Beatles | Metallica | Filosofia

Capa do livro

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Terminei de ler mais dois livros da série Cultura Pop & Filosofia, do William Irwin, ambos relacionados à música – mais especificamente ao rock’n’roll.

Os dois livros têm em comum a estrutura dos capítulos: os primeiros analisam a relação das mensagens das letras das canções com os primeiros filósofos ocidentais [Platão, Aristóteles, Sócrates], seguindo para os orientais, franceses e alemães e daí para os filósofos modernos.

O mesmo esquema dos três anteriores que li, também [Matrix, Harry Potter e House].

Mas, desta vez, não gostei muito do material de alguns artigos que usaram trechos de letras de músicas para fazer a tal análise filosófica – isso aconteceu principalmente no volume dedicado ao Metallica: usaram trechos ou frases fora do contexto da canção para encaixar na ideia que o autor do texto queria demonstrar.

No GoogleBooks tem uma boa parte do livro disponível para leitura online [clique aqui].

Tradução de resenha da Babblermouth na Whiplash, em português.

Capa do livro

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Os artigos que analisam as respectivas obras do Metallica e dos Beatles como um todo ficam mais para o final dos livros, e esses, sim, são legais de ler. E o melhor é que são diversos pontos de vista, alguns até conflitantes, assim o leitor se sente estimulado a formular suas próprias teorias.

No volume dedicado ao Metallica, a grande parte dos artigos dedica-se a discutir a raiva, o agnosticismo, a violência, o dever, os vícios, e outros temas constantes nas músicas e na vida da banda.

Já no volume dedicado aos Beatles os autores têm a vantagem de debater uma obra fechada tanto da carreira do grupo quanto na carreira solo de dois dos três membros que mereceram atenção dos autores [Ringo Starr ficou de fora]. A maioria dos artigos é dedicada a discuitir o amor, e tem um ramo da filosofia que não consta no volume sobre o Metallica: a ética feminista.

Tem também um apêndice no final do livro que eu não sei se “veio de fábrica” [isto é, se faz parte do livro original] ou se foi acrescentado à edição brasileira. Qualquer que seja o caso, pra mim é dispensável: é aquela teoria da conspiração que acredita que Paul is dead [Paul morreu], compilada e copiada de um site de Internet.

Oh, cá está. De acordo com essa resenha no Blog Critics, tem na edição original, sim, e o resenhista gostou.

Resumo da ópera:  valem a pena se você é fã de uma das bandas, daquele que coleciona tudo sobre eles. Valem também se gosta de aprender sempre, porque são escritos para leigos [tipo eu], sem construção de frases tortuosas nem termos obscuros [e os termos obscuros que não dê para simplificar são bem explicados].

Eu diria que essa série já deu por enquanto [leia-se “estou sem grana”], mas cabei de receber o aviso da Livraria Cultura que eles despacharam meu exemplar de Undead and Philosophy, então guentaê mais um pouquinho. 😉

Sinopse
Em pouco mais de sete anos de carreira, os Beatles mudaram o comportamento de toda uma década, revolucionaram as técnicas musicais e como resultado nos deixaram um inestimável tesouro artístico. Ainda hoje, 44 anos após a explosão da Beatlemania, milhões de pessoas em todo o mundo compram seus discos e se encantam com a originalidade de John, Paul, George e Ringo. Nesta obra, vinte estudiosos de Filosofia reuniram-se para analisar a fundo o pensamento e o comportamento dos Beatles e para levantar questões filosóficas presentes em suas músicas, como ética, cultura do consumo e ceticismo, além de tratar dos temas cotidianos nas canções sob a luz da filosofia, como amor, sociedade, política e espiritualidade.

Os Beatles e a Filosopfia: Nada que você pense que não possa ser pensado
Editora: Madras
Autor: Michael Baur e Steven A. Baur
Org.: William Irwin
Tradução: Marcos Malvezzi
ISBN: 9788537002698
Origem: Nacional
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 286

Sinopse
Muito mais que uma banda barulhenta, o Metallica traz em suas músicas questões éticas, políticas e sociais do mundo moderno. Para aqueles que não o entendem, suas músicas não passam de ruídos desarmonizados, mas ir a fundo no significado de suas letras é enxergar as motivações dos integrantes e as relações discursivas subjacentes. Podemos, então, ver que os integrantes do grupo são mais que cabelos compridos e guitarras nas mãos. São seres humanos com pensamentos, idéias e emoções. Tudo isso transmitido por meio de suas melodias.

Metallica e a Filosofia: Um curso intensivo de cirurgia cerebral
Editora: Madras
Autor: WILLIAM IRWIN
Tradução: Marcos Malvezzi
ISBN: 9788537003091
Origem: Nacional
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 240

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Harry Potter e a Filosofia

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11 comentários sobre “Beatles | Metallica | Filosofia

  1. Lu, não consigo levar a Madras a sério até hoje.
    Há anos atrás, ela publicou uma série de livros religiosos onde o autor postulava absurdos – não sei quais, na verdade – que fez a comunidade religiosa e científica se levantar contra tais colocações. ( área da física)
    O autor e a editora se retrataram – eu vi os emails do autor para o tal grupo – e ficaram de retirar as obras, de recolher as mesmas.
    Que nada!
    Ficou por isso mesmo, o dito pelo não dito.
    Fico na torcida para que tudo tenha se resumido aquele longíquo episódio.
    Mas, sabe como é a tal da “primeira impressão”?!
    😉

    • cássia, não soube desse caso, mas xeu te contar.

      no volume matrix dessa série ‘cultura pop e a filosofia’ tem muitas páginas de introdução da editora brasileira, muitas mesmo, bem mais de 20.

      uma das introduções foi escrita pelo proprio editor, inclusive.

      eles falam de coisas que não têm nada a ver com o tema do livro, ovnis e templários e rosacruzes, numa salada meio riponga.

      da primeira vez que li não entendi nada do livro. na segunda vez resolvi ler sem as introduções e aí, sim, fez sentido.

      por isso que fiquei na dúvida se o epílogo no volume beatles era original ou intervenção da editora brasileira.
      😉

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