely, or the plague, which is almost inevitable, then you’ll be happy. [Lady Bryan, governanta da princesa, aconselhando uma das damas de Elizabeth na frente da menina]

Download da música de abertura no Megaupload; a citação é a primeira deste post.

Atualização
Entrevista concedida pela atriz Natalie Dormer [Ann Boleyn] à Ilustrada, do jornal Folha: Atriz de “Tudors” quer “honrar” Ana Bolena.
Abaixo, crítica publicada por Sylvia Colombo em 31/08/08 no caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo [conteúdo restrito para assinantes].

Ficção não é ameaça à história real

DA REPORTAGEM LOCAL

Ana Bolena (Natalie Dormer) passou de rainha a traidora durante reinado dos Tudors

Ana Bolena (Natalie Dormer) passou de rainha a traidora durante reinado dos Tudors

Seriados históricos não são fáceis de executar. Os roteiristas precisam fazer malabarismos para manter a trama interessante e novelesca sem trair os pilares do drama real que contam.
As críticas geralmente acusam essas séries de anacronismo ou de romantizar demais passagens e relações pessoais.
Enfrentar o desafio contém ainda um outro risco, de investimento, pois programas de época costumam custar caro, já que é necessário reconstruir um universo como ele era há muito tempo atrás.
Casos em que a difícil equação é resolvida, porém, estão se tornando comuns, como “Roma”, “Deadwood” e, agora, “The Tudors”.
A série, escrita por Michael Hirst, ganhou tratamento de filme hollywoodiano. Não só uma Inglaterra do século 16 foi montada entre monumentos históricos de Londres e paisagens do interior da Inglaterra e da Irlanda, como também as cortes de Lisboa e Paris, além da sede do papado, Roma.
A segunda temporada contém o que se passou de mais interessante na trajetória da dinastia inglesa. O rompimento com a Igreja, o caso de Henrique 8º com Ana Bolena e sua coroação como rainha seguida de sua queda fulminante.
A excelente atuação de alguns membros do elenco garantem o êxito da empreitada. Além de Jonathan Rhys Meyers, que opta por fazer de seu Henrique 8º um popstar de seu tempo, destacam-se Dormer como uma Bolena ambígüa e irresistível, e Jeremy Northam, que vive o difícil papel de Thomas More, o autor de “Utopia”.
Nesta temporada, ainda, surge Peter O’Toole, no papel do papa Paulo 3º.
Uma versão light, sem cenas de sexo, será exibida às quartas, às 21h, a partir de 3 de setembro. Essa é para deixar de lado. (SC)

THE TUDORS
Quando: quintas, às 22h
Reprises: domingos às 22h
Onde: no People & Arts
Avaliação: ótimo

Anúncios

6 comentários sobre “The Tudors

  1. Eu sempre fui apaixonada por História, e recomendo ler “Os reis malditos”, do Maurice Druon (que, pasme, escreveu “O menino do dedo verde”). Tem o clima que hoje você vê no “The Tudors”. A Bertrand lançou a coleção com nova tradução. São seis volumes, e contam a história da França começando por Felipe, o Belo (o rei que condenou e mandou queimar o último Grão-Mestre dos Templários que, lá da fogueira, mandou uma maldição pra cima do rei que foi o ó). Muito bom, vai na fé.
    Bjs

  2. Pingback: Eu estudei no Maria Ubaldina « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  3. ui! vi a sinopse dos livros no submarino [vc viu que tem um sétimo, agora?] e deu mesmo vontade de ler!

    já vi que a pilha não va diminuir nada, hehehe… tou na metade do kenzaburo oe!

  4. Tinha esquecido do sétimo volume – só li os seis primeiros. A trama na verdade se encerra no sexto, e o sétimo (que não me lembro bem) é a visão de alguém de fora que narra o destino da família. Confesso que, para mim, a história decai terrivelmente e acabei largando pela metade, mas tenho vontade de ler de novo – a coleção toda. É muito muito boa, principalmente porque na França vigorava a lei sálica: só homens herdavam o trono, e o único filho realmente capacitado para governar a França era Isabel, a filha de Felipe, o Belo – que era casada com o rei da Inglaterra, que só gostava de bofes, entende. Imagina: você tem toda a inteligência e sagacidade para governar heradas do pai, um rei vigoroso, leeeendo de morrer, poderoso, que morre. Aí quem vai herdar o trono? O irmão maluco (e corno), o irmão bobão (e quase quase quaaaase corno) ou o irmão fraco (e corno)?

    Aliás, acho que é no “A loba de França” que tem a cena de assassinato mais cruel, mais agoniante, mais perversa, mais mais de toda a História.

    Compra, sim, você vai literalmente devorar a coleção. E vai se perguntar como o Maurice Druon (cujo tio-avô era brasileiro) conseguiu escrever também a doçura que é “O menino do dedo verde”.
    Bjs

  5. Pingback: Blogagem coletiva | E meu Oscar vai para… O Homem que Não Vendeu Sua Alma « Batata Transgênica

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s