Os 50 maiores vilões da literatura

She's EBIL!

Mrs Coulter is EBIL!

Os articulistas do jornal inglês The Telegraph se depararam com um problema inesperado quando se propuseram a listar os 50 maiores vilões da literatura: como optaram por recorrer o mínimo possível aos quadrinhos e obras infanto-juvenis, perceberam que a literatura adulta não contém tantos vilões assim – melhor dizendo, não exibe uma linha clara que define mocinhos e vilões. Em Moby Dick quem é o vilão, a baleia branca ou o capitão Ahab? E no Paraíso Perdido de Milton, Deus ou Satã?

Eu tive esta dúvida num dos livros de uma série que está na lista, dizem que é uma parábola cristã  mas os personagens “do bem” cometiam tantos atos de preconceito e intolerância, justificados pelo conceito religioso lá deles, que fechei o livro e nunca mais peguei pra terminar de ler. E nem vou assistir ao resto dos filmes.

De qualquer forma, taqui a lista deles com anotações do que eu li ou vi o filme [de Lovecraft li uma porrada de uma vez só, mas isso foi há uns 20 anos, nem lembro mais… Clarissa e Paraíso Perdido vou emprestar de hermã]. No site do jornal tem o comentário dos articulistas.

50 Helen Grayle/Velma Valento de Adeus, Minha Adorada [Farewell, My Lovely], Raymond Chandler

49 Steerpike de Titus Groan e Gormenghast [sem tradução no Brasil], Mervyn Peake

48 Shere Khan de O Livro da Selva [The Jungle Book], Rudyard Kipling

47 Long John Silver de A Ilha do Tesouro [Treasure Island], Robert Louis Stevenson – li

46 Moriarty de O Problema Final [The Final Problem], Arthur Conan Doyle

45 A Feiticeira Branca de O Leão, A Feiticeira e O Guarda-Roupa [The Lion, the Witch and the Wardrobe], C S Lewis – li e vi o filme

44 Milo Minderbinder de Ardil-22 [Catch-22], Joseph Heller

43 Fred de A Decadência de Uma Espécie O Conto da Aia [The Handmaid’s Tale; a tradução do título vale para o filme, não encontrei referência à tradução do livro], Margaret Atwood

42 A mãe de Grendel, de Beowulf – vi a animação

41 O’Brien de 1984 [Nineteen Eighty-Four], George Orwell

40 Captain Hook/Capitão Gancho de Peter Pan e Wendy [Peter and Wendy], J M Barrie

39 Moby-Dick de Moby-Dick, Herman Melville – tou tentando ler faz anos

38 Gil-Martin de Memórias e Confissões Íntimas de um Pecador Justificado [The Private Memoirs and Confessions of a Justified Sinner], James Hogg.

37 Surtur de A Voyage to Arcturus [sem tradução no Brasil], David Lindsay

36 O juiz de Meridiano Sangrento ou O Anoitecer Vermelho no Oeste [Blood Meridian], Cormac McCarthy [autor de No country for old men]

35 Mrs Coulter da trilogia Fronteiras do Universo [His Dark Materials], Philip Pullman – li e vi o filme

34 Clare Quilty de Lolita, Vladimir Nabokov – li

33 Count Fosco de A Mulher de Branco [The Woman in White], Wilkie Collins

32 Signor Montoni de The Mysteries of Udolpho [sem tradução no Brasil], Ann Radcliffe

31 Tom Ripley de O Talentoso Ripley [The Talented Mr Ripley], Patricia Highsmith – vi o filme

30 Bill Sikes de Oliver Twist, Charles Dickens – li

29 Marquise de Merteuil de As Ligações Perigosas [Les Liaisons Dangereuses], Pierre Choderlos de Laclos – li e vi o filme

28 Quilp de Loja de Antiguidades [The Old Curiosity Shop], Charles Dickens

27 Alec d’Urberville de Tess [Tess of the d’Urbervilles], Thomas Hardy

26 Cthulhu de O Chamado de Cthulhu [The Call of Cthulhu], HP Lovecraft – aaacho que li

25 Sauron de O Senhor dos Anéis [The Lord of the Rings], J R R Tolkien – li e vi o filme

24 Don Juan em (entre outros) El Burlador de Sevilla [sem tradução no Brasil], Tirso di Molina

23 The Joker/Coringa de Batman, Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson – li

22 Ernst Stavro Blofeld dos romances de James Bond, Ian Fleming

21 Augustus Melmotte de The Way We Live Now [sem tradução no Brasil], Anthony Trollope

20 Mr Hyde de O Médico e O Monstro [Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde], Robert Louis Stevenson – li

