The Magnificent Ambersons / Soberba

Capa do DVD

Capa do DVD

Devagar mas teimosa constante no meu projeto de assistir a toda obra do Orson Welles, agora foi a vez de Soberba [The Magnificent Ambersons, EUA/1942], o segundo filme de sua carreira cinematográfica, o segundo em parceria com o ator Joseph Cotten que assisto.

[O primeiro que Welles filmou com ele foi também o primeiro de sua obra, Cidadão Kane, mas o que eu vi primeiro com esta parceria foi O Terceiro Homem. Confuso? Tá fora de sequência porque (1) a maioria vejo na TV e (2) tenho o DVD de Kane guardado como se fosse o brigadeiro da festa: o melhor para o fim.]

A história se passa naquele intervalo histórico em que o dinheiro e o poder social deixavam de vir pela família e começavam a vir pelo trabalho, na sociedade norte-americana do início do século 20. Isabel é a herdeira dos Ambersons, família tradicional dos fundadores da cidade, cortejada por muitos pretendentes. Numa noite, seu preferido Eugene Morgan se apresenta para uma serenata bêbado a ponto de tropeçar e cair.

Embaraçada, Isabel rompe o compromisso com Eugene e casa-se com um sujeito de caráter fraco, com quem tem uma das crianças mais horríveis do cinema *éva*.

Agnes Moorehead, Fanny Amberson

Agnes Moorehead, Fanny Amberson

Um pode pensar: “céus, o quanto era exagerado o povo daquele tempo, na ficção”. Ah, eu não sei, vejo esse padrão elevado de exigência até hoje quando uma pessoa diz “se ele/a me ama de verdade, ele/a [_insira qualquer ato absurdo aqui__]. se ele/a não fizer isso é porque não me ama de verdade, mesmo que eu nunca lhe dê a menor indicação de que eu quero que ele/a [_insira qualquer ato absurdo aqui__]. se ele/a não adivinhar isso é porque não me ama de verdade”.

Soa familiar?

É um jogo psicótico de bem-me-quer, mal-me-quer, só que sem a margarida.

Mas o tema do filme, na verdade, é o preconceito. Eugene é um inventor e um empresário, não tem dinheiro de família, por isso sofre o desdém do filho de Isabel quando retorna à cidade, viúvo. Welles gostava de trabalhar com as questões da crítica social.

Oh, e como curiosidade, essa é a segunda vez também que vi a atriz Agnes Moorehead trabalhando com ele: a primeira foi na versão de 1944 da adaptação de Jane Eyre – embora não tenham contracenado e, naquele,  Welles apenas atuou.

Moorehead é a Endora, mãe da Samantha em A Feiticeira, cê sabe.

Welles narra A Guerra dos Mundos

Welles narra A Guerra dos Mundos

O título brasileiro de The Magnificent Ambersons, adaptação do livro de Booth Tarkington, ficou muito apropriado, IMHO. Soberba significa orgulho, presunção, altivez, arrogância – além de ser um dos sete pecados capitais.

Os pecados deveriam ser punidos, segundo as normas do Código Hays da época em que foi filmado. Foi o que Welles fez, diz a lenda. No entanto, assim como aconteceu em A Marca da Maldade mais tarde, o estúdio lançou uma edição do filme com novas cenas e montagem de Robert Wise, reduzido de 135 para 88 minutos.

Estas alterações foram feitas à revelia do produtor, diretor e roteirista Orson Welles, que na época estava no Brasil trabalhando no projeto “It’s All True”.

Se seria outra obra-prima à altura de Kane e A Marca da Maldade, só se pode especular. Em todo caso, vale totalmente a pena pela narração de Orson Welles, naquela voz inconfundível. Eu não tinha percebido quando assisti pela primeira vez, mas até os créditos são narrados em vez de aparecerem em caracteres na tela.

Parece que tem uma versão feita para a TV com o Jonathan Rhys-Meyers no papel do filho mimado, em 2002. Não vi. Por sua vez, Soberba é a refilmagem de Pampered Youth, de 1925. Também não vi.

Resenha legal
Soberba (1942), por Rubens Ewald Filho

Serviço
The Magnificent Ambersons – Site oficial do filme
Hotsite no TCM
Ficha no iMDB
Verbete no Wikipedia

The Magnificent Ambersons em nove partes no Youtube [sem legenda]

Parte 1

Link http://www.youtube.com/watch?v=Hg6emvCqvBE

Parte 2

Link http://www.youtube.com/watch?v=rar5qKtKolU

Parte 3

Link http://www.youtube.com/watch?v=C7Z4f3FGq2Y

Parte 4

Link http://www.youtube.com/watch?v=U1I38-9oSsI

Parte 5

Link http://www.youtube.com/watch?v=OKmv44_nYP0

Parte 6

Link http://www.youtube.com/watch?v=C18LifzQdaQ

Parte 7

Link http://www.youtube.com/watch?v=n3bLkxH3TDY

Parte 8

Link http://www.youtube.com/watch?v=o5WVSxcnY0g

Parte 9

Link http://www.youtube.com/watch?v=UVBEe5ThHJQ

Ficha técnica:

* título original: The Magnificent Ambersons
* gênero: Drama
* duração: 01h28
* ano de lançamento: 1942
* estúdio: RKO Radio Pictures Inc. / Mercury Productions Inc.
* distribuidora: RKO Radio Pictures Inc.
* direção: Orson Welles
* roteiro: Orson Welles, baseado em livro de Booth Tarkington
* produção: Orson Welles
* música: Bernard Herrmann e Roy Webb
* fotografia: Stanley Cortez
* direção de arte: Mark-Lee Kirk e Al Fields
* figurino: Edward Stevenson
* edição: Robert Wise

Elenco:

* Joseph Cotten (Eugene)
* Dolores Costello (Isabel)
* Tim Holt (George)
* Agnes Moorehead (Fanny)
* Ray Collins (Jack)
* Erskine Sanford (Roger Bronson)
* Richard Bennett (Major Amberson)
* Anne Baxter (Lucy)
* Orson Welles (Narrador – voz)

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15 comentários sobre “The Magnificent Ambersons / Soberba

  1. Eu não sabia que era a Endora, mas deveria ter desconfiado quando vi a foto….
    Poxa, fico com água na boca quando vc fala nesses filmes. Eu não tenho tv a cabo e não tenho coragem/paciência de alugar esse tipo de filme para assistir sozinha.

    • mica, tenho deixado praticamente só no tcm. não tem nem jeito de alugar esses filmes em pedra lascada: ou compro o dvd [e vou à falência] ou baixo pela internet [coa bandalarga de mentirinha] ou… vc captou.
      😆

      • Perguntinha: vc chama sua cidade de Pedra Lascada por ser fim de mundo ou como forma preventiva (e para não mencionar o nome)?

        Eu queria ter TCM…já baixo coisa demais da internet para o meu próprio bem, hehehe

  2. Pingback: Relembrando Orson Welles: Soberba « Cinema é Magia

  3. Caramba, a Endora novinha, quem diria…. =)

    Mas ó, também não assiti, não… Digamos que a minha WATCH LIST esteja no momento povoada por vampiros, friends, house e muitos, mas muitos desenhos infantís rsss

    Beijos

  4. Pingback: Now, Voyager / Estranha Passageira « Batata Transgênica

  5. Pingback: The Lady From Shanghai / A Dama de Shangai « Batata Transgênica

  6. Pingback: Blogagem coletiva | E meu Oscar vai para… O Homem que Não Vendeu Sua Alma « Batata Transgênica

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