Os vampiros e os clássicos

Píramo e Tisbe, Gregorio Pagani (Galeria Uffizi, Itália)

Píramo e Tisbe, Gregorio Pagani (Galeria Uffizi, Itália)

O blog BrontëBlog [um dos favoritos de Titia Batata] chamou a atenção para vários artigos jornalísticos que mencionam as inspirações da escritora Stephenie Meyer para escrever os livros da série Crepúsculo.

Não, não se trata das diversas acusações de plágio porque, você sabe, ela declara não ter lido nenhum livro de vampiro antes, nunca. Ever.

Mas muitos perceberam semelhança no padrão narrativo de seus livros com algumas obras clássicas, a saber:

. Crepúsculo com Orgulho e Preconceito, de Jane Austen;

. Lua Nova com Romeu e Julieta, de William Shakespeare [que já era uma releitura do mito grego Píramo e Tisbe];

. Eclipse com O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë;

. Amanhecer com O Mercador de Veneza e com Sonhos de Uma Noite de Verão, de Tio Shakes também.

Um artigo do britânico The Telegraph ainda se lembra de Razão e Sensibilidade [outro Austen] e de Jane Eyre [Charlotte Brontë], mas daí honestamente eu achei forçação de barra demais. Se bem que seria legal se jovens leitores de Meyer lessem os clássicos, então tudo bem, façam todas as associações que conseguirem. As novas edições de Wuthering Heights da HarperCollins e HarperTeens tentam atraí-los pela capa.

Voltando à questão, o que eu quero saber é se alguém que tenha lido os livros pode comentar a respeito dessas semelhanças, plis?

Outro assunto relacionado, desta vez com mais ênfase no AustenBlog [outro favorito], são os romances clássicos como base para versões modernas vampirizadas – no sentido literal, não figurado. Livros como “Pride and Prejudice and Zombies” de Seth Grahame-Smith e “Mr. Darcy, Vampire” de Amanda Grange.

Quase posso ver você se contorcendo na cadeira.

Porém, não pegue suas estacas e balas de prata ainda. Muitos críticos analisam que essa nova onda de romance sobrenatural é natural [isso ficou engraçado] por dois motivos: eles costumam retornar para marcar o fim de uma era e também em épocas de crise, quando as pessoas mais precisam de uma válvula de escape. Pelo menos Mr. Darcy, Vampire conseguiu resenha positiva de uma Janeite [fã de Jane Austen].

Além disso, como leitora e autora aposentada de fanfics, eu seria alvo  da sua ira também. 😉

Agora devo confessar que tive dúvidas se comentaria a respeito de um artigo publicado na Revista Época. Gosto muito de críticas, mesmo negativas, desde que sejam bem fundamentadas. Se for escrita por alguém que levou o trabalho de resenhar a sério o bastante para ler e pesquisar sobre o assunto, então, viro fã. Porém, se o autor despreza o tema tão ostensivamente que nem se empenha em fornecer as informações de forma acurada, daí não perco muito tempo.

Pior ainda se for reincidente.

Em todo caso, o mau humor do cidadão rendeu ideias engraçadas de releituras dos clássicos brasileiros se fossem vampirizados: Iracema [José de Alencar], Dom Casmurro [Machado de Assis], Grande Sertão: Veredas [Guimarães Rosa], Os Sertões [Euclides da Cunha] e um com o próprio Machado, conhecido como o Bruxo do Cosme Velho, como personagem principal.

OK, pode pegar suas estacas agora.

Blogs legais em português
Jane Austen em português
Sucker for vampires

Serviço
Pride and Prejudice [Jane Austen] para download no Project Gutemberg
Romeo and Juliet [William Shakespeare] para download no Project Gutemberg
Romeu e Julieta para download no Domínio Público, em português
Wuthering Heights [Emily Brontë] para download no Project Gutemberg
The Merchant of Venice [William Shakespeare] para download no Project Gutemberg
O Mercador de Veneza para download no Domínio Público, em português
A Midsummer Night’s Dream [William Shakespeare] para download no Project Gutemberg
Sonho de Uma Noite de Verão para download no Domínio Público, em português

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21 comentários sobre “Os vampiros e os clássicos

  1. Bom… por sorte eu sou uma jovem q realmente leu todos esses clássicos da lista… e honestamente… pode até ter algumas semelhanças… mas acho que o povo tá forçando a barra… mas já que vc pediu coments…

    Orgulho e Preconceito+ Crepusculo: Homem misterioso e distante, Mr Darcy e Edward são gentlemens sex simbols literários…Bella num é exatamente uma Elizabeth Bennet, mas dá pro gasto.
    Briget Jones parece muito mais com Orgulho e preconceito, sorry.

    Romeu e Julieta+Lua Nova: Casal jovem apaixonado que não consegue viver um sem o outro, suicídio por amor…melosidade extrema..mimimi

    Morro dos Ventos Uivantes+Eclipse: Mulheres indecisas de qual homem ficar (apesar de todo mundo saber de quem elas gostam mais), triangulos amorosos, brigas machas… ahhaahah

    Sonho de uma noite de verão + Amanhecer:não faço idéia. troca troca de casais?(ui) final feliz? Alice=Puck…po esse eh o mais forçado né? aausdhuahsdu

    gente q talento de comparações! ahuahsuhaushu(beber e comentar, não recomendo)

    • luiza, adorei! adorei você ser uma jovem leitora dos clássicos, a sua análise dos livros e o seu humor. ri bastante do mimimi e do troca-troca de casais.
      🙂

      brigadão mesmo e seja bem-vinda!

  2. Pingback: Crepúsculo, Lua Nova e a literatura mundial « Cinema é Magia

  3. Amo Orgulho e Preconceito e mais ainda O Morro dos Ventos Uivantes.
    Sempre amei vampiros, desde pivetinha, mas misturar esses best sellers e esses seres estranhos????
    Não, não dá, eu quero uma estacada dos irmãos Winchester!!!!

    PS: seu blog continua ótimo!!

  4. olha, eu sou fã tanto dos classicos como da serie crepusculo e honestamente, não acho que crepusculo tenha muito a ver com orgulho e preconceito, tirando o fato do Edward ter muitos traços de Mr. Darcy. Já Lua Nova tem bem mais a ver com Romeu e Julieta, tanto que a autora faz mençao a obra de Shakespeare no livro. Não achei Eclipse muito parecido com O morro dos ventos uivantes não, apesar de novamente a sra. Meyer fazer mençao ao livro. Quanto a amanhecer não posso fazer uma comparação decente, já que não li Mercador de Veneza e Sonho de uma noite de verão ainda. Mas acho que o fato dos livros da série terem tantas partes “inspiradas” nos classicos e fazerem tanto sucesso mostra que, ao contrário do que muitos pensam, Jane Austen, as irmãs Brönte e cia. estão muito longe de serem leituras ultrapassadas.

    • helena, valeu pelo insight! é verdade, austen, bronte, shakespeare não podem ser considerados ultrapassados.

      e as releituras modernas demonstram isso: bridget jones, 10 coisas que odeio em você, patricinhas de beverly hills, etc…

  5. Olá!

    Muito bom seu blog, gostei!

    Estou lendo a série Crepúsculo e os livros citados estão na minha lista. É interessante que a autora os tome como inspiração para o seu estilo de escrita, pois mostra que ela é uma pessoa que se interessa pela cultura e não quer apenas escrever um livro que venda.

    Sobre a vampirização dos clássicos, já ouvi falar, mas não me agrada muito. Na verdade, histórias sobrenaturais normalmente não me agradam e eu abri uma enorme exceção para ler a saga. Se for para estimular as pessoas a lerem, acho válido e necessário.

    []’s

  6. Eu li a saga Crepúsculo e posso afirmar que a “escritora” Stephenie Meyer realmente cita longos trechos dos livros comentados, na maior cara de pau, como se tivesse que usar essas obras de escada para atingir um nível de dramaticidade que ela é incapaz de alcançar por si mesma.

  7. Naomi,

    Sim, a autora colocou citações e a protagonista divaga sobre as semelhanças entre as obras e os seus próprios sentimentos. Por exemplo, em Lua Nova (segundo livro da série…que é o menos ruim, diga-se de passagem, porque o chato do Edward vai embora), Bella faz uma analogia como ela sendo Julieta, Edward sendo Romeu e Jacob como Paris. E quando Edward volta, ele recita os dizeres de Romeu sobre o túmulo de Julieta.

  8. Não sei se posso dizer que ela (Stephenie Meyer) tenha se inspirado nesses clássicos. O fato é que ela faz citações sobre eles em seus livros. Justamente, Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade em Crépusculo; Romeu e Julieta em Lua Nova; O morro dos ventos uivantes em Eclipse. Não me recordo se ela cita O Mercador de Veneza e Sonhos de Uma Noite de Verão em Amanhecer.

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