19 Edmund de Rei Lear [King Lear], William Shakespeare – vi o filme

18 Mrs Danvers de Rebecca, Daphne du Maurier

17 Patrick Bateman de O Psicopata Americano [American Psycho], Bret Easton Ellis – li e vi o filme

16 Ferdinand de The Duchess of Malfi [sem tradução no Brasil], John Webster

15 Svengali de Trilby [sem tradução no Brasil], George du Maurier

14 Hannibal Lecter de Dragão Vermelho [Red Dragon], Thomas Harris – vi o filme

13 Conde Dracula de Dracula, Bram Stoker – li e vi o filme

12 Barabas de O Judeu de Malta [The Jew of Malta], Christopher Marlowe

11 Pinkie Brown de O Condenado [Brighton Rock], Graham Greene

10 Vindice de The Revenger’s Tragedy [sem tradução no Brasil], Thomas Middleton

9 Mr Kurtz de O Coração das Trevas [Heart of Darkness], Joseph Conrad

8 Claudius de Hamlet, William Shakespeare

7 Ambrosio de The Monk [sem tradução no Brasil], M G Lewis [Matthew Gregory Lewis]

6 Robert Lovelace de Clarissa, Samuel Richardson

5 Voldemort da série Harry Potter, JK Rowling – li e vi os filmes

4 Iago de Othello, William Shakespeare – li e vi o filme

3 Cruella de Vil de Os 101 Dálmatas [The Hundred and One Dalmatians], Dodie Smith – vi a animação e o filme

2 Samuel Whiskers de The Tale of Samuel Whiskers [sem tradução no Brasil], Beatrix Potter

1 Satan de Paraíso Perdido [Paradise Lost], John Milton

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26 comentários sobre “Os 50 maiores vilões da literatura

  1. Interessante a questão do vilão…adorei o post!

    Dependendo da definição de vilão eu discordo de pelo menos 2 desta lista, sei que eu deveria mandar minha discordância para o The Times, mas acho legal levantar uma “polenta” por aqui mesmo:

    Vilão é o malvado, o que faz as pessoas sofrerem em um nível pessoal, o que persegue os outros, que apronta picuínas… Iago, em Othelo, Claudius em Hamlet, Cruela Cruel, Coringa, Voldemort… são inimigos públicos e notórios. São os chatos que não deixam os protagonistas em paz…

    1 – Milo Minderbinder em Ardil 22 não tem nada de vilão, é apenas um capitalista selvagem que se aproveita das oportunidades da guerra. Neste livro o vilão não é personificado. O vilão em Ardil 22, na minha humilde opinião, seria o código de conduta do exército/aviação norte americanos que levaria os homens à loucura e se aproveitaria desta situação para manter o corpo militar.

    2 – Sauron em o Senhor dos Anéis, não é um vilão, é um poder constituído, poder do mal, é verdade. Apesar de representar e personificar o mal ele não atua como vilão. Nesta história Sarumam é vilão, Gollum é vilão, tem um tanto de vilão ótimo em Senhor dos Anéis, mas Sauron, apesar de ser o inimigo público número 1… não… não concordo que ele seja vilão.

    De resto, tem alguns que não conheço e na maioria eu concordo… mas deve ter sido muito difícil eleger os 50 mais…

    Mas acho que faltaram o Cardeal Richelieu dos Três Mosqueteiros e o Ricardo III de Shakespeare (um vilão que trama deliciosamente)- Tem mais… mas já que tirei 2, coloco dois no lugar!

    🙂

    Abraços

  2. “43 – Fred de A Decadência de Uma Espécie [The Handmaid’s Tale; a tradução do título vale para o filme, não encontrei referência à tradução do livro], Margaret Atwood”.

    O livro chama-se “O conto da aia”, e foi publicado no Brasil pela Editora Rocco. Recomendo e deixo mais uma dica: “Negociando com os mortos”, em que Margaret Atwood disseca o ofício de escrever (também pela Rocco).

