Pudim de Natal & Pudding

Christmas Pudding

Christmas Pudding

Publicado originalmente na Casa Torta.

Na semana passada vimos os puddings salgados, a que estamos menos acostumados no Brasil. Por aqui, quando se fala em pudim, a imagem que nos vem é a da sobremesa. Vamos ver, então, uma sobremesa tradicional britânica, o pudim de natal.

Originalmente, no começo do século XV, este também era um pudim salgado, que tinha o objetivo de preservar a carne ensacada com frutas secas e especiarias e era conhecida como mince pie (torta de carne moída ou torta de picadinho). Na época da Rainha Elizabeth 1ª passaram a adicionar ameixas secas, tranformando-os em plum pottage (sopa de ameixa). Finalmente, no século XVIII, a quantidade de carne foi diminuindo e a de frutas secas e especiarias doces aumentava até chegar ao plum pudding.

O Christmas Pudding é feito com semanas, meses de antecedência – há quem prepare o pudim em um natal para ser consumido no natal do ano seguinte. No livro “A Aventura do Pudim de Natal”, a dona da mansão em que Poirot está hospedado segue o costume religioso de começar o preparo no domingo do Advento (data cristã que conta o domingo a quatro semanas antes do natal ). Todas as pessoas presentes na mansão neste dia são convidadas a dar uma mexida na mistura enquanto formulam um desejo.

Na época em que o livro foi escrito, ainda era costume também esconder uma moeda de prata na mistura. Quem ficasse com a fatia com a moeda teria saúde durante o ano seguinte – por ironia, o costume foi abolido por motivo de higiene quando as moedas de prata foram substituídas por moedas de outras ligas metálicas, que contaminariam o pudim.

Outros objetos podem ser adicionados à mistura, com simbolismos diversos. A Poirot, por exemplo, coube o anel do solteirão. O pudim é regado com brandy e flambado antes de ser servido, ainda em chamas.

Christmas Pudding (3 porções)

Ingredientes
– 350 gr de uva passa sem caroço
– 350 gr de uva passa branca sem caroço
– 160 gr de cidra picada(s)
– 2 xícara(s) (chá) de margarina culinária
– 2 xícara(s) (chá) de açúcar mascavo
– 1 1/2 xícara(s) (chá) de farinha de trigo
– 1 1/2 colher(es) (sopa) de fermento químico em pó
– 1 colher(es) (chá) de noz-moscada ralada(s)
– 8 xícara(s) (chá) de farinha de rosca
– 1 unidade(s) de limão siciliano
– 5 unidade(s) de ovo
– 160 ml de conhaque
– 80 gr de melado
– 310 ml de cerveja escura
– 5 gr de cardamomo em pó
– 1 colher(es) (café) de canela-da-china em pó

Modo de preparo
Lave e seque bem todas as passas. Quando estiverem bem secas ponha-as em uma tigela grande juntamente com a cidra picada. Em uma outra vasilha bata a manteiga com o açúcar até ficar bem cremoso, adicione então às passas e à cidra. Acrescente a farinha peneirada com o fermento, as especiarias, a noz moscada e a farinha de rosca (esta deve ser feita com pão preto integral). Mexa com uma colher de pau e acrescente a raspa da casca e o suco do limão e o melado. Em uma outra tigela bata juntos os ovos e o conhaque até obter uma massa bem fofa. Junte a cerveja e bata mais um pouco. Junte esta mistura à da tigela grande e mexa para amalgamar tudo muito bem. Unte com manteiga três formas de pudim (de aproximadamente um litro e meio), corte 3 rodelas de papel manteiga um pouco maior que o fundo da forma, besunte-as com manteiga dos dois lados e ponha-as no fundo das formas. Cubra as formas com papel manteiga besuntadas com margarina do lado interno e, com um barbante, amarre bem em toda a volta das formas. Leve à geladeira durante toda a noite. No dia seguinte, ponha os pudins para cozinhar em banho maria (o melhor seria num cuscuzeiro), durante 6 horas, em fogo baixo. Retire do fogo e deixe esfriar; tire o papel da cobertura e substitua-o por outro novo. Amarre novamente bem firme e deixe descansar por 3 a 4 semanas antes de consumir, em lugar fresco (na parte mais baixo da geladeira). No dia de servir, retire as formas da geladeira e, depois de umas duas horas, esquente o pudim em banho maria durante cerca de 3 horas antes de ir à mesa. Antes de servir, fure toda a superfície e regue-a com conhaque ou rum quente, flambando. Pode ser acompanhado de um molho de baunilha ou de uma mistura de rum e manteiga engrossado com um pouco de amido de milho. (Cybercook)

Neste site em inglês é possível acompanhar o passo-a-passo da confecção do Christmas Pudding, com muitas fotos. As medidas da receita estão tanto no sistema inglês quanto no sistema internacional de unidades, nem vai precisar do conversor.

Outros pudins doces
Rice pudding
ou pudim de arroz, também já fez suas aparições em livros de Agatha Christie. No Brasil e em Portugal é conhecido pelo nome “arroz doce”.

Crème Brûlée é uma sobremesa francesa famosa: creme de ovos com cobertura de caramelo crocante.

Houaiss

Datação
1799 cf. HCPer

Acepções
substantivo masculino
Rubrica: culinária.
1 iguaria salgada de consistência macia, preparada com vários ingredientes (cereais, carne de aves, peixes etc.), a que ger. se acrescentam leite, amido e ovos, e assada ou cozida em banho-maria
Ex.: p. de bacalhau, p. de milho
2 sobremesa de consistência cremosa, à base de chocolate, frutas etc., preparada com leite, leite condensado e ovos e assada ou cozida em banho-maria em calda de açúcar queimado
Ex.: p. de pão, p. de ameixa

Etimologia
ing. pudding (sXIII) ‘um tipo de salsicha’, (1544) ‘pudim’, de orig. incerta, talvez conexo com o ing.ant. puduc ‘verruga’, ing.méd. poding e com o b.-al. pudde-wurst ‘salsicha, chouriço’, puddig ‘inchado, intumescido’; f.hist. 1858 podím, 1858 plum-pudím

Alguns costumes populares relacionados ao Pudim de Natal:
. deve ser feito com treze ingredientes, representando Cristo e seus discípulos;
. cada membro da família deve dar uma misturada na massa com uma colher de madeira, em movimento horário, em honra dos três reis magos;
. flambar com o brandy representa a paixão de Cristo;
. é costume colocar um galho de azevinho no topo do bolo para lembrar a coroa de espinhos usada por Cristo na cruz;
. acredita-se que o azevinho traz boa sorte e tem poderes curativos especiais, e é costume plantá-lo próximo aos lares para proteger seus moradores;
. algumas famílias adicionam uma moeda ao bolo para dar sorte – todo mundo mexe a massa a faz um pedido;
. quem fica com a moeda no seu pedaço de bolo terá saúde, riqueza, felicidade e terá todos os seus desejos realizados;
. alguns colocam um anel de ouro na massa, acreditando que quem tirar o anel se casará dentro de um ano;
. em algumas famílias, o pai ou o avô [o mais velho] leva o bolo à sala de jantar, onde deve bater à porta. O restante da famíia deve gritar “Viva o Pudim de Natal!” o mais alto que conseguirem; a esta altura quem carrega o pudim provoca dizendo que não ouve ninguém pedindo o pudim e então vai levá-lo embora já obviamente ninguém quer. Ele bate de novo três ou quatro vezes, a cada vez dizendo que não consegue ouvir este ou aquele membro da família, antes que finalmente concorde em adentrar a sala e distribuir a gostosura anual.

Nesse site [em inglês} há outras supserstições envolvendo a feitura do Christmas Pudding e o Natal de modo geral.

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Pudim Yorkshire

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8 comentários sobre “Pudim de Natal & Pudding

  1. Olha, vc não vai acreditar, mas juro, de pés juntos. Daquí a 5 minutos vai começar Poirot na TV e já até programei. Não, não é a do pudim. Vai passar o “Rapto do Primeiro-Ministro”. Vamo vê se vai reclamar de alguma comida inglesa neste episódio tbém.

    Essa de poder preparar o pudim com meses de antecedência parece coisa de panetone! Não sei qual será o sabor, mas sua história e tradição parecem muito mais interessantes. Hummm, a propósito de crème Brulée, o que mais curto não é comê-lo, mas quebrá-lo com o verso da colherinha!

  2. Post delicioso!

    Quando vi o pudim da foto lembrei daquela versão antiga do Conto de Natal, em que a família do escriturário do Scrooge faz um pequenino pudim para a sobremesa de Natal, trazido flamejante para a mesa pela mãe orgulhosa. Mesmo que cada um tenha comido um pedacinho minúsculo, era como se tivessem saboreado um enorme pudim cada um deles. A cena é comovente, e o pudim parece ser delicioso.

    Ainda não li essa história do Poirot, do pudim de Natal, mas parece ser bem interessante (sou suspeita para falar, das Agatha Christies que li até agora, gostei de todas)

    Beijocas!!

  3. Me lembro vagamente de que havia o costume de se colocar aneis e moedas em bolo…
    Não me lembro direito de qual época, acho que era nas festividades juninas.

    E, de pudim, adoro o de claras.
    Feito por ocasião de quindins, com as claras.
    Óbvio.
    😉

    Gosto muito de um bolo de natal, que eles chamam de bolo inglês, com mais frutas secas do que bolo. Uma delícia!
    Mas, deve ser receita nossa, adaptada.
    Na padaria expressa master eles fazem em forma de bolo inglês.

    Ah! Valeu a dica dos pacotinhos de tarrachas.
    Genial!
    🙂

    • Com tanta guloseima, uma amiga minha tá ficando estressada.
      Ela quer emagrecer.
      Para acompanhar o modismo de magreza, esbeltez.
      Só que não consegue!
      Uma festa atrás da outra.
      Sem contar as tradicionais guloseimas do lar.
      O jeito é optar por água.
      Até mesmo nas festas.
      😉

  4. Aaaah, eu lembro tão bem dessa passagem do Dickens, eu lia e visualizava toda a preparação para a festa, a mulher levando o pudding pra mesa. É realmente comovente a cena. Muito bem lembrado e muito bem descrito. 🙂 Acho que vou ler dinovo esse livrinho.
    Mas…pudding não me apetece, prontofalei. Nem salgado e, por incrível que pareça, nem doce.

  5. Eu AMO esta receita!!! Geralmente eu coloco frutas cristalizadas em geral, em vez das duas passas e da cidra. E o modo de fazer é mais descomplicado, nada de amarrar nada rsss é assar em banho-maria em forma untada com manteiga e açucar mascavo. E na hora de servir, um tantinho no microondas =)

    Beijos

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