Filme | Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Um dos pôsteres

Um dos pôsteres

A escritora britânica J. K. Rowling conseguiu algo que outros autores tentaram antes, sem sucesso: um controle e poder de decisão sobre a adaptação de sua obra para o cinema quase sem precedentes, de acordo com as entrevistas exibidas nos extras dos DVDs. Ela lê os roteiros antes de serem gravados, se algum detalhe fugir muito do escopo ela sugere que não devem fazer aquilo.

Foi assim que ela acabou por revelar a homossexualidade de Dumbledore, por exemplo, ao devolver o roteiro com anotações rejeitando um cena em que o persongem revelava uma paixonite no passado por uma garota. Agora que a saga terminou e os envolvidos já conhecem seus destinos isso não é mais necessário, mas acredito que ela continue lendo o roteiro primeiro.

Assim, é difícil afirmar que os filmes não são fiéis aos livros porque, afinal, a própria autora sancionou as alterações – mas alguns de nós também sabemos o que significa essa tal “sanção da autora” quando lembramos de algumas declarações editoriais quanto às discrepâncias de tradução, né?

Claro que nem se compara com o controle que ela exerce sobre os demais produtos da franquia, afinal ela disse em entrevistas que não interfere nas traduções – quanto mais aprovar ou desaprovar alguma coisa; isso é responsabilidade exclusiva de quem adquiriu os direitos.

Mas a ideia é a mesma: embora a autora não desaprove publicamente, nunca saberemos se ela gostou da adaptação ou se esperava algo mais.

Os sete volumes da Scholastic

Os sete volumes da Scholastic

Também já li muita crítica contra os fãs que se queixam da falta de fidelidade dos filmes. Geralmente o argumento utilizado é o mesmo: a diferença de mídia e a falta de tempo para contar uma história que levou 700~800 páginas. Concordo. Principalmente com o segundo item: veja na figura ao lado como os livros cresceram do primeiro ao sétimo volume – não apenas em tamanho, mas também em ação. Os primeiros, além de mais finos, têm um pouco mais de introspecção, enquanto os últimos são mais descritivos, têm mais coisa acontecendo.

E no entanto…

Depois de ver o filme Harry Potter e o Enigma do Príncipe [Harry Potter and the Half-Blood Prince, EUA/2009] me admirei ainda mais da exatidão, da concisão e da aptidão da Sweet em acertar no ponto: “Eu fiquei procurando o livro no filme e não encontrei.”

Não sei dizer se foi pelos mesmos motivos que eu vou comentar daqui para a frente, isto é algo que apenas ela pode responder.

Quando terminei de assistir HBP fiquei com a mesma sensação de quando assisto a alguns episódios de True Blood: conforme já disse antes, não me importo com as alterações ou com a falta de fidelidade das cenas. O que realmente me chateia é a descaracterização de personagens e a abordagem rasa da trama, que deixa de abordar justamente as questões que me atraíram em primeiro lugar.

Draco Malfoy

Draco Malfoy

Um Harry que perambula por estações de trem a flertar com garçonetes desconhecidas enquanto toma um analgésico para a dor na cicatriz, por exemplo, foi um escorregão desnecessário. Também senti falta de alguns temas como a amizade, a confiança, o amor e a família no enredo: tudo isso é importante para estabelecer a diferença entre Potter e Voldemort, a diferença que o torna mais forte e superior ao inimigo.

No livro, Rowling montou um pavê intercalando um capítulo com Harry interagindo com seus colegas de escola, vivendo a vida de adolescente, e outro capítulo mergulhando na história de Tom Riddle, um garoto com tantas semelhanças com o próprio Harry que ele se incomoda quando se percebe tomando as mesmas atitudes que o futuro Lorde das Trevas.

O filme seguiu a fórmula e acertou na forma: o diretor David Yates acertou no crescendo da escuridão que, de certa maneira, resumiu a sequência de filmes até aqui, que começou brilhante e colorido na fase Chris Columbus e foi ficando mais e mais escuro a partir de Alfonso Cuáron e Mike Newell.

Um outro acerto foi na caracterização dos demais personagens. Até Michael Gambon parece que absorveu as críticas pela sua interpretação anterior e, ou deixou a soberba de lado, ou finalmente recebeu um script adequado e imprimiu um pouco de humor e compaixão ao personagem. Pip pip!

Ginny e Harry

Ginny e Harry

As partes leves do filme foram quase irretocáveis, IMHO. Rupert Grint está muito bem e até Emma Thompson Watson* parou um pouco com aquele humph-poof-nariz-empinado-voz-entojada irritante, ganhando um pouco mais de amplitude dramática. Dizem que o diretor teve muito trabalho com ela, mas pelo jeito esse trabalho acabou se pagando caus que as cenas de Hermione com o Ron ficaram muito engraçadas.

Um dos atrativos dos filmes da série Harry Potter, pra mim, são os atores veteranos. Desta vez foi o Jim Broadbent quem levantou a bola dos atores juvenis com quem contracenou. Não consigo imaginar outro Professor Slughorn, mesmo sendo mais magro e não se parecer com a descrição física do livro. Senquisgóde ele e a Maggie Smith já cofirmaram que voltam pro final. O filme foi dele, do Alan Rickman [para variar, né?] e do Tom Felton.

Aliás, logo após a estreia do filme choveram gugonautas aqui no PdUBT: as buscas por “Draco Malfoy” superaram as buscas por “Harry Potter” na proporção de 6 pra 1. Só uma curiosidade 😉

A homenagem a Dumbledore

A homenagem a Dumbledore

Quanto a mim, baixei meu nível de expectativa para a sequência final de dois filmes, em parte por causa do anticlímax da cena final – embora eu compreenda a explicação dos produtores para a ausência da Batalha na Torre de Astronomia [evitar a repetição com a Batalha em Deathly Hallows] – mas principalmente porque não vejo como retomar os temas abandonados ao longo da série num filme só. Ou dois, que seja.

Provavelmente teremos mais um bom filme de aventura para matar 2h30 do nosso tempo.

Serviço
Ficha técnica no iMDB
Ficha técnica no Adoro Cinema
Verbete em português no Wikipedia
Verbete do filme no Harry Potter Wikia [em inglês]
Harry Potter and the Half-Blood Prince: 50 facts
Os erros no filme [em inglês]

* Errei o nome da atriz de novo, eita. Valeu pela correção, jovem Tommy!

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12 comentários sobre “Filme | Harry Potter e o Enigma do Príncipe

  1. Vi o filme essa semana, e a definição da Sweet foi certeira. Eu já tinha esquecido os detalhes do livro (a minha memória é péssima), mas vendo o filme eu achava que faltava alguma coisa e fui lembrando. Anyway, eu achei o flme legal, deixou uma expectativa para o próximo.

  2. Quanto à correção, eu também confundo as duas, que por sinal são inconfundíveis !

    E parceiro é pra essas coisas (errrr, ainda bem que você não corrige minhas gafes nem sempre digitatórias lá no Cinema é Magia…) 😀

  3. Pingback: Harry Potter e o Enigma do Príncipe: Mais visões « Cinema é Magia

  4. Via de regra, quem lê um livro sempre tem mais expectativas do que o expectador do filme que não o leu.
    Ando escolhendo, pois.
    Se leio, dificilmente assisto.
    Não lendo, posso até me ver interessada no livro.
    Mesmo com as séries, que se tornam filmes…
    O glamour da telona é mais para o superfluo, em diria.
    Algumas vezes interesses em marketing, influenciando…
    Exagerei?!

  5. assisti ontem. adorei, como sempre. namoradón odiou, hahaha. ele disse q no filme inteiro nao acontece nada. concordo em partes, mas amo os cenários, caracterizacao, gradiosidade. me deixa feliz. =]

  6. Eu gostei do filme, mais faltou algumas coisas importantes que tem no livro e deve ser valorizado. Eu esperei um ano entusiasmada para ver o filme, e quase furei meus olhos, e também quase virei um limão, de tão azeda que eu fiquei. Eu estou prestes a lançar um livro, e é sobre bruxaria, tem criaturas, fantásticas, magia e outros assuntos importantes no dia a dia, com separaçao de pais, confiança, interesse, amizade e etc. Só espero receber uma boa crítica. Se quiser falar comigo: MSN: ludy.evelin_hta5@hotmail.com, ORKUT: ludievelin@hotmail.com

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