    Bjs

  3. rodrigo, sim, levante a polenta [LOL!!]. ardil-22 eu *tenho* de ler, está na lista dos livros que aparecem em lost.

    quanto a sauron eu sempre faço paralelo com voldemort, assim, talvez eles também pensaram a mesma coisa… a diferença é que voldemort depois ganhou corpo, individualidade, enquanto sauron continuou sendo apenas idéia.

    agora, um cara que inventou vilões ótimos foi tio shakespeare, né? fáceis de identificar no meio da multidão 🙂

    su, vc é a salvadora da pátria do pdubt 😆 obrigada, corrigi lá! ah, nos comentários do jornal também questionam a ausência de lady mcbeth

    andréia, eu senti falta do cara de fausto; se o satã de milton tá na lista, ele tinha que estar também, uai. e aquele um que perseguiu jean valjean em os miseráveis [poutz, preciso reler umas coisas]…

    giovanni, bem lembrado! esse é clássico. ah, senti falta também do cara de o perfume.

    henderson, na série harry potter eu detesto umbridge [fudge e o outro ministro da magia que esqueci o nome] mais do que o voldemort mas [e aqqui tou chutando] acho que ele ganhou uma boa colocação por causa do movimento intolerante que tem aparecido com mais freqüência nos jornais, envolvendo jovens principalmente.

    beijão!

  4. Su, Naomi, Lady Macbeth?! Como assim? Ela é tão vilã quantos as bruxas, ué. Ainda que ela dê um empurrãozinho pro marido matar o rei (o que muitos consideram que ele iria fazer de qualquer jeito, com ou sem seu apoio – e muitas produções teatrais adotam essa interpretação), depois que ele é entronado, ela se retira (ou é retirada) ao seu papel de mulher, recolhe-se a sua insignificância. Quem manda matar a família de Macduff é Macbeth, não a Lady. O mesmo com o Banquo. Macbeth se torna um tirano sanguinolento sem nenhuma interferência dela. Pelo contrário, ele fala pra ela não se intrometer. E ela ainda se arrepende tanto de seus atos que se mata. Pra mim, isso não é bem uma vilã. (minha tese de doutorado é sobre Macbeth, então perdão, me empolguei).
    Além do mais, não sei até que ponto Macbeth e sua Lady podem ser considerados personagens literários, já que foram feitos pra serem vistos num palco/tela, não lidos. Vi a lista dos vilões literários muito por cima, já que estou sem tempo nenhum (preciso entregar mais um capítulo até terça), mas ela inclui personagens do teatro? Vcs realmente acham a Lady Macbeth pior que, sei lá, a Marquesa de Merteuil de Ligações Perigosas (que foi interpretada pela Glenn Close)?
    Mas muito legal a lista. Faz tempo que venho querendo realizar uma enquete dos piores vilões do cinema lá no meu bloguinho.
    Abração!
    http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com

  5. Mas para mim o Bateman não cometeu os crimes, foi tudo alucinação dele. No filme, aquela cena em que ele sai correndo atrás da Chloé Savigny (assim?) pelado com uma motoserra na mão, daí ele volta pro apartamento para calçar os tênis e retona à caçada, ainda pelado, é ótima. Ali dá para perceber que é alucinação, ou então a cena seria muito tosca para um filme que até então estava correndo muito bem.

  6. Lola, não vou nem tentar argumentar com a sua tese :o) Mas opinião pessoal: sempre encarei Lady Macbeth como vilã exatamente porque ela não é O mal, como Satã, de Milton (que não deveria nem ser vilão, porque aí então a gente incluiria a Bíblia nesse caldeirão). Enfim.

    Na minha leitura, ela é a vilã mais humana; ela quer mas não quer (pagar o preço). Claudius (que está na lista) é tão vilão como ela o foi – talvez mais por ser fraticida. Ele não se arrepende; ela, sim. E se arrepende realmente por que a consciência pesa ou foi uma escolha do bardo simplesmente por ela ser mulher?

    Sempre penso isso quando leio Macbeth. Todos os vilões das tragédias de Shakespeare são impulsionados pela ambição pelo poder, pela glória. Lady Macbeth é impulsionada pela mesma ambição. Sem poder agir diretamente, empurra o marido para a frente. Mas não mereceu do autor o mesmo destino dado aos outros.

  7. Naomi,

    Vale ler o Ardil 22, é um texto muito interessante e diferente. Com aquele humor “non sense” de repetição que vai ganhando volume e textura quase sensíveis ao toque.

    O formato do texto é bem inusitado e leva bem uns 30% do livro até se acostumar com ele… depois flui e se torna uma narrativa muito instigante.

    Concordo com o Henderson… QUINTO para Voldemort é muito… Acredito que Voldemort ganhou esta posição por ser um dos mais recentes e mais lidos no momento… fama de mau passageira, perto da Marquesa de Merteuil, citada pela Lola, Voldemort é fichinha infantil de picuinha barata!

    Shakespeare sabia construir vilões e penso que a questão colocada pela Lola (se são personagens literários ou não) é pertinente, apesar de que eu prefero ver os textos de Shakespeare como literários, mesmo que originalmente não o sejam.

    Gostei daqui… vou voltar mais vezes!

  8. Naomi, você já viu Lost in Austen? É sobre uma garota inglesa, dos dias atuais, que vai parar na história de “Pride and Prejudice”, se envolvendo com os personagens. Apesar das críticas não muito favoráveis, gostei bastante. Ontem foi ao ar, na ITV, o último dos quatro episódios; já baixei e assisti todos.

    Um abraço!

  9. lola, então sua tese é sobre macbeth? que tudo!! fiquei bem curiosa agora. 🙂 agora, quanto à lady, acho que fui influenciada por terry pratchett e sua paródia ‘estranhas irnmãs’ [conrad, 2003].

    henderson, boa idéia! acho que seria interessante começar com uma pesquisa de opinião. 😉

    rô, putz, comentei logo acima a respeito da visão do pratchett e é a mesma que vc falou…

    rodrigo, valeu pela dica de ardil-22, agora tou preparada [pro susto?].

    karla, vc baixou com legendas junto ou separado? no legendas.tv só tem em espanhol, e no islife nao tem… bateu vontade.

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  13. Desculpem o assunto do email não estar relacionado com a questão em debate mas será que alguém me poderia indicar alguma obra literária, romance que retrate as questões ambientais?

    Sou Professora de Bioética e para trabalhar a questão da ética ambiental tenho tido muitas dificuldades em encontrar material
    Obrigada

  14. Não se levem pela ignorânica pessoal. Quem leu toda a série Potter sabe o quão Voldemort é ruim. Ele É a personificação, nem o nome deles as pessoas falam, ele nem humano é,se transformou em uma criatura com a alma corrompida, ele não sente nenhuma emoção se não o ódio. E mais, interpretado pelo glorioso Ralph Fiennes…

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  17. Voldemort nunca sentiu amor, quem leu os livros, vê que ele já era ambicioso desde criança, e sendo criança já praticava o mal (nos seus limites, claro – ele pelo visto não era tão burro de fazer algo tão mal que chamasse a atenção das pessoas, como matar alguém), creio que a “felicidade” e “alegria” (por ser sentimentos positivos) para ele, era alcançada quando ele conquistava algo, mas sempre, sempre enganando as pessoas, mentindo, matando e qualquer coisa que faça mal ao próximo, para seu benefício, calculista, não sentia remorso, arrependimento, na verdade não sentia muitas, mas muitas coisas que nós sentimos, tudo era pra ele, quem leu os livros vê que ele é realmente a personificação. Lembro de uma conversa com meu tio sobre Vader e ele (sei que Vader não faz parte da literatura), meu tio disse que Vader era mais malvado que Voldemort por ter matado crianças do conselho Jedi (acho que era isso) e por ter destruído planetas e suas civilizações – isso foi possível pelo fato de o universo de Star Wars ser daquele jeito, tecnologia avançada e etc.- mas eu levantei uns pontos para ele que não ouve resposta por parte dele, eu disse que Voldemort sempre foi mal, Vader antes de virar Vader já experimentou sentimentos bons – sendo o amor o principal, assim não preciso citar outro – Voldemort também matou centenas de pessoas, gostava de tortura-las, como Dumbledore disse, +/- “Ultrapassou os limites da maldade”, se uma pessoa é criada e vive no meio de pessoas boas e é má (não se torna má – por ter morado em um orfanato e depois a escola onde foi considerado sua casa, rodeado de pessoas que sentiam afeto por ele, e mesmo assim não se tornou do bem, continuou sendo uma pessoa má e tudo mais), acredito que isso sim é ser ruim, a única coisa que eu não tiro da cabeça é: desde criança ele sempre foi assim, como pode alguém que numa época onde ainda está sendo descoberto novos sentimentos, uma época de inocência, onde o que é lhe passado, é absorvido, onde você vive rodeado de pessoas boas, você ainda assim ser ruim de coração e não mudar com o tempo? Eu acho isso do caralho, sinceramente…

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