Elizabeth Canning

– Faz pensar no caso de Elizabeth Canning – disse Japp. – Lembra? Uma porção de testemunhas de ambas as partes jurou ter visto a cigana, Mary Squires, em dois lugares diferentes da Inglaterra. E testemunhas de toda a confiança, aliás. E a mulher tinha uma cara tão horrenda que não podia haver outra igual. O mistério nunca ficou esclarecido. (Agatha Christie, Treze à Mesa, Nova Fronteira, 2005, pág. 66-67)

Elizabeth Canning

Elizabeth Canning

Elizabeth Canning (1734-1773) foi uma mulher pobre, que nasceu e trabalhava em Londres como empregada para o carpinteiro Edward Lyon quando desapareceu em 1º de janeiro de 1753. Testemunhas afirmaram que ela era boa trabalhadora e tinha bom caráter (o que naquela época significava que praticava a castidade).

Quando Elizabeth reapareceu quase um mês depois, na casa de sua mãe, ela disse que havia sido raptada por dois homens que arrancaram parte de suas roupas, a roubaram e bateram em sua cabeça, deixando-a desacordada, mas não a molestaram. Ao recuperar os sentidos, ela estava numa casa estranha.

A mulher que administrava essa casa quis contratá-la como prostituta e, quando Elizabeth recusou, a velha cortou e retirou o que restava das suas roupas e a trancou num quartinho, alimentando-a com um pouco de água e migalhas de pão. Elizabeth contou que conseguiu escapar por uma janela e descobriu que estava perto da casa de sua mãe.

Um de seus amigos desconfiou que ela foi feita prisioneira na casa de “Mother” Susannah Wells. Elizabeth foi levada ao bordel para fazer o reconhecimento e apontou uma mulher cigana como a sua captora, Mary Squires.

Wells e Squires foram presas e julgadas; três homens testemunharam que viram Mary Squires em Dorset na época do desaparecimento de Elizabet Canning. Susannah Wells foi condenada a seis meses de prisão; Mary Squires à morte por enforcamento; John Gibson, William Clark e Thomas Grevil, as três testemunhas que disseram ter visto Squires em Dorset, foram julgados por perjúrio quando ela mudou seu álibi, mas foram perdoados por falta de testemunhas contra eles.

Mary Squires (Guildhall Library)

Mary Squires (Guildhall Library)

O inquérito foi conduzido pelo então magistrado Henry Fielding, que fundou a prmeira força policial de Londes e é mais reconhecido mundialmente por ser o autor de livros como Tom Jones e Shamela.

O prefeito de Londres, Sir Crisp Gacoine, não ficou satisfeito com o veredito e conduziu um inquérito particular que encontrou diversas outras testemunhas que confirmaram ter visto Mary Squires em Dorset; este inquérito acabou por inocentar a cigana, que sofria a perseguição e ataques dos londrinos e recebeu o perdão real de George 2º.

Elizabeth Canning foi julgada por perjúrio e condenada ao exílio. Um dos que apoiavam Canning pertencia à Companhia das Índias Orientais e arranjou para que ela fosse exilada nos EUA, então colônia britânica, seguindo num navio confortável ao invés de um navio de condenados. Ela casou-se com John Treat, sobrinho-neto de um antigo governador de Connecticut e teve cinco filhos, mas nunca mais mencionou o caso.

The resulting press frenzy was fierce. The two camps were called the Canningites and Egyptians (for “Gypsy”). Henry Fielding wrote A Clear Statement of the Case of Elizabeth Canning, and two of his enemies wrote replies. John Hill wrote The State of Elizabeth Canning’s Case Considered, and Allan Ramsay wrote A Letter to the Right Honourable the Earl of — Concerning the Affair of Elizabeth Canning. Voltaire would base his own 1762 Histoire d’Elisabeth Canning, et de Jean Calas on Ramsay’s account. Gascoyne wrote An Address to the Liverymen of the City of London, from Sir Crisp Gascoyne. (Wikipedia)

Leitura complementar
Mary Squires and Elizabeth Canning – The Newgate calendar
The Case of Elizabeth Canning – Historical Mysteries
Historical Mysteries by Andrew Lang – Project Gutenberg

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7 comentários sobre “Elizabeth Canning

  1. Nossa, parecem personagens saídos das páginas de Dickens. Não conhecia a história, e qdo comecei a ler o post, já pensei que fosse um caso semelhante ao do Kaspar Hauser. Confessa, Bata, se pudesse viajar no tempo, você iria para Londres vitoriana, é ou não? (Eu tbém) Beijos!

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