Justiça e ficção

A escritora [vencedora de um Edgar Award], professora e advogada Lisa Scottoline criou um curso na faculdade de direito da Universidade de Pennsylvania/EUA, em que usa literatura de ficção como base para suas aulas de Justice and Fiction. Ela indicou dez dos títulos dizendo que, se os ler, temos um resumo do curso.

. O mercador de Veneza, de William Shakespeare [tenho numa coletânea, mas não li… ainda]

. O assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie [já li. 3 vezes]

. Anatomy of a murder, de Robert Traver [não li]

. O talentoso Ripley, Ripley Subterrâneo, O jogo de Ripley e O garoto que seguiu Ripley, de Patricia Highsmith [só vi o filme adaptado do 1º]

. O sol é para todos, de Harper Lee [só vi o filme]

. O poderoso chefão, de Mario Puzo [li o livro *e* vi o filme]

. A firma, de John Grisham [só vi o filme]

. A civil action, de Jonathan Harr [não li]

. Uma certa justiça, de P. D. James [não li]

. Rumpole and the Penge Bungalow Murders, de John Mortimer [não li]

Nhai. Eu queria fazer o tal curso resumido mas sem os livros complica. Três deles nem foram traduzidos, pelos menos outros três estão esgotados, e eu duvide-o-dó que tenha na biblioteca de Pedra Lascada.

Outro dia li um artigo de um escritor mexicano reclamando que a produção de romances policiais no país dele era prejudicada pela ausência de um sistema judicial confiável caus que esse tipo de livro parte da premissa de que os bandidos serão punidos no fim, restabelecendo a ordem. Num país em que se corrompe policiais, juízes, ministros e até o meirinho e onde a impunidade é regra, não exceção, isso perde a razão de ser.

Lembra de alguma outra nação gigante por natureza que conhecemos?

Pra quem mais se interessar: a lista comentada pela professora.

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10 comentários sobre “Justiça e ficção

  1. Curso muito legal. Dessa lista, tem bastante que já li, mas háaaa tanto tempo, que deu até vontade de ler de novo. Esses que estão esgotados, você não consegue em sebo? Aqui no Rio costuma ser a minha mão na roda, se quiser, posso ver se encontro para você.

  2. Só li o da Agatha, aliás foi o primeiro dela que li. A justiça americana e a inglesa são muito diferentes da brasileira. Não só pela confiabilidade (existem erros e acertos em todas), mas o procedimento é completamente diferente. Por exemplo, no Brasil o advogado não pode fazer perguntas diretas às partes e às testemunhas, o que é permitido nos EUA e também o que torna os filmes de julgamentos tão interessantes (as audiências no Brasil são chaaaaatas).
    No mais, o curso deve ser bem bacana!

    P.S.: Mandei um e-mail pra você: o livro chegou.

  3. oi, patrícia, deve ser fácil, sim! eu costumo usar a estantevirtual pra achar os livros esgotados [da lista são o roger ackroyd, o 1º ripley e o da pd james]. brigada, frô!

    adrina, é da sua área, né? eu não sabia desse detlhe que advogado não pode falar com os envolvidos na audiência… outro dia assisti um ep de law & order niqui o promotor solicitou ao juiz permissão para inquirir a testemunha de forma hostil – e ele concedeu!

  4. Tem muita fantasia nos filmes de julgamento, Lu. Em geral, não existe aquele “show” todo, mesmo lá fora. No Brasil, por exemplo, o procedimento é engessado, tem normas e regras pra tudo, e, como eu disse no comentário anterior, não é permitido aos advogados e aos promotores fazerem perguntas diretas às testemunhas durante os depoimentos. Também não podem haver intervenções de nenhuma espécie, porque segundo a lei, a testemunha é do juiz, e só ele pode interagir com ela, mas isso é regra geral… exceções acontecem. Tia Adrina também é informação!

  5. Eu não sabia que o formato dos julgamentos eram tão diferentes. Sempre achei que os promotores e advogados de defesa se revezavam para fazer perguntas as testemunhas e ao ré, da mesma forma que vemos nos filmes gringos.

    Eu sempre achei muito interessante ver aquela promotora do Law & Order SVU fazer aqueles teatros todos para conseguir uma confissão.

    Lendo blogs e aprendendo…

  6. e num é, marco?? hehehehe…

    adrina, aproveitando o ensejo [ufs] tenho uma curiosidade: no sistema jurídico ingles e norte-americano vi uma figura legal chamada ‘double jeopardy’. pelo que entendi, significa que uma pessoa não pode ser julgada 2x pelo mesmo delito.

    no brasil sei que um cara não pode ser preso 2x por não pagar pensão alimentícia, por ex. é a mesma situação?

    qual o nome disso? em law & order a legenda oficial dizia ‘transitado em julgado’ ou algo assim, e em eli stone a legenda amadora dizia ‘risco duplo’.

  7. Pingback: Livros e Filmes Entre a Justiça e a Ficção « Cinema é Magia

  8. Pingback: Peregrinacultural’s Weblog

  9. Em latim (ui) se chama “bis in idem”, que significa “incidência duas vezes sobre a mesma coisa”. Em termos processuais (ui, ui) a gente diz que já há “coisa julgada” a respeito de um fato que tem as mesmas partes (num crime, é o criminoso de um lado e o Estado do outro) e a mesma causa de pedir (que é o motivo daquele processo). E, havendo coisa julgada, não pode existir outro processo com identidade de partes e causa de pedir. Diz-se “transitada em julgado” uma decisão judicial da qual não cabe mais recurso.

    A prisão por pensão alimentícia pode acontecer várias vezes, Lu. Explico: Fulano deixou de pagar pensão por x meses no ano de 2007. O “dono” do dinheiro (o alimentado) executa e ele não paga, então é recolhido à prisão por no máximo 90 dias (em geral sai antes porque o dinheiro brota do chão nesses casos). No ano seguinte, ele deixa de pagar a pensão por x meses de novo; se o alimentado executar e ele não pagar, pode ser preso de novo, porque a causa de pedir, como falei lá em cima, é diferente.

    Não é aula de direito, mas só pra não confudir: a prisão por atraso de pensão tem natureza jurídica diferente da prisão por um crime, por exemplo, então os fundamentos são um pouco diferentes.

    Podem me mandar e-mails que quiserem mais alguma informação, pípou!

  10. aaaaaah, agora eu entendeu! então nem a tradutora oficial [e paga] nem o tradutor amador acertaram o tal do ‘double jeopardy’…

    tenho visto em diversos livros/filmes/ep de série que o cidadão não evita julgamento por homicídio, tendo em mãos um bom álibi ou qualquer outra coisa que ele tenha certeza que o inocente, por causa dessa figura legal. não vou contar quais pra não cometer spoiler.
    😆

    brigada, adrina! pó ter certeza que ainda vou apelar pros seus conhecimentos 😉

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