Rios Vermelhos

Jean Reno e Vincent Cassel

Jean Reno e Vincent Cassel

De vez em quando eu penso que escrevi sobre um determinado assunto e descubro que não, aquilo ficou só no pensamento mesmo. Por isso que meu sonho de consumo é um leitor de mentes – leitor e tradutor, pra desembaraçar tudo o que fica atravancado lá, igual naquele sótão que aparece na mente do personagem principal do filme Apanhador de sonhos e que é a única coisa que presta no filme inteiro, brrr. Mas tou mudando de assunto, o tema aqui é o oposto de Apanhador, é um filme qua tá na minha lista de TFF.

Rios Vermelhos {Les Rivières Pourpres ou Crimson Rivers, França/2000] passa direto na TV; alguns canais exibem uma versão dublada em inglês com legenda em português, fuja dela, corra! porque fica uma porcaria. Jean Reno tem um timbre de voz bem característico e boa parte da sua atuação vem da modulação que ele imprime; é um instrumento de trabalho do cara e dublar é um pecado. Vincent Cassel não chega a tanto, mas a dublagem anasalada que jogaram nele é criminosa. Na dúvida, prefira sempre o original.

Cena do filme

Cena do filme

A trama mexe com um dos medos crescentes nesta era de manipulação genética mas, ao contrário de Gattaca [outro TFF que ainda não mereceu post exclusivo], não se trata de ficção científica futurística e sim de  uma trama policial com um pouco de horror  que põe no debate o desenvolvimento de teorias do passado recente, especificamente a eugenia nazista transposta para uma comunidade intelectual fechada nos Alpes franceses. E acho que é isso o que dá um clima maior de terror aqui, mais do que os assassinatos que o Comissário Niemans e o Tenente Kerkerian devem desvendar: a frieza com que uma mente inteligente pode determinar que os meios justificam os fins, com o objetivo de criar uma raça superior.

Os primeiros dois terços do filme são a melhor parte, na minha opinião. É tenso, nervoso, engraçado e até um pouco nojento, pra quem gosta de vísceras. O terço final relaxa um pouco, apela pros clichês dos filmes americanos e fica fraco. Ainda assim, Top Favorito.

O diretor é Mathieu Kassovitz – ligou o nome à pessoa? É o Nino, do Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Não erga Missão Babilônia contra a reputação do rapaz, ele renegou a versão lançada pelo estúdio nos cinemas. O filme teve uma seqüência [Rios Vermelhos 2 – Anjos do apocalipse, sem Cassel e Kassovitz], com roteiro de Luc Besson e que lembra muy vagamente O Código da Vinci quando se lê “O Comissário Niemans (Jean Reno) é designado para investigar uma estranha morte, de um homem que foi encontrado emparedado no Mosteiro de Lorraine e que possui sinais esotéricos por todo o corpo”, mas aparentemente as semelhanças acabam aí.

Na cena mais tensa

Na cena mais tensa

Foi em Rios Vermelhos que vi Vincent Cassel pela primeira vez e paixonei totalmente. Ele é filho do Jean-Pierre [que também participou de Rios Vermelhos – é o Dr Chernezé] e casado ca Monica Belucci [com quem atuou em O pacto dos lobos, outro TFF de Titia Batata], mas quem liga pra esses detalhes quando o vê jogando capoeira em Doze Homens e Outro Segredo? Eu não. 😉

O livro niqui baseia-se o roteiro, do escritor Jean-Christophe Grange, foi lançado no Brasil pela editora Record no mesmo ano que o filme.

O canal Hallmark costuma reprisar de forma decente, isto é, no original em francês com legendas. A próxima reprise está agendada para 19 de outubro, às 22h.

Não confundir com Rio Vermelho [Red River, EUA/1948], faroeste de Howard Hawks com John Wayne e Montgomery Clift.

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7 comentários sobre “Rios Vermelhos

  1. Ouch, já me falaram tanto desse filme mas nunca consigo assistir. Vou tentar nessa data aí (o problema é que domingo eu *tenho* que dormir cedo pra trabalhar inteira na segunda).

  2. Pingback: Rios Vermelhos e Teorias do Passado Recente « Cinema é Magia

  3. EU AMOOOOOO Rios Vermelhos… E o povo tem tanto preconceito porque é francês… acabam perdendo um filmão.[1]

    Aliás, tô ficando cada vez mais lá pelas bandas do TCM e do Hallmark – nesse último, tirando a penca de filmes com título de “Amor”, tem uma seleção respeitável de títulos legais. Incluindo aqueles que são produções próprias, como o “Alice no País das Maravilhas” que é espetacular.

  4. si, ainda tem um pessoal que tem preconceito contra filme europeu, né? culpa da turma que incensa filme-cabeuça 😦

    adrina, e pra ajudar é bem no dia que começao horário de verão: no relógio biológico será às 21h. 🙂

    andréia, jean reno é TDB, né??

    su, aquela área é bem legal, mesmo! no mgm tem passado uns filmes legais, tb. no tnt eu só vejo se for um filme muito bom que não passa em nenhum outro lugar, pq lá é tudo dublado…

    sweet, boa!! uma penseira, isso 🙂

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