O Último Templário

last-templar02Uma das grandes desvantagens de envelhecer é que algumas coisas perdem o sabor da novidade. Tenho percebido muito isso de uns tempos pra cá, quando descubro que estão a refilmar filmes que assisti no lançamento ou ao assistir filmes que usam sobras de outros filmes que já vi antes.

Foi isso o que aconteceu quando assisti O Último Templário [The Last Templar, Canadá/2009], telefime adaptado do livro homônimo de Raymond Khoury. Ele reúne elementos que me atraem nesse gênero aventura arqueológica: História, a Ordem Templária, teorias conspiratórias, conspirações religiosas, investigações, assassinatos e até, vá lá, um pouco de perseguição. Parece legal, né? Só parece.

O problema nem é a falta de verossimilhança caus que até cabe um pouco de exagero ou falta de lógica nesse tipo de filme, ninguém espera uma aula fidedigna de História – embora tenham passado bem ao largo da fidedignidade, neste caso. E eu nem digo nada da fidelidade ao livro porque não o li; na verdade, se depender do meu entusiasmo depois de terminar o filme, vou ler é nunca.

last-templar-sorvinoEu poderia passar batido também pela interpretação fraca e caricata dos atores. No início não percebi que a atriz principal era a Mira Sorvino, eu achei que era a Kellie Martin, da série Mystery Woman, e depois pensei que fosse a Sarah Michelle Gellar, de Buffy. A impressão que me deu é que ela tentou emular a Evelyn Carnahan, a personagem borbulhante de Rachel Weiz em A Múmia, só que falhou miseravelmente. Seu colega Scott Foley [The Unit] apenas seguiu o ritmo e Victor Garber foi Victor Garber, com um colarinho clerical em vez do terno usual. Esse filme não vai render nenhuma indicação ao Emmy pra nenhum deles.

A trama é simplória: filha de famoso arqueologista, ela mesma arqueóloga [Sorvino – *toing!* Indiana Jones], visita exposição de artefatos do Vaticano em Nova Iorque quando um grupo vestido de Cavaleiros Templários saqueia o museu. Um dos objetos roubados é um decodificador templário [*toing!* O Código Da Vinci] e ela procura a ajuda de um colega de seu pai, especialista na Ordem dos Templários, e descobre que o roubo pode estar relacionado a um tesouro resgatado pelos Templários em Jerusalém [*toing!* A Lenda do Tesouro Perdido]. Ela parte em busca do pergaminho que revelará a localização do tesouro [*toing!* Lara Croft – Tomb Raider] tendo a companhia de um agente do FBI [Foley] que não se sabe se está lá para protegê-la ou por interesse pessoal [*toing!* O Guardião].

Esse toing! ficou apitando na minha cabeça o tempo todo e eu só queria gritar clichê, clichê, CLICHÊ! mas me contive, fique tranquilo.

Não, o problema que me incomodou de verdade em O Último [se Deus quiser] Templário foi o ponto de vista maniqueísta sobre a questão Templários versus sarracenos muçulmanos. Optaram pela versão de conto de fadas que estabelece que a Ordem era movida pela Fé pura, com F maiúsculo, e seus Cavaleiros eram os mártires do cristianismo contra os diabólicos muçulmanos.

Blé.

O único ponto interessante das três horas de duração  foi a presença de Omar Sharif no papel de Constantino, o imperador romano que se converteu ao cristianismo – de novo, segundo a versão de conto de fadas, sem o contexto histórico, militar, político e outros interesses adjacentes.

Chegou num ponto que quase achei Lara Croft – Tomb Raider melhor do que este filme. Para a notícia mais interessante a respeito que encontrei ser o fato de que a atriz perdeu cinco dentes num acidente de filmagem, faltou pouco pra isso acontecer.

Anúncios

9 comentários sobre “O Último Templário

  1. Ah, naomi, o livro é tãããão melhor que o telefilme.
    Eu assisti primeiro a 1ª parte de O Último Templário, então resolvi baixar o livro pra ler. Devorei o livro…a 2ª parte do telefilme não assisti até hoje, hehehehe.
    Mas até onde assisti ( a cena absurda de uma arqueóloga cavando as ‘cinzas’ em busca de um tesouro arqueológico, sem se preocupar a mínima com a destruição de um sítio de suma importancia arqueológica) eu vi inúmeras diferenças entre livro e filme, especialmente na caracterização da personagem da Mira Sorvino. No livro ela não é essa mulher maníaca por sapatos, toda cheia de nove horas e que cavalga atrás do bandido. Aliás, a tal cruz nem foi o pai dela quem encontrou e tampouco existe a tal história da visão do pai que o levou à cruz. Ela é simplesmente cética e pronto. E é uma mãe normal, uma mulher normal mas apaixonada por arqueologia e que vê nessa história do roubo a possibilidade de fazer seu nome no mundo arqueológico e decide ser a pessoa que irá encontrar o tal tesouro dos templários.
    O personagem do agente do FBI eu achei relativamente parecido, mas talvez seja pq eu ADORE o Scott Fowley. Tenho adoração por ele. Mas, confesso, no livro ele é bem mais tranquilo e menos influenciável pela arqueológa.
    O livro entratanto tem uma queda de ritmo depois de certo ponto (não sei como é no telefilme) e acredito que o final foi covarde e um tanto quanto preguiçoso por parte do autor.

    Agora, sobre os clichés, lembrei-me do que o Mark Sloan disse em um episódio de Grey’s Anatomy: “se tornaram clichés justamente porque funcionam e foram repetidos a exaustão”.

  2. Concordo com Mica. O livro é muito bom… Estava ansiosa pelo filme, mas depois do que li… nem quero ver rsrsrsrsr… Tou lendo agora O Santuário do mesmo autor! O Livro está ótimo!

  3. Olá! Acabei de assistir esse filme e a primeira coisa que fiz depois de com prazer desligar o DVD foi correr para o computador para ver se era só eu ou outras pessoas também acharam esse filme um horror! Li seu texto e vi que ainda havia esperança e que realmente eu não era a única a ter essa opnião. Como quase tudo sobre o filme já foi dito, só me resta deixar uma humilde observação: como, como mesmo, o telefone celular dos benditos personagens pega em pleno deserto? Rsrs! Fato é que nem sempre os clichês funcionam!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s