Furoshiki, o ancestral das ecobags

Diagramas de dobradura

Diagramas de dobradura

Desde que me conheço por gente, mas especialmente quando era criança, lembro da minha avó e da minha mãe usando grandes lenços para embrulhar coisas – por “coisas” entenda-se obentô, as marmitas japonesas. Eu me lembro de um branco, com estampa de folhas marrom-chocolate, que usamos muito em piquenique. Minha mãe dá uns nós fortes que só ela consegue desfazer.

Depois, lá pelo meio dos anos 80, elas acabaram por render-se à praticidade das sacolas plásticas. Os lenços sumiram um por um, até os que obachan trouxe do Japão. Apenas recentemente [uns três anos] minha mãe adotou as ecobags, as sacolas de algodão reusáveis; agora tem até uma coleção, caus que a gente ganha na renovação de assinatura de revista, na compra de kit de produtos, etc.

Chamei de “lenços” mas o nome certo é furoshiki, um quadrado de tecido resistente o bastante para não rasgar e fino o suficiente para dobrar, enrolar e amarrar [algodão, crepe, seda, nylon, raion ou tecido de garrafas PET recicladas]. Parece que os primeiros registros de uso do furoshiki foram nos onsen [as piscinas de água termal]. As pessoas que iam se banhar no onsen faziam um embrulho com as roupas; mais tarde, o uso dos furoshiki se estendeu ao transporte de mercadoriais e até para embrulhar presentes.

No período pós-Segunda Guerra Mundial aumentou o uso das sacolas plásticas no Japão e diminuiu o uso dos furoshiki – como minha avó imigrou antes da Guerra, manteve o costume por mais tempo.

Com o movimento pela diminuição do uso das sacolas plásticas, a então Ministra do Meio-Ambiente Yuriko Koike lançou uma campanha pela volta do furoshiki em 2006, batizada Mottainai Furoshiki – já comentamos o significado de mottainai antes, só não lembro se foi aqui no WP ou no Velho PdUBT.

Mensagem de Yuriko Koike:

I’ve created what you might call a “mottainai furoshiki”. The Japanese word mottainai means it’s a shame for something to go to waste without having made use of its potential in full. The furoshiki is made of a fiber manufactured from recycled PET bottles, and has a birds-and-flowers motif drawn by Itoh Jakuchu, a painter of the mid-Edo era.
The Japanese wrapping cloth known as the furoshiki is said to have been first used in the Muromachi Period (1392-1573), when people spread it out in place of a bath mat or wrapped one’s clothes with it.
The furoshiki is so handy that you can wrap almost anything in it regardless of size or shape with a little ingenuity by simply folding it in a right way. It’s much better than Plastic bags you receive at supermarkets or wrapping paper, since it’s highly resistant, reusable and multipurpose. In fact, it’s one of the symbols of traditional Japanese culture, and puts an accent on taking care of things and avoiding wastes.
It would be wonderful if the furoshiki, as a symbol of traditional Japanese culture, could provide an opportunity for us to reconsider the possibilities of a sound-material cycle society. As my sincere wish, I would like to disseminate the culture of the furoshiki to the entire world. [Ministry Of the Environment]

Nesse vídeo tem uma demonstração de como amarrar um furoshiki e fazer uma sacola de compras com apenas dois nós:


Link http://www.youtube.com/watch?v=QcqeeUur50k

A imagem que ilustra este poste foi retirada do site do Ministério do Meio-Ambiente japonês e contém vários diagramas para embalar produtos de diversos formatos – até para duas garrafas de cerveja/vinho/saquê de modo a evitar aquele tlim-tlim-tlim!

Mais diagramas no site furoshiki.com

Site legal
Mottainai – em português brasileiro

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5 comentários sobre “Furoshiki, o ancestral das ecobags

  1. Yeah!

    Nos picnics coletivos ao redor das cerejeiras, em gincanas escolares, mesmo os casais jovens ainda usam o furoshiki.
    Sim, estou falando em Hamamatsu que é uma cidade do interior perto de Tokyo ou Osaka. Mesmo sendo uma ilhota, a diferença cultural é grande – e estamos no meio do caminho das duas metrópoles.

    Uti no obatian mo ishoo.

    Besos!

  2. Boa essa, de lembrar dos belos lenços, Bata. Minha mãe que era vaidosa, colecionava puramente pelo gosto das estampas, e às vezes, usava-os no pescoço, como verdadeiro foulard, como echarpe. É o minimalismo perfeito que combina praticidade e estética. Ela tinha um com a estampa de Hokusai, que lindo! Qdo a gente ia ao undokai(gincanas), ela escolhia os mais feinhos pra não sujar, vê se pode.

    Aquí na Itália, de tempo em tempo, alguns estilistas repropõem o furoshiki(a preço exorbitante) com as próprias estampas. Eu mesma já usei furoshiki(grande) de estampa japonesa como bolsa, e todos por aquí avançaram nela querendo igual.

    Sobre as ecosacolas, por aquí cobram por unidade de saco plástico nos supermercados há mais de 20 anos, pois todos levam sacolas e carrinhos de casa. As mulheres sobretudo, de qualquer idade, sempre têm uma sacolinha bem dobradinha guardada na bolsa, por que nunca se sabe que passe em algum lugar para comprar algo. São pequenos toques e bom senso que fazem a diferença. Beijos!

  3. qui shiki…
    não tenho nenhum ascendência japonesa, mas sempre fui encantado com a engenharia das coisas simples que os japoneses, e boa parte dos demais orientais, são mestres

  4. Uau!
    Adorei saber como nasceram os embrulhos de presentes!
    🙂

    Não me rendo às ecobags…
    Continuo usando as sacolas plásticas, e reciclando-as, como posso.
    Aliás, todo mundo sempre se preocupou em reciclar, ao menos as pessoas que conheço.
    Fico sem entender esse modismo…
    *suspiros*

  5. Pingback: Pequenas atitudes « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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