As famílias mudam

Na semana passada vi um comercial de Nebacetin no intervalo do jornal Tem Mais Notícias [da afiliada regional da Globo, TV Tem – aliás, quantos comerciais de medicamentos passaram naquele dia! Contei quatro em 15 minutos].

O comercial já tem mais de ano, pelo que pesquisei por aê, mas nem eu nem os miguxos pra quem perguntei tinham visto ainda. Começa dizendo que as famílias mudam, o jeito de cuidar não, e daí passam diversas famílias a comentar para o que usam o produto.

O que me chamou a atenção foi a composição dessas famílias: foi o primeiro comercial que eu vi a mostrar não apenas o modelo pai-mãe-casal-de-filhos de comercial de margarina, mas também uma família formada por filhos adotados de outras etnias, de mãe solteira, de pais homossexuais.

“As famílias mudaram, é fato. A sociedade já reconhece os novos modelos de famílias. Nebacetin é uma marca que evoluiu com seu consumidor e prova isso mostrando todos os tipos de família no seu comercial”, declara André Godoi, redator da agência. [Vitrine Publicitária]



Link http://www.youtube.com/watch?v=5anyL_SdFic

Eu gostei, queria ver mais desses – e menos do tipo do comercial de Merthiolate que vi no mesmo dia: a mãe de uma adolescente pede que a garota và à farmácia comprar Merthiolate. Ela se desloca de patins pelas ruas repetindo o nome do produto.

Quando entra na farmácia esbarra num adolescente bonitinho e esquece o que foi comprar. Meio que anti-propaganda, né? Diz que a marca é facilmente esquecível e que adolescentes são cabeças de vento. Pena que não encontrei o vídeo no Youtube.

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8 comentários sobre “As famílias mudam

  1. Oi, Naomi! Obrigado pelos comentário!
    Ah, eu assisti esse comercial na mesma TV Tem, nunca o havia visto e ele também me chamou muito a atenção. O incrível é que quando eu o assisti não havia percebido logo de cara essa relação com os diferentes tipos de família, só quando o comercial terminou é que eu fiquei na cabeça: apareceu escrito “pai”, “pai” e “filha” sobre a cabeça daqueles dois homens? Muito interessante, não é mesmo?
    Mas agora que você escreveu que o comercial deve ter mais de um ano, fiquei pensando se eles só não estavam tentando aproveitar os fatos ocorridos na época: o casal homossexual que se casou… isso também não pode ser considerado apenas uma forma de manter o comercial na cabeça do expectador? Ou seja, não é realmente a idéia deles mostrar as diversas famílias, mas sim colocar uma situação que causaria discussão, portanto seria marcante. Se for essa a idéia, conseguiram, pois estamos aqui discutindo, não?
    Infelizmente, fiquei com um pé atrás com qualquer publicidade depois de ler “A publicidade é um cadáver que nos sorri”, de Oliviero Toscani (creio que conheça).
    Abraços!
    Rafael Marchesin

  2. esse comercial da nebacetin é um dos meus preferidos. e o do merthiolate parece comercial de remédio pra memória. que absurdo!
    vc podia comentar o comercial novo da amil, né: um cara em nárnia, camisa branca, em meio a borboletas e flores multicoloridas dizendo “eu não estou só!”… juro que na primeira tomada achei que era campanha contra homofobia. daí começam a voar helicópteros da amil e brotar doutores random olhando radiografias no meio das flores e decidi que, sim, os ácidos que os publicitários tomaram na década de 60 tão dando flashback e fazendo até a gente embarcar numa badtrip dos diabos!
    bjo, lu!

  3. nossa…fez meu dia a propaganda da Amil que o comentário acima citou…hilária…

    Concordo com o comentário do cara que postou a peça no youtube: “O anúncio da AMIL, empresa de planos de saúde, é o mais bem acabado exemplo da nossa capacidade em produzir coisas ruins na propaganda. Uma vergonha para os publicitários e para os dirigentes da empresa que trabalharam no projeto.”, e rachei com “os ácidos que os publicitários tomaram na década de 60 tão dando flashback e fazendo até a gente embarcar numa badtrip dos diabos!” uhauhauhauahuah

  4. Somos circundados de diversidade por todos os lados, mas só os legisladores não vêem, né. Ah, tem Parada Gay em Roma este final de semana. A comunidade GLBT promete festa, mas tbém muitos protestos, com essa “poca vergonha” no poder, pudera.

    * A propósito, tô só chutando, mas creio que o mercado brasileiro deve ser milionário, em volume de consumo de remédios. Depois dos americanos, deve ser o que mais gosta de ingerir remédio em cima do outro, como fosse balinha… Não é à toa que as multinacionais farmacêuticas gastam horrores em publicidade no Brasil, ô mondiê, onde a gente vamos parar.

  5. Pingback: O que importa é que seja amor | Porque minhas opiniões não cabiam na telinha da TV

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