Razão e Sensibilidade / Sense and Sensibility

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Era uma vez um teste de personalidade que perguntava qual heroína de Jane Austen era você. O resultado da pessoa deu Elinor Dashwood, a irmã razoável da obra Razão e Sentimento [ou Sensibilidade, como ficou mais conhecida no Brasil]. Isso despertou na Titia Batata um Desejo e Reparação* de reler o livro e rever o filme quando, ao pesquisar na Internet, descobriu que a BBC lançou uma nova adaptação em 2008 em formato de minissérie.

. Ops. Autor errado.

Titia Batata lembra que adorou a versão da BBC para Orgulho e Preconceito / Pride and Prejudice, da mesma autora e do mesmo roteirista [Andrew Davies], por isso correu a baixar os três episódios mais do que disposta a gostar também dessa adaptação – inda por cima do seu livro favorito de Jane Austen, ora essa.

Alan Rickman (1995) e david Morrissey (2008 )

Coronel Brandon: Alan Rickman (1995) e David Morrissey (2008 )

Daí começam os primeiros dois minutos e minha primeira reação é “mas hein?” Será que baixei um arquivo fake, daqueles que são nomeados uma coisa e na verdade são pornôs? Não, olha ali os créditos: é mesmo Sense and Sensibility.

Não sou pudica, juro procê, mas não acho que para expressar sensualidade seja necessário exibir tanta pele. Veja a cena do filme de 1995, por exemplo, quando Willoughby [Greg Wise] checa o tornozelo de Marianne [Kate Winslet] depois que ela cai. IMHO, muito mais sexy do que a cena inicial da minissérie e com todas as peças de roupa no lugar – meias insclusive. Foi uma nudez gratuita e desnecessária, além de fora de contexto porque não teve consequência nem sequência.

Hugh Grant (1995) e Dan Stevens (2008 )

Edward Ferrars: Hugh Grant (1995) e Dan Stevens (2008 )

À medida que continuava a assistir a série tratei de deixar aquilo de lado e me concentrar em gostar dessa versão. Acho que aqui cabe um comentário: não tinha revisto o filme de Ang Lee ainda, e a última vez que o assisti foi há pelo menos cinco anos [ou mais], quando comprei o vhs num botafora da videolocadora.

Mesmo assim, dava para perceber que a minissérie foi mais fiel à letra do livro, especialmente quanto aos personagens. Isso acabou resultando num elenco maior e em maior duração [mais ou menos 40 minutos a mais do que o filme de 95]. E por falar em elenco, me distraí várias vezes matutando “eu conheço essa cara de algum lugar…” Isso é ruim porque tira toda a concentração, então fui buscar mais informações no iMDB móde sossegar o bichinho especulador.

Emma Tompson e Kate Winslet (1995), Hattie Morahan e Charity Wakefield (2008 )

Elinor e Marianne Dashwood: Emma Tompson e Kate Winslet (1995), Hattie Morahan e Charity Wakefield (2008 )

Hattie Morahan [Elinor] não me lembrou nada [exceto a Maggie Gyllenhaal], embora tenha participado de A bússola de ouro como Sister Clara. Em todo caso, a verei de novo na adaptação de Cem gramas de centeio em 2009. Muitos atores do elenco participaram de adaptações de Agatha Christie, aliás. A atriz que faz a viúva Dashwood, por exemplo, reconheci porque a vi como Anne Protheroe em Assassinato na casa do pastor e era também a Nellie Dean na versão de 1992 de O morro dos ventos uivantes [aquele com a Juliette Binoche e o Ralph Fiennes]; Dan Stevens [Edward] vi em Nêmesis, e Mark Gatiss [John Dashwood] em Encontro com a morte.

O rosto feminino mais marcante desse novo elenco é o de Charity Wakefield [Marianne]: no iMDB diz que ela apareceu como Miss Temple no Jane Eyre de 2006, outra minissérie da BBC que adorei, mas não me lembro de nada a não Toby Stevens. Tim McMullan [Mr. Palmer] era o ajudante do cientista de O quinto elemento. Mark Williams [Sir John Middleton], claro, é Arthur Weasley na série Harry Potter; David Morrissey me é uma incógnita, eu posso jurar que já o vi antes mas não lembro onde, nem com a ajuda do iMDB. Tem o ep The next Doctor de Doctor Who, sim, que eu baixei mas não assisti ainda. Em todo caso, o rosto masculino mais identificável neste elenco é o de Dominic Cooper [Willoughby], do elenco de Mamma Mia! e de A duquesa.

Greg Wise (1995) e Dominic Cooper (2008 )

John Willoghby: Greg Wise (1995) e Dominic Cooper (2008 )

Depois que revi o filme de 95 percebi que, com algumas poucas excessões, outro motivo preu achar que já conhecia as caras da minissérie é porque escolheram os mesmos tipos físicos pros mesmos papéis. Os irmãos Ferrars são quase cópia carbono nos dois trabalhos [Fanny, Edward e Robert]. Winslet e Wakefield não se parecem nas fotos e na maioria das cenas, mas durante a febre da personagem Marianne, no final, Winslet ficou muito parecida com Wakefield.

A impressão geral que me passou é que esta foi um remake do filme, e não uma nova adaptação do livro – apesar da maior fidelidade à letra, apesar do filme se concentrar mais na Razão e a minissérie no Sentimento e tudo o mais. Por isso e por aquilo, a versão da Emma Thompson ainda é minha favorita das duas que assisti.

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A história é sobre duas irmãs, Elinor e Marianne, que perdem o pai, um rico proprietário de terras. Elas são filhas do segundo casamento dele, que só gerou meninas. Por força da lei, a herança deve ir a um descendente masculino – no caso, o filho do primeiro casamento. O velho Mr. Dashwood arranca a promessa de seu filho John de que ele cuidará da madrasta e das meio-irmãs [meias-irmãs?]. John tem intenção de manter a palavra mas, como a gente diz aqui nos interior, de boa intenção o inferno tá cheio. Sua esposa Fanny Dashwood, née Ferrars, o convence do contrário.

As irmãs passam a viver da generosidade de um parente distante de Mrs. Dashwood, Sir John Middleton, um homem que gosta de pessoas e de fofocas, o que ele compartilha com sua sogra, Mrs. Jennings. Ambos tomam a si a tarefa de arranjar bons partidos para as irmãs Dashwood. Embora arruinadas, elas não tinham outra alternativa a não ser o casamento – ao contrário de Jane Eyre ou Agnes Grey, por exemplo, que podiam trabalhar porque não eram membros da sociedade.

Coronel Brandon testemunha as alegrias da paternidade de Mr. Palmer

Coronel Brandon testemunha as alegrias da paternidade de Mr. Palmer

O envolvimento romântico que elas desenvolvem com os personagens masculinos demonstra como são diferentes entre si na forma de expressar as emoções, mas não na intensidade dos seus sentimentos.

Jane Austen inclui algumas críticas sociais disfarçadas nos livros, é uma pena que as adaptações se concentrem apenas no romance. Um pequena excessão vem na forma da personagem Margaret Dashwood, a caçula das irmãs: no filme de 1995 ela é uma aficcionada por geografia que sonha viajar pelo mundo e ser pirata; na minissérie de 2008 ela reclama que “homens podem montar a cavalo, viajar e fazer coisas, enquanto mulheres devem sentar e esperar que as coisas aconteçam com elas”.

Há também bastante humor nos livros da autora, além de um pouco de deboche da sociedade. Vale a pena ler.

Oh, e assistir às adaptações, claro, mesmo a minissérie.

Personagem 1995 2008
Mr. Dashwood Tom Wilkinson não creditado
Mrs. Dashwood Gemma Jones Janet McTeer
Elinor Dashwood Emma Thompson Hattie Morahan
Marianne Dashwood Kate Winslet Charity Wakefield
Margaret Dashwood Emilie François Lucy Boynton
John Dashwood James Fleet Mark Gatiss
Fanny F. Dashwood Harriet Walter Claire Skinner
Henry Dashwood não existe Morgan Overton
Mrs. Ferrars mencionada Jean Marsh
Edward Ferrars Hugh Grant Dan Stevens
Robert Ferrars Richard Lumsden Leo Bill
Sir John Middleton Robert Hardy Mark Williams
Lady Middleton falecida Rosanna Lavelle
Mrs. Jennings Elizabeth Spriggs Linda Bassett
Charlotte J. Palmer Imelda Staunton Tabitha Wady
Mr. Palmer Hugh Laurie Tim McMullan
Lucy Steele Imogen Stubbs Anna Madeley
Anne Steele não existe Daisy Haggard
Cel. Brandon Alan Rickman David Morrissey
Eliza Williams citada Caroline Hayes
John Willoughby Greg Wise Dominic Cooper
Miss Gray Lone Vidahl não creditado
Pigeon/Foot Allan Mitchell David Glover

Blogues legais
Jane Austen em português
Austen Blog em inglês

Serviço
Entrada do livro Sense and Sensibility no Wikipedia, em inglês
Trailer do filme de 1995 no Youtube
Trailer da série de 2008 no Youtube
Hotsite da série na BBC
Download do livro no Project Gutenberg, em inglês.

Off-topic
Plagiarismo na tradução de Persuasão – blog não gosto de plágio

Ask Mr. Palmer, he has a better view!

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14 comentários sobre “Razão e Sensibilidade / Sense and Sensibility

  1. Tenho pra mim que o doutor House é uma encarnação do Mr. Palmer! ri um bocado com este post, Dona Batata!

    Também ainda gosto mais do filme 1995. Mas quero, quando sobrar tempo e paciência, assistir os dois como se fosse uma leitura comparada e depois deitar falação lá no Jane…

    um abraço, raquel

  2. Dá uma vontade danada de rever o filme!
    Seus posts provocam tais coisas na gente, minha flor!

    Não sei se o Vini tem blog…
    Achei que ia me encontrar com ele nesse fim de semana…
    Daí a chuva chegou com vontade!
    Bom para lavar o céu.
    hehehehehehehehehehehe
    Quando me encontrar com ele eu pergunto, fofura.
    Já ia mesmo indicar seu blog para ele, claro!
    Confesso, contudo, que a turma daqui é mais chegada num yorkut…
    Vá se entender!

  3. Naomi, qdo vc dorme? Vc se nutre? Vc é serumano? De onde vc veio? Lê, assiste, resenha, visita, responde, ri, intervém, escreve, chora, esperneia, ouve música, cuida do gatinho, e o que mais? Me conte o seu segredo!!!! :)

  4. Ahhh eu amei o filme, mas não assisti a série.

    Jane Eyre eu só li, mas não vi, e Agnes Grey tenho em inglês e me dá uma preguiça danada de ler… rsrs

    Enfim, acho que Austen e as irmãs Bronté tem um monte de coisas em comum e o estilo bem parecido, não é?

    A propósito, vc viu o filme com a Anne Hattaway em q ela interpreta a Jane Austen e faz romântico com o Mr. Tumnus do Senhor dos Anéis? Se não assistiu, vai a dica. O filme é bem bonito.

  5. Naomi, não adianta… eu prefiro os orginais, salvas raríssimas exceções. Eu assistí as duas versões e comparei tudo, o tempo inteiro. Ok que a versão mais nova é mais completa, mais detalhada, mas o elenco original me parece mais, huh, seasonal, sabe? rsss

    Vamos lá, já que o assunto é Jane Austen, dá para imaginar qualquer outro ator fazendo Mark Darcy que não Colin Darcy, digo Firth? Não rola, néam? rsss

    Enfim, adorei o post e acho que irei rever o filme de Ang Lee..

    Ah, sim, sisqueci. A tradutora da série Eclipse é Rita Vynagre. Não tenho lido livros em português, então nem tenho como avaliar seu trabalho, masssssss…. encomendei os originais, em inglês e depois te digo quiôve (como diz a Ciça).

    Beijocas e ótimo weekend

  6. raquel, parece mesmo! mas com uma esposa daquelas, tadinho, nem o santo do wilson [robert sean leonard] seria diferente ;)

    cássia, legal! eu tenho orkut, mas não acesso há meses…

    luma, eu conto: tenho insônia :( geralmente vou dormir às 2 ou 3h da manhã. de vez em quando tento dormir cedo e fico fritando na cama, mas isso me irrita, hehehe.

    adriana, não vi esse ainda! vou procurar na locadora, valeu pela dica :) mas… o mr. tumnus? sério?? ah, peraí, confundi com o cara da paródia epic movie.

    chris, tem razão, não existe outro mr. darcy a não ser o colin firth. o matthew macfadyen não teve a menor chance, tadinho :lol:

    tommy, imagine house e snape no mesmo filme!

  7. Oi Naomi!

    Muito boa sua análise dos dois filmes, gostei! Não vi a minissérie, mas adorei o filme do Ang Lee. Emma Thompson, Kate Winslet e Alan Rickman juntos é covardia, não? (Hugh Grant eu dispenso, eta carinha sem graça, mas devo admitir, estava perfeito no papel)

    E vambora trabaiá, que cinema só no fim de semana! ;-)

    Beijos!

    Cris